Pesquisador em meteorologia prevê uma década sem seca rigorosa no Sertão da Paraíba
O
ano de 2020 será de chuvas dentro da média no Sertão da Paraíba. Em
alguns locais pode chover pouco abaixo da média, mas para o PhD em
Meteorologia e pós-doutor em Hidrografia de Florestas Luiz Carlos Molion
não haverá secas rigorosas pelos próximos dez anos. Numa entrevista a
Renata Fabrício para o “Correio da Paraíba”, o pesquisador da
Universidade Federal de Alagoas ressalta que seus estudos mostram que
até 2030/2032 haverá um período mais animador para chuvas. Em 2020, por
exemplo, o El Niño, fenômeno caracterizado pelo aumento das temperaturas
no Pacífico e que por consequência provoca duras estiagens no Nordeste,
não acontecerá nos dois primeiros trimestres, o que torna os invernos
do Sertão dentro da faixa da normalidade.
O inverno americano, na
opinião de Molion, afeta diretamente a previsão climática. “Para 2020 a
Paraíba como um todo deve ficar com chuvas um pouco acima da média,
entre 10% e 15%. Os trimestres janeiro-março e abril-junho podem ter
totais cerca de 40% e 15% acima da média respectivamente. No Litoral a
tendência é de chuvas em função do inverno americano, que será rigoroso,
e quando isso acontece, nos Estados Unidos e Canadá, chove um pouco
mais do que a média histórica. Ainda segundo o professor Luiz Carlos, a
atividade solar vai diminuir e por causa disso as amplitudes térmicas,
que são as diferenças entre a máxima e a mínima, devem aumentar. Desde
2005, na sua avaliação. Os oceanos e o clima global vêm dando sinais de
resfriamento, o que deve persistir até 2030/2032, em função de o sol
estar num mínimo de atividade durante esse período dentro do seu ciclo
de aproximadamente 100 anos de duração.
Essa redução da atividade solar deve provocar uma redução do número
de dias com chuva e redução de umidade relativa. Uma possível
consequência é, em média, número de dias com amplitudes térmicas mais
elevadas, ou seja, temperaturas máximas um pouco mais elevadas no
período diurno e temperaturas mínimas mais baixas durante o período
noturno, particularmente por ocasião do inverno. De acordo com o
professor Molion, o cenário em relação às secas também é bom, já que o
fenômeno “El Niño”, que as provoca de maneira mais severa, não é
aguardado nos dois primeiros trimestres. “Em geral, o fenômeno que
provoca secas severas na Paraíba é o evento El Niño, caracterizado pelo
aumento da temperatura da superfície (TSM) do Oceano Pacífico Tropical. A
previsão para 2020 é que o Pacífico fique com TSM em torno da média,
mais ou menos 0,5 C, indicador de neutralidade. Portanto, não se espera a
formação do evento El Niño antes do terceiro trimestre de 2020. Assim, a
previsão é que os totais pluviométricos não sejam afetados pelo
Pacífico e fiquem um pouco acima da média em relação ao período
1981-2010”, explica.
Para apontar a previsão climática de 2020, Luiz Carlos Molion utiliza
a previsão por similaridade. E, dentro dos seus cálculos, a expectativa
é de que 2020 seja um ano similar ao ano de 2003, que ficou dentro da
normalidade na Paraíba, segundo a Agência Executiva de Gestão das Águas
da Paraíba (Aesa). Um novo prognóstico para o primeiro trimestre de 2020
deverá sair no final deste mês, segundo o Instituto Nacional de
Meteorologia. Já a previsão para os meses de dezembro, janeiro e
fevereiro mostram que no Oeste do Estado, onde fica a região do Sertão,
haverá chuvas um pouco acima da média histórica. Na parte mais a leste
(divisa entre Sertão e Cariri), pouco abaixo da média e no restante do
Estado chuvas dentro da média.
Fonte: Os Guedes

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