O açougueiro predileto do ex-presidente Lula esquarteja a verdade
Joesley Batista aproveitou uma entrevista para assumir de vez a paternidade da meia delação premiadíssima
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| Joesley Batista, presidente executivo da JBS - 13/02/17 - (Danilo Verpa/Folhapress) |
Na entrevista concedida à revista Época,
Joesley Batista assumiu a paternidade de outra brasileirice repulsiva.
Sob a supervisão do procurador-geral Rodrigo Janot e com as bênçãos do
ministro Edson Fachin, relator dos casos da Lava Jato no Supremo
Tribunal Federal, foi o dono da JBS o inventor da meia delação
premiadíssima. Em troca da impunidade perpétua, o depoente conta apenas
uma parte do muito que sabe. Para alegria do chefe do Ministério
Público, é exatamente essa a parte que arquiva bandalheiras que envolvem
seus alvos preferenciais.
Como nos depoimentos cujos trechos mais ruidosos foram
divulgados há pouco mais de um mês, também na entrevista a Diego
Escosteguy o credor favorito do BNDES não se atreveu a negar o que
qualquer bebê de colo está cansado de saber: “Lula e o PT
institucionalizaram a corrupção”. Mas quem lidera “a quadrilha mais
perigosa do Brasil é Michel Temer”, não o antecessor que concebeu e
dirigiu o maior esquema corrupto de todos os tempos. Esse, aos olhos do
delator espertalhão, foi sempre um modelo de civilidade e respeito à
lei. “Nunca tive conversa não-republicana com o Lula. Zero”, jurou. “Eu
tinha essas conversas com o Guido Mantega”.
“Conheci o Lula só no fim de 2013”, mentiu no fim da
fantasia. A verdade esquartejada foi recomposta no parágrafo seguinte.
“O senhor não era próximo do Lula quando ele era presidente?”, perguntou
o entrevistador. “Estive uma vez com o presidente Lula quando assumi o
comando da empresa em 2006”, derrapou o entrevistado. O primeiro
encontro da dupla, portanto, ocorreu sete anos antes — sete anos
excepcionalmente lucrativos. Em 2006, o faturamento da JBS somou 4
bilhões de reais. Saltou para 14 bilhões já no ano seguinte.
De lá para cá, o grupo dos irmãos Batista, anabolizado por
empréstimos de pai para filho liberados pelo BNDES, desenhou uma curva
ascendente de dar inveja a magnata de filme americano. Em 2016, graças a
sucessivos negócios internacionais facilitados pela usina de favores do
Planalto, o faturamento bateu em R$ 170 bilhões.
Mas Joesley fez questão de registrar que as também “as relações com o
BNDES foram absolutamente republicanas”. Nada de conversa
não-republicana com o presidente Luciano Coutinho ou diretores da
generosa instituição. Quando precisava de outro empréstimo, bastava
falar com Mantega.
Ou seja: a corrupção institucionalizada por Lula e seu
partido rolou solta por mais de 13 anos, mas Joesley continua
concentrando a artilharia em Michel Temer e no PMDB, sem esquecer de
reservar a Aécio Neves algumas balas de grosso calibre. Decidido a
poupar a mais gulosa e atrevida organização criminosa (ORCRIM, ele
simplifica), Joesley segue repetindo, sem ficar ruborizado, que teve
como comparsa um único e escasso oficial graduado da tropa de larápios:
Guido Mantega, codinome Pós-Itália.
Se cinismo fosse crime, nem a dupla Janot e Fachin
conseguiria livrar da cadeia o açougueiro predileto do chefão da
quadrilha. Ele mesmo, o governante que criou o Brasil Maravilha com
dinheiro roubado do país real.
Veja

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