Lava Jato deve fazer "recall" de delatores por crer em blindagem do PSDB
Procuradores desconfiam que colaboradores omitiram informações sobre irregularidades em governos de São Paulo e Minas Gerais
Delatores que omitiram informações, propositalmente ou não, para a
Operação Lava Jato serão convocados a prestar novos depoimentos nas
próximas semanas. Entre eles estão representantes das empreiteiras
Camargo Correa, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez que deixaram de
detalhar supostos esquemas de propina pagos para tocarem obras de
responsabilidade dos Governos de São Paulo e de Minas Gerais quando eram
administrados pelo PSDB. Obras realizadas nos Governos paulistas de
José Serra e Geraldo Alckmin e no mineiro de Aécio Neves estariam na
mira dos investigadores.
O recall de delatores foi confirmado ao EL PAÍS, por fontes ligadas à
investigação na Procuradoria Geral da República. O que chamou a atenção
do grupo de trabalho que atua em Brasília foram informações que
antecedem o acordo de delação premiada de executivos das empreiteiras
Odebrecht e OAS citando irregularidades em obras das quais ambas
participaram ao lado das demais investigadas ou nas quais foram
concorrentes. Entre elas a Cidade Administrativa de Belo Horizonte (MG),
as construções no Metrô de São Paulo e do Rodoanel do mesmo Estado.
Outras propinas pagas para participarem de obras na gestão de Dilma
Rousseff (PT) na presidência também não foram descartadas.
A nova convocação coloca em risco benefícios obtidos por alguns dos
delatores que já haviam assinado os acordos. Em entrevista coletiva na
manhã desta sexta-feira, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot,
não confirmou a existência desse recall. Falando em tese, porém, ele
citou que o colaborador é obrigado a revelar todos os atos ilícitos dos
quais participou, se não o fizer, pode ter sua pena aumentada e seu
benefício cassado.
“Existe a possibilidade da pessoa se esquecer mesmo. Estamos falando de
anos e anos que se passaram de prática de diversos atos. Agora, se for
um esquecimento doloso, deliberado, pode, sim, receber pena maior,
aumentar multa e até quebrar a colaboração”. No entendimento de Janot,
mesmo se o benefício for suspenso, as provas apresentadas pelo delator
continuam válidas.
Continuidade dos contratos
Com o impeachment de Dilma Rousseff (PT) e a assunção do grupo de
Michel Temer (PMDB) apoiado pelo PSDB, parte das empreiteiras tem
evitado delatar esquemas que envolvam o grupo que atualmente governa o
Brasil, segundo relataram empresários a investigadores. A razão seria
que essas empreiteiras precisariam seguir firmando contratos com o
Governo federal e, no entendimento delas, se entregassem irregularidades
de quem está no poder, dificilmente conseguiriam ser aprovadas em
processos licitatórios para novas obras. Elas temem que a corrupção
sistemática que por décadas predomina no poder público brasileiro ainda
esteja longe de acabar, independentemente de quem esteja no comando do
país.
O debate sobre a acurácia dos depoimentos de delatores voltou a ser tema nesta semana, quando vieram à tona incongruências da colaboração de Otávio Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez. À Justiça ele disse ter feito um repasse de 1 milhão de reais, que seria propina disfarçada, ao PT _o destino final do dinheiro era a campanha Dilma-Temer, de 2014. As prestações de contas, no entanto, mostraram que a soma foi enviado por meio de um cheque nominal a Michel Temer. O presidente nega que o recurso tenha origem irregular.
El País
O debate sobre a acurácia dos depoimentos de delatores voltou a ser tema nesta semana, quando vieram à tona incongruências da colaboração de Otávio Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez. À Justiça ele disse ter feito um repasse de 1 milhão de reais, que seria propina disfarçada, ao PT _o destino final do dinheiro era a campanha Dilma-Temer, de 2014. As prestações de contas, no entanto, mostraram que a soma foi enviado por meio de um cheque nominal a Michel Temer. O presidente nega que o recurso tenha origem irregular.
El País
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