Ministério Público Federal processa Partido Progressista e dez da sigla por corrupção
A força-tarefa da Operação Lava Jato no
Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública contra o
Partido Progressista (PP) por improbidade administrativa. O pedido de
responsabilização se estende a dez políticos da sigla e um ex-assessor
parlamentar.
Os alvos da ação civil são os deputados federais Nelson Meurer
(PP-PR), Mário Negromonte Júnior (PP-BA), Arthur Lira (PP-AL), Otávio
Germano (PP-RS), Luiz Fernando Faria (PP-MG) e Roberto Britto (PP-BA),
além dos ex-deputados federais Pedro Corrêa (PP-PE), Pedro Henry
(PP-MT), João Pizzolatti (PP-SC) e Mário Negromonte (PP-BA) e de João
Genu, ex-assessor do falecido deputado José Janene.
O MPF pede o pagamento de mais de R$ 2 bilhões, a suspensão dos
direitos políticos e perda dos direitos de contagem e fruição da
aposentadoria pelo Regime Especial. Os procuradores também pedem a perda
dos cargos daqueles que cumprem mandato.
“As evidências colhidas ao longo da investigação apontam que o
dinheiro ilícito da corrupção da Petrobras foi empregado para o
enriquecimento ilícito dos participantes e para financiar campanhas
eleitorais”, diz nota da Procuradoria da República no Paraná. A
investigação identificou dois esquemas de desvios de verbas da Petrobras
envolvendo o partido.
Em nota, o PP informou que “todas as doações recebidas foram legais e
devidamente declaradas e aprovadas pela Justiça Eleitoral”. O partido
disse ainda que “não compactua com condutas ilícitas e confia na Justiça
para que os fatos sejam esclarecidos”.
Petrobras e Braskem
O primeiro esquema era relacionado a contratos vinculados à Diretoria
de Abastecimento da estatal, entre 2004 e 2014. “Um cartel de
empreiteiras fraudava procedimentos licitatórios da estatal em obras
gigantescas, inflando indevidamente os lucros obtidos”, diz a nota do
MPF.
Neste esquema, os alvos da ação civil pública teriam, segundo o
Ministério Público, alçado e mantido Paulo Roberto Costa na referida
diretoria para garantir o funcionamento do cartel e do pagamento de
propinas aos agentes políticos do PP. Apenas os atuais deputados
federais Otávio Germano, Luiz Fernando Faria e Roberto Britto teriam
recebido uma mesada de mais de R$ 30 mil por mês durante sete anos.
Neste primeiro esquema de desvio de verbas, o MPF estima que tenham
sido pago mais de R$ 410 milhões em propinas, das quais 60% eram
direcionadas ao Partido Progressista e o restante era distribuído entre
executivos da Petrobras e operadores financeiros.
Já o segundo esquema identificado na investigação consiste no
pagamento de propina por parte da Braskem, empresa do Grupo Odebrecht. O
destino das vantagens financeiras também era o PP e seus integrantes,
de acordo com a força-tarefa.
Neste esquema paralelo, que funcionou entre 2006 e 2012, a
investigação estima que o montante de propinas pagas tenha alcançado R$
49,98 milhões. O MPF afirma que, em períodos eleitorais, parte desse
valor foi repassado na forma de “doações oficiais”.
Dos mais de R$ 2 bilhões em ressarcimentos solicitados pelos
procuradores, cerca de R$ 460,6 milhões equivalem à propina paga ao PP
nos dois esquemas. Valor semelhante é pedido na forma de danos morais
coletivos, e cerca de R$ 1,38 bilhão equivale ao pagamento de uma multa
civil.
Agência Brasil
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