Deputada Estela Bezerra discute com juiz após ter prisão mantida em audiência de custódia
Foram realizadas, até o início da tarde desta quarta-feira (18), na Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Paraíba, em João Pessoa, as audiências de custódia dos presos da Operação Calvário
A deputada estadual Estela Bezerra, apontada como uma das principais
articuladoras da organização criminosa investigada, foi a primeira a ser
ouvida. Ela discutiu com o juiz Adilson Fabrício a respeito de sua
presença na audiência. Para a defesa, o procedimento não deveria ser
realizado, uma vez que a Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) votou,
em maioria, em sessão extraordinária, pela liberdade da parlamentar. A defesa argumenta que decisão administrativa tem força de alvará de soltura.
O juiz, Adilson Fabrício, no entanto, entendeu que o alvará de
soltura deve ser judicial, já que a prisão foi judicial. No momento em
que dizia que não cabe à Assembleia ‘julgar’ a deputada, Estela rebateu:
“Não estou sendo julgada. Eu sequer fui indiciada. Vocês têm uma
investigação contra mim e fizeram uma prisão preventiva, não é isso? Eu
gostaria que o senhor corrigisse suas palavras”.
O juiz agradeceu às respostas de Estela e prosseguiu no anúncio da
decisão pela manutenção da prisão até que o relator da Operação
Calvário, Ricardo Vital, julgue a votação da ALPB. “A comunicação [da
votação] foi feita e se o relator decidir cumpri-la, e isto é a cargo
dele, com certeza ainda hoje ela será solta”, ressaltou Adilson
Fabrício.
Com a decisão, Estela Bezerra foi encaminhada à Penitenciária Júlia
Maranhão, onde ficará em uma cela especial até que consiga um alvará
judicial de soltura.
Francisco Chagas
A segunda audiência foi a de Francisco das Chagas Ferreira, apontado
como ‘laranja’ do ex-secretário de Planejamento, Orçamento e Gestão,
Waldson de Souza. A defesa de Francisco das Chagas pediu a revogação da
prisão ou conversão em prisão domiciliar, mas o Ministério Público se
manifestou contrário ao pedido. Francisco será recolhido na Ala Especial
da Penitenciária de Segurança Média Juiz Hitler Cantalice, em
Mangabeira.
Márcia Lucena
A prefeita de Conde, Márcia Lucena, foi a terceira a ser ouvida. Ela
contestou a prisão. “Eu estaria totalmente à disposição [da Justiça], se
tivesse sido chamada, para responder absolutamente qualquer coisa. Eu
só fui chamada na medida em que fui presa. No momento exato da prisão”,
disse. A prisão dela foi mantida pelo juiz Adilson Fabrício e Márcia
Lucena será levada para a ala especial da Penitenciária Júlia Maranhão,
em Mangabeira, separada das demais detentas.
Outros seis presos
Os outros seis presos na Paraíba foram ouvidos até às 13h desta
quarta-feira (18) e também tiveram as prisões mantidas. São eles:
- Coriolano Coutinho, irmão de Ricardo Coutinho: Penitenciária Média de Mangabeira
- Waldson de Souza: Penitenciária Média de Mangabeira
- José Arthur Viana Teixeira, ex-secretário executivo de educação: Penitenciária Média de Mangabeira
- Gilberto Carneiro, ex-procurador-geral do Estado: Penitenciária Média de Mangabeira
- Empresários Vladimir dos Santos Neiva e Bruno Miguel Teixeira: Penitenciária Média de Mangabeira
O juiz Adilson Fabrício ainda decidiu que Coriolano Coutinho,
Gilberto Carneiro, Waldson de Souza e Ricardo Coutinho devem ficar
isolados em celas diferentes, sem comunicação entre si.
* Com informações de Sandra Macedo, da Rede Correio Sat, e Luís Eduardo Andrade, da TV Correio
* Matéria atualizada às 13h40 para incluir o resultado final das audiências
Portal Correio
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