Ator José Mayer fala pela primeira vez sobre a acusação de assédio sexual
Publicado por:
Érika Soares
Na madrugada desta sexta-feira (31), a
figurinista Susllem Meneguzzi Tonani, 28 anos, teve sua acusação de
assédio contra José Mayer publicada pelo jornal Folha de S.Paulo. Na
coluna, pertencente à editoria Agora É Que São Elas, ela escreveu um
longo depoimento em que narra episódios de constrangimento e contato
físico sem consentimento praticados pelo ator.
Aos 67 anos, sendo 49 de carreira, Mayer respondeu a Folha em sua defesa:
“Respeito muito as mulheres, meus
companheiros e o meu ambiente de trabalho e peço a todos que não
misturem ficção com realidade. As palavras e atitudes que me atribuíram
são próprias do machismo e da misoginia do personagem Tião Bezerra [da
novela A Lei do Amor], não são minhas! Nesses 49 anos trabalhando como
ator sempre busquei e encontrei respeito e confiança em todos que
trabalham comigo”, disse.
Entenda o caso
Entenda o caso
Na carta publicada, ela conta o que
viveu nos bastidores da novela A Lei do Amor. “A primeira ‘brincadeira’
de José Mayer Drumond comigo foi há 8 meses. Ele era protagonista da
primeira novela em que eu trabalhava como figurinista assistente. E essa
história de violência se iniciou com o simples: ‘como você é bonita’.
Trabalhando de segunda à sábado, lidar com José Mayer era rotineiro. E
com ele vinham seus ‘elogios’. Do ‘como você se veste bem’, logo eu
estava ouvindo: ‘como a sua cintura é fina’, ‘fico olhando a sua
bundinha e imaginando seu peitinho’, ‘você nunca vai dar para mim?’.”
Segundo ela, os episódios incluíram também contato físico sem consentimento.
“Em fevereiro de 2017, dentro do camarim
da empresa, na presença de outras duas mulheres, ele colocou a mão
esquerda na minha genitália. Sim, ele colocou a mão na minha b***** e
ainda disse que esse era seu desejo antigo. Elas? Elas, que poderiam
estar eu meu lugar, não ficaram constrangidas. Chegaram até a rir de sua
‘piada’. Eu? Eu me vi só, desprotegida, encurralada, ridicularizada,
inferiorizada, invisível. Senti desespero, nojo, arrependimento de estar
ali. Não havia cumplicidade, sororidade. Mas segui na engrenagem, no
mecanismo subserviente. Nos próximos dias, fui trabalhar rezando para
não encontra-lo. Tentando driblar sua presença para poder seguir. O
trabalho dos meus sonhos tinha virado um pesadelo.”
Tonani afirma que procurou as instâncias
responsáveis pelos funcionários da Rede Globo e que o setor de Recursos
Humanos lhe prometeu tomar as medidas cabíveis.
“Acusei o santo, o milagre e a igreja.
Procurei quem me colocou ali. Fui ao RH. Liguei para a ouvidoria. Fui ao
departamento que cuida dos atores. Acessei todas as pessoas, todas as
instâncias, contei sobre o assédio moral e sexual que há meses eu vinha
sofrendo. Contei que tudo escalou e eu não conseguia encontrar mais
motivos, forças para estar ali. A empresa reconheceu a gravidade do
acontecimento e prometeu tomar as medidas necessárias. Me pergunto:
quais serão as medidas? Que lei fará justiça e irá reger a punição? Que
me protegerá e como?
Sinto no peito uma culpa imensa por não
ter tomado medidas sérias e árduas antes, sinto um arrependimento
violento por ter me calado, me odeio por todas às vezes em que,
constrangida, lidei com o assédio com um sorriso amarelo. E,
principalmente, me sinto oprimida por não ter gritado só porque estava
em meu local de trabalho. Dá medo, sabia? Porque a gente acha que o ator
renomado, 30 e tantos papéis, garanhão da ficção com contrato assinado,
vai seguir impassível, porque assim lhe permitem, produto de ouro,
prata da casa.
[…] Falo em meu nome e acuso o nome dele
para que fique claro, que não haja dúvidas. Para que não seja mais
fofoca. Que entendam que é abusivo, é antigo, não é brincadeira, é
coronelismo, é machismo, é errado. É crime”, finalizou.
Em nota, a Rede Globo disse a CLAUDIA
que está apurando o caso. “Repudiamos toda e qualquer forma de
desrespeito, violência ou preconceito. E zela para que as relações entre
funcionários e colaboradores da emissora se deem em um ambiente de
harmonia e colaboração, de acordo com o Código de Ética e Conduta do
Grupo Globo. Todas as questões são apuradas com rigor, ouvidos todos os
envolvidos, em busca da verdade. Desta forma e tendo o respeito como um
valor inegociável da empresa, esse assunto foi apurado e as medidas
necessárias estão sendo tomadas”, afirmou a Comunicação da emissora.
Fonte: MSN
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