Defesa do presidente Michel Temer vai apresentar 3 teses para evitar cassação
A defesa do presidente Michel Temer vai entregar a
partir desta quarta (29) memoriais de defesa na ação de cassação da
chapa Dilma/Temer, que pode ir a julgamento na semana que vem. Nisso, o
advogado Gustavo Guedes fará os conhecidos “embargos auriculares” –
conversa ao pé de ouvido com os ministros do Tribunal Superior
Eleitoral, reforçando os argumentos da defesa e verificando se os
magistrados estão totalmente a par dos autos do processo.
A ação tem mais de 50 mil páginas e duas mil foram juntadas pelo juiz
Sergio Moro apenas na semana passada. A defesa de Temer avalia que os
outros dez ministros, além do relator Herman Benjamin, não tiveram tempo
de se inteirar de todo o conteúdo.
Além disso, a defesa sustentará três linhas de argumentação nos
memoriais e na sustentação oral ao plenário, informa a colunista Jovem
Pan Vera Magalhães:
1ª: nulidade da peça inicial – Proposta pelo PSDB, a
petição inicial tinha foco nas gráficas e outros prestadores de serviço
do PT que teriam recebido além do que de fato foi realizado. Depois,
com o decorrer prolongado da ação e o impeachment de Dilma Rousseff,
foram juntados depoimentos dos delatores da Odebrecht que mostram que
Temer e o PMDB também receberam por meio de caixa dois. A tese é de
que houve mudança no escopo inicial do processo e isso por si decretaria
sua nulidade.
2ª: provas não se sustentam – o advogado argumentará
que apenas os depoimentos de executivos descrevendo as irregularidades
não valeriam como provas e, por si só, não sustentariam a acusação, uma
vez que eles não foram objetos de outras diligências.
3ª: separação da chapa – por fim, será usado o
argumento até agora mais propagandeado, que pedirá uma “mudança de
jurisprudência” do TSE, que geralmente julga e cassa a chapa completa em
casos de irregularidades. Termer deve pedir que sejam separadas as
responsabilidades do vice e do titular. Assim, seria condenada só Dilma
Rousseff.
UOL
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