Acordo de cavalheiros prevê aliança em São Paulo, Minas e Pernambuco
Wallony Oliveira
Em Minas Gerais, terra de Aécio, os dois partidos devem manter a aliança atual. Em outros estados, haverá uma espécie de acordo de cavalheiros, um pacto de não agressão. Entre Aécio e Campos, a combinação é se aliar onde for possível, mas não romper por diferenças locais. A máxima de Aécio tem sido: “Onde dá para estar juntos, bem, onde não, paciência”. O senador tem dito a pessoas próximas que seu acordo com Campos é para montar uma estrutura para o segundo turno da eleição presidencial, mas que não se trata de palanques duplos, e sim, de uma estratégia de convivência. A ideia é fazer o que for possível para um facilitar a vida do outro.
Decisões centralizadas
Além dos entendimentos em Minas e em São Paulo, Aécio e Eduardo Campos
já fizeram um acordo prévio também para as eleições ao governo de
Pernambuco: em contrapartida à decisão dos socialistas de não lançarem
um candidato ao governo de Minas, para não atrapalhar os planos tucanos,
o PSDB nacional também não deve aprovar candidatura própria no estado
de Campos. Os tucanos alimentavam a ideia da candidatura de Daniel
Coelho, que teve bom desempenho nas eleições para a prefeitura de
Recife, em 2012, mas o caminho deve ficar livre para o candidato de
Eduardo Campos, que ainda não foi escolhido.
Para controlar as composições políticas do PSDB em todos os estados,
tendo sempre em vista o projeto nacional, outra ofensiva de Aécio é
aprovar semana que vem, na reunião da Executiva Nacional do PSDB,
documento determinando que qualquer coligação estadual terá de passar
pelo crivo nacional. O senador tem dito que o PSDB “pagou o preço” nas
últimas eleições por não ter submetido as alianças regionais à nacional.
E já avisou a tucanos que as decisões serão centralizadas, e que, se
preciso, haverá intervenção. Em Minas, Aécio tenta cooptar o descontente
PMDB para sua aliança.
— Se o PMDB vier, vale a pena ceder um espaço — disse Aécio a interlocutores recentemente.
Anastasia: candidatura em aberto
De olho nesse apoio, o tucano deixa aberta a possibilidade de ceder a
vaga reservada para o governador Antonio Anastasia ao Senado ou mesmo à
vice do PSDB para mobilizar um acordo com o principal partido da base
aliada no governo Dilma Rousseff. No que depender do senador Clésio
Andrade (PMDB-MG), que pretende disputar o governo do estado, rompendo a
aliança com o PT, Aécio poderá contar com palanque duplo em Minas,
mesmo sem abrir mão de outra vaga reservada ao PSDB.
— Sou pré-candidato ao governo de Minas pelo PMDB. Já começamos um
movimento pró-candidatura própria e temos cerca de 70% dos convencionais
do nosso lado. A convenção do partido não vai aprovar uma composição
com o PT no estado, e a Executiva Nacional já disse que não vai se
meter. A cúpula do PMDB já decidiu que não vai interferir na escolha de
Minas. Meu palanque está aberto, com certeza para o Aécio — afirmou o
senador Clésio.
Até o momento, o PSDB em Minas tem como certo lançar o tucano Pimenta da
Veiga ao governo e como vice o atual presidente da Assembleia, Dinis
Pinheiro (PP). Mas Aécio deve segurar até o último momento o anúncio do
atual governador Antonio Anastasia como candidato ao Senado.
O presidenciável usa Anastasia, favorito ao Senado, como peça
importante no xadrez: enquanto o chapéu dele estiver segurando a cadeira
do Senado, o PT fica só com a vaga de vice de Fernando Pimentel para
oferecer aos outros partidos.
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