sexta-feira, 31 de março de 2017

Movimento político-militar de 31 de março de 1964

31 de março de 1964, Golpe ou Revolução? Como esta data deve ser lembrada

Alguns representantes da sociedade civil paraibana declaram sua opinião à respeito desse significativo período da história brasileira

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Tanques em frente ao Congresso Nacional patrulham a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, após o golpe militar de 1964.
O movimento político-militar deflagrado em 31 de março de 1964 teve como objetivo depor o governo do presidente João Goulart. Sua vitória acarretou profundas modificações na organização política do país, bem como na vida econômica e social. Todos os cinco presidentes militares que se sucederam desde então declararam-se herdeiros e continuadores da ‘Revolução’ de 1964, período que se estende até o final do processo de abertura política no Brasil, em 1985. Marcado por autoritarismo, supressão dos direitos constitucionais, perseguição policial e militar, prisão e tortura dos opositores e pela censura prévia aos meios de comunicação.
A crise político-institucional da qual nasce o regime militar começa com a renúncia do presidente Jânio Quadros, em 1961. Agrava-se durante a administração João Goulart (1961-1964), com a radicalização populista do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), de várias organizações de esquerda e com a reação da direita conservadora. Goulart tenta mobilizar as massas trabalhadoras em torno das reformas de base, que alterariam as relações econômicas e sociais no país. 
Isso leva o empresariado, parte da Igreja Católica, a oficialidade militar e os partidos de oposição, liderados pela União Democrática Nacional (UDN) e pelo PSD, a denunciar a preparação de um golpe comunista, com a participação do presidente. Além disso, responsabilizam-no pela carestia e pelo desabastecimento. 
No dia 13 de março de 1964, o governo promove grande comício em frente a estação ferroviária Central do Brasil, no Rio de Janeiro, em favor das reformas de base. Os conservadores reagem com uma manifestação em São Paulo, a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, em 19 de março. A tensão cresce. No dia 31 de março, tropas saídas de Minas Gerais e São Paulo avançam sobre o Rio, onde o Governo Federal conta com o apoio de setores importantes da oficialidade e das Forças Armadas. Para evitar a guerra civil, Goulart abandona o país e refugia-se no Uruguai. 
No dia 1º de abril, o Congresso Nacional declara a vacância da Presidência. Os comandantes militares assumem o poder e explicam suas razões. O general Mourão Filho queria impor o domínio e o cumprimento da Constituição. O general Carlos Luís Guedes desejava as reformas, por via do Congresso. No entanto, depois de 10 de abril de 1964, o Comando Revolucionário cassou deputados, senadores, governadores, prefeitos, militares, desembargadores, embaixadores e outros ocupantes de funções públicas. É decretado o Ato Institucional Nº1 (AI-1), que cassa mandatos e suspende a imunidade parlamentar, a vitaliciedade dos magistrados, a estabilidade dos funcionários públicos e outros direitos constitucionais.
Outra vez, o Presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli, voltou à Presidência da República, que havia sido declarada vaga. Foi Mazzilli quem entregou o cargo ao General Castelo Branco, eleito pelo Congresso Nacional em 11 de abril de 1964, ficando como Vice-Presidente José Maria Alkmin, líder do PSD.
Golpe ou Revolução?
Os patrocinadores do movimento defendiam que o processo seria uma Revolução. Tal visão é, ainda hoje, defendida por alguns segmentos da sociedade, principalmente por algumas parcelas do meio militar que ainda hoje chamam de Revolução, ou Contra-Golpe, o Golpe Militar de 1964. Faz parte dessa mesma visão a referência como ‘Revolução Redentora’, que teria sido um movimento político desenvolvimentista patrocinado pela classe média e pelo alto oficialato das Forças Armadas brasileiras.
A noção de que se trataria de uma revolução perde muito terreno na sociedade brasileira desde meados dos anos 70. Hoje, tal posição se sustenta em parcelas restritas tanto da sociedade quanto dos meios históricos, sendo quase impossível encontrar algum defensor de tal idéia que não tenha alguma ligação importante com o meio militar, onde parcelas restritas ainda defendem tal ideia.
Lilla Ferreira - 
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