À espera da lista de Rodrigo Janot, Congresso Nacional está paralisado
Publicado por:
Amara Alcântara
Sem conseguir mensurar o impacto
político da segunda lista do procurador-geral da República, Rodrigo
Janot, baseada nas delações da Odebrecht, o Congresso está em compasso
de espera. Um mês e meio depois do final do recesso, Câmara e Senado
ainda não instalaram as comissões permanentes e votaram poucos projetos
relevantes. Nos bastidores, as articulações, em conjunto com o Palácio
do Planalto, convergem na mesma direção: anistiar o caixa 2 e barrar
eventuais punições criminais para doações oficiais de campanha.
Brasília vive dias de grande apreensão
com a expectativa do envio ao Supremo Tribunal Federal (STF), pela
Procuradoria-Geral da República, da nova relação de pedidos de abertura
de inquéritos contra políticos na Lava-Jato.
A previsão era de entrega na segunda-feira, mas deve ocorrer nesta
terça. Ex-presidentes, ministros, governadores e parlamentares alinhados
e contrários ao governo Michel Temer estarão entre os alvos.
Para tentar desviar as atenções, tanto
no Congresso quanto no Planalto, a ordem é manter o “ar de normalidade”
durante a semana. O governo projeta sucesso no leilão de quatro
aeroportos, entre os quais o Salgado Filho, marcado para quinta-feira.
No Senado, cuja cúpula deve entrar na lista, a intenção é aprovar a
segunda rodada do programa de repatriação de valores. Contudo, o impacto
da relação pode adiar mais uma vez a votação. Há três semanas, desde a
aprovação da indicação de Alexandre de Moraes para o STF, o plenário
reduziu o ritmo.
O Senado também pretende, com mais de um
mês de atraso, instalar nove de 13 comissões nos próximos dias — apenas
a de Constituição e Justiça está em funcionamento. A Câmara vai no
mesmo caminho e, se possível, ainda tentará votar o projeto que
regulamenta a terceirização do trabalho. No entanto, deputados dizem que
será difícil romper a letargia caso saiam os nomes de todos os
políticos implicados a partir das delações da Odebrecht.
— Serão dias de muita expectativa, mas
essa lista não pode paralisar o que já está paralisado — provoca o
deputado Esperidião Amin (PP-SC).
As dúvidas sobre a extensão dos pedidos
da PGR contribuíram para a Câmara adiar o início do trabalho das
principais comissões permanentes. Líderes acreditam que será possível
instalar os colegiados nesta semana, desde que haja acordo entre governo
e oposição para evitar que os políticos investigados, em especial
atuais ministros e antigos próceres da era petista, sejam chamados para
dar explicações.
Na estratégia de governo e parlamentares
para desviar o foco da Lava-Jato, também consta acelerar as discussões
nas comissões especiais das reformas trabalhistas e da Previdência,
raros colegiados que trabalharam em ritmo intenso na Câmara. De volta à
Casa Civil depois de três semanas de licença médica, o ministro Eliseu Padilha
comandou, na segunda-feira, reunião para discutir pontos nos quais o
Planalto aceita negociar. Presidente da comissão da reforma da
Previdência, Carlos Marun (PMDB-MS) garante que a turbulência política
que se avizinha não impedirá o governo de aprovar o texto no mês que
vem:
— A comissão não sofrerá impacto porque o presidente não está na lista do Janot.
A semana também terá novas discussões
sobre a reforma eleitoral, com foco no financiamento das campanhas. O
debate foi ressuscitado com força depois que o STF transformou o senador
Valdir Raupp (PMDB-RO) em réu por corrupção e lavagem graças a doações
oficiais. Os principais partidos articulam blindagem. Entre as opções
avaliadas, consta votar projeto que barre investigações de contas que
foram aprovadas pela Justiça Eleitoral, driblando a Lava-Jato. Líder do
PT da Câmara, Carlos Zarattini (SP) defende leis que apontem o que pode
ser enquadrado como corrupção em doações legais:
— Temos de ter uma legislação que defina
claramente essa situação. Ela tem de ser definidora do que é crime, do
que não é crime, do que é crime eleitoral ou penal.
Fonte: Zero Hora
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