Polícia Federal indicia mais de 60 pessoas investigadas na Operação Carne Fraca
Entre os indiciados estão agentes de inspeção sanitária, fiscais agropecuários, chefes de inspeção, proprietários e funcionários de frigoríficos e representantes do Ministério da Agricultura
| Inquérito policial da superintendência da PF no Paraná foi entregue nesse sábado (15) à Justiça Federal - (Foto: EBC) |
A Polícia Federal (PF) indiciou 63 pessoas
investigadas pela Operação Carne Fraca. O inquérito policial da
superintendência da PF no Paraná, entregue nesse sábado (15) à Justiça
Federal do Paraná, apontou que existem provas e indícios suficientes de
cometimento de várias infrações previstas no Código Penal.
Os indiciados deverão responder pelos crimes de advocacia
administrativa, concussão, corrupção passiva, crime contra a ordem
econômica, emprego de processo proibido ou de substância não permitida,
falsidade de atestado médico, falsidade, corrupção, adulteração de
substância ou produtos alimentícios, organização criminosa, peculato,
prevaricação, uso de documento falso e violação de sigilo funcional.
Entre os indiciados estão agentes de inspeção sanitária, fiscais
agropecuários federais, chefes de unidades de inspeção, proprietários e
funcionários de frigoríficos e representantes regionais do Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Ainda segundo o relatório, foram indiciados somente os investigados
que foram presos preventivamente. Ainda há fatos em apuração que poderão
resultar no indiciamento de outros investigados soltos, mas que estão
ligados às condutas analisadas.
De acordo com o relatório da PF, “os indícios e provas colhidos ao
longo da Operação permitem concluir pela existência de uma organização
criminosa atuante dentro da estrutura do Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento, tanto no Estado do Paraná como em outros
Estados, há fortes evidências das mesmas práticas nefastas pelo menos
nos estados de Goiás e Minas Gerais”, diz trecho do documento.
Operação
A operação Carne Fraca foi deflagrada em 17 de março com o objetivo
de apurar prática de crimes de corrução por agentes públicos
responsáveis pelo trabalho de fiscalização e controle da qualidade e
segurança alimentar de produtos agropecuários.
Segundo a PF, fiscais agropecuários recebiam propina de empresas para
liberar a emissão de certificados sanitários sem a fiscalização efetiva
da carne. A partir da troca de favores entre empresários e os fiscais, o
esquema permitia a comercialização de produtos com várias
irregularidades, como prazo de validade vencido e uso de substâncias
para adulterar a qualidade da carne.
Ao todo, foram expedidos na Operação Carne Fraca 27 mandados
judiciais de prisão preventiva, 11 de prisão temporária, 77 de condução
coercitiva e 194 de busca e apreensão. Ao todo, 21 frigoríficos são
investigados na operação. Além disso, o Ministério da Agricultura
afastou 33 fiscais de suas atividades. O processo tramita sob sigilo na
14ª Vara Federal, em Curitiba.
ClickPB - Por EBC
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