Estado da Paraíba tem o pior desempenho do Nordeste em cursos de medicina na rede privada

O resultado do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) na última segunda-feira (19), acendeu um alerta para quem custeia as altas mensalidades de cursos de medicina na Paraíba.
Na comparação regional, a Paraíba aparece com o pior desempenho na rede privada, sendo o único estado do Nordeste onde nenhuma faculdade particular atingiu as notas 4 ou 5. O exame avalia tanto o conhecimento dos estudantes quanto a qualidade do ensino ofertado.
Enquanto estados vizinhos, como Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte, ostentam instituições privadas com conceitos altos, a Paraíba tem 67% de seus cursos particulares reprovados com notas 2.
As instituições paraibanas que tiraram nota 2 não terão o ingresso de alunos totalmente suspenso (pena reservada para quem tira nota 1), mas sofrerão redução obrigatória de vagas nos próximos processos seletivos.
Público x privado
De acordo com o levantamento, todas as universidades federais avaliadas (UFPB e os dois campi da UFCG) alcançaram a nota 4 (bom), superando qualquer opção privada no estado, onde das seis instituições avaliadas, quatro foram reprovadas com nota 2 (Unipê, Unifacisa, Famene e Afya Paraíba), e as duas restantes (Santa Maria e Unifip) tiveram nota 3, que é considerada satisfatória.
No ranking regional da rede pública, a Paraíba, embora sólida, é superada pelos estados de Sergipe (UFS – Lagarto e Aracaju), Pernambuco (UPE – Serra Talhada e Garanhuns e Univasf – Petrolina), Rio Grande do Norte (UFRN – Natal e Caicó) e Ceará (UECE e UFC – Fortaleza), que atingiram a excelência máxima (nota 5).
Piores estados (rede pública)
Alguns cursos pontuais puxaram a média para baixo:
- Maranhão: UFMA (Pinheiro) tirou nota 2.
- Bahia: UFSB (Teixeira de Freitas) também ficou com nota 2.
Piores estados (rede privada)
Paraíba e Maranhão apresentam os piores cenários. Altíssima taxa de reprovação (nota 2) e inexistência de cursos com nota 4 ou 5.
Na Bahia, apesar das ilhas de qualidade na capital (Escola Bahiana e UniFG com nota 4), o estado lidera em números absolutos de reprovações (12 cursos privados com nota 2).
Melhores estados do Nordeste (rede privada)
- Ceará: possui a Unichristus com nota 5 (única excelência privada da região) e a Unifor com nota 4.
- Sergipe: o mais consistente, sem nota vermelha; Unit oscila entre nota 3 e 4.
- Pernambuco: a Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS) obteve nota 4.
- Rio Grande do Norte: a UnP garantiu nota 4.
Grandes grupos lideram o ranking negativo
O desempenho das grandes holdings educacionais, que controlam o ensino médico no país, também foi analisado.
Confira o ranking das redes com piores notas no Nordeste:
- Grupo Facene/Famene: 100% dos cursos de medicina avaliados (Famene-PB e Facene-RN) obtiveram nota 2.
- Grupo Ser Educacional (Uninassau): unidades avaliadas (Recife-PE e Barreiras-BA) ficaram com nota 2.
- Grupo Afya: o maior em volume, mas com desempenho preocupante. Acumula notas 2 em unidades da Paraíba, Pernambuco, Maranhão, Bahia e Piauí.
- Grupo Yduqs (Estácio/Facid): acumulou notas 2 em Juazeiro (BA), Alagoinhas (BA) e Canindé (CE).
Destaque positivo (rede privada)
- Unichristus (CE): nota 5.
- Faculdade Pernambucana de Saúde (PE): nota 4.
- Escola Bahiana de Medicina (BA): nota 4.
Grupo Tiradentes (Unit), com unidades em Sergipe que oscilaram entre nota 3 e 4.
Blog JURU EM DESTAQUE com Paraíba Já
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