Congresso do Paraguai é incendiado após Senado aprovar reeleição
Emenda deverá ser ratificada neste sábado pela Câmara dos Deputados, também controlada pelos governistas.
| Participantes do ato invadiram e saquearam escritórios de congressistas favoráveis à emenda - (Foto: AFP ) |
O Senado do Paraguai, dominado por partidários do
presidente Horácio Cartes, aprovou nessa sexta-feira (31) a reeleição
presidencial, o que deflagrou incidentes entre a polícia e
manifestantes, que invadiram o prédio do Congresso, em Assunção. No
total, 25 dos 45 senadores votaram a favor da emenda que institui a
reeleição.
A decisão dos senadores provocou uma forte reação de partidários da
oposição, que invadiram o prédio do Congresso, apesar da ação da polícia
de choque. Aos gritos de "Ditadura nunca mais", centenas de opositores
entraram no prédio legislativo após destruir barreiras, portões e
janelas. Eles invadiram e saquearam gabinetes de congressistas
favoráveis à emenda, e atearam fogo em alguns setores do prédio.
O alarme de incêndio soou por vários minutos enquanto labaredas e fumaça saíam de algumas zonas do prédio.
— Garantimos que a polícia não voltará a reprimir. Pedimos que não
derrubem as barreiras, que não tentem entrar no prédio do Congresso.
Pedimos calma, tranquilidade — disse o comandante da polícia, Críspulo
Sotelo.
— Pedimos que não nos provoquem. Temos que garantir a segurança do prédio" do Congresso — afirmou Sotelo.
"Pedimos que não nos provoquem. Temos que garantir a segurança do prédio" do Congresso, declarou Sotelo na TV.
A emenda deverá ser ratificada neste sábado pela Câmara dos
Deputados, também controlada pelos governistas. Os senadores não votaram
no plenário do Senado, e sim em um gabinete do Congresso, diante da
resistência de legisladores da oposição contra a medida, que permitirá a
Cartes buscar a reeleição. A emenda foi apoiada por opositores ligados
ao ex-presidente de esquerda Fernando Lugo, mas o restante da oposição
denunciou a medida como um "golpe parlamentar".
Após ser confirmada pela Câmara dos Deputados, a emenda será
submetida a um referendo nacional, no prazo de três meses, convocado
pelo Tribunal Superior de Justiça Eleitoral.
Antes da invasão do Congresso, a polícia de choque havia enfrentado
os manifestantes com balas de borracha e golpes de cassetete, provocando
ao menos 12 feridos, incluindo o presidente do Senado, Roberto Acevedo,
o presidente do Partido Liberal, Efrain Alegre, e o deputado Edgar
Ortíz, também liberal, segundo o senador opositor Luis Wagner.
Acevedo, o primeiro vice-presidente do Senado, Eduardo Petta, e
outros legisladores da oposição ocuparam o plenário da Casa para impedir
a votação, que ocorreu em um gabinete.
Oposição denuncia "projeto ditatorial"
Acevedo denunciou, na quinta-feira, na Corte Suprema de Justiça, os
senadores governistas por abuso de função e atentado à ordem
constitucional.
— Queremos que o plenário da Corte Suprema de Justiça declare inconstitucional este procedimento ilegal.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Velázquez, admitiu ter
recebido o projeto e informou que irá votá-lo no plenário da Casa neste
sábado. Cartes tem uma folgada maioria na Câmara dos Deputados,
integrada por 80 legisladores.
— Queremos que o povo decida se quer ou não a reeleição, e não será
uma minoria (parlamentar) que impedirá isto — disse a senadora Lilian
Samaniego, presidente do Partido Colorado.
O senador Carlos Filizzola, ligado ao ex-presidente Lugo, disse que a
oposição liderada por Acevedo não permitiu a votação no plenário do
Senado, o que obrigou os senadores a votar a emenda em outra sala.
— A sessão de hoje com os 25 senadores ocorreu como estabelece o
regimento e também a Constituição Nacional — destacou Filizzola.
Mas os senadores contrários ao projeto qualificaram a votação de "golpe parlamentar".
— É um projeto ditatorial de Horacio Cartes com a cumplicidade de
Fernando Lugo, coautor deste projeto autoritário — declarou o senador
opositor Carlos Amarilla.
ClickPB com AFP
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