Procurador que atacou juíza federal será transferido para hospital psiquiátrico em Tremembé (SP)
O
procurador da Fazenda Nacional Matheus Carneiro Assunção, preso nesta
quinta-feira (3) sob suspeita de tentar matar uma juíza na sede do TRF-3
(Tribunal Regional Federal da 3ª Região), em São Paulo, será
transferido para um hospital psiquiátrico em Tremembé (SP).
A decisão é da juíza federal Andréia Sarney, da 1ª Vara Criminal de São
Paulo, após audiência de custódia na tarde desta sexta (4).
Assunção
é suspeito de atacar, com uma faca, a juíza Louise Vilela Leite
Filgueiras Borer. Ela teria sofrido ferimentos leves no pescoço, mas,
segundo a assessoria do TRF-3, passa bem.
O procurador foi preso em flagrante pela Polícia Federal por tentativa de homicídio qualificado.
Ele
chegou ao fórum criminal amparado por dois agentes da Polícia Federal.
Sua defesa diz que ele está em estado de surto e tem problemas
psiquiátricos. O procurador tem histórico de problemas de saúde mental e
já teria solicitado licença para tratamento em outras ocasiões.
Em
nota, o Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional afirmou
que lamenta o ocorrido e se solidariza com com a juíza Louise. A
associação disse que o ataque “surpreende a todos da carreira e,
principalmente, àqueles mais próximos de Matheus”. O texto descreve o
procurador como um profissional dedicado, admirado e estimado por amigos
e colegas de trabalho.
Segundo a
nota, Assunção é membro da Procuradoria Nacional da Fazenda desde 2008.
Formado pela Universidade Federal de Pernambuco, ele é mestre e doutor
em direito pela USP.
“Diante de tal
fato, esperamos cautela no aprofundamento das investigações, a fim de
esclarecer devidamente as circunstâncias do ocorrido e as condições
pessoais do procurador Matheus no momento do episódio, conferindo-se a
ele o pleno direito ao contraditório e à ampla defesa, inclusive em
âmbito administrativo, até porque aparentava, visivelmente, se encontrar
em estado de surto psicótico, no momento do ato”, finaliza o texto.
O
TRF-3 é a corte federal responsável pelo julgamento dos recursos
oriundos dos processos das varas da Justiça Federal em São Paulo e Mato
Grosso do Sul.
A
sede do tribunal fica em uma torre na esquina da avenida Paulista com a
alameda Ministro Rocha Azevedo, no bairro da Bela Vista, região central
de São Paulo. Para ter acesso aos andares do edifício os visitantes
passam por um detector de metais, e pastas, mochilas, bolsas e malas são
submetidas a um equipamento de raio-X.
O
episódio provocou reação de associações que representam juízes e que
disseram ser crônica a falta de segurança dos magistrados. A classe
jurídica já estava em choque desde a semana passada com as declarações
do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, que disse ter entrado
armado no STF (Supremo Tribunal Federal) em 2017 porque pretendia matar
Gilmar Mendes, ministro da corte.
Em
palestra na AASP (Associação dos Advogados de São Paulo) na manhã desta
sexta-feira, no centro de São Paulo, o ministro do STF Alexandre
de Moraes disse que nada justifica o fato de um procurador tentar
esfaquear uma juíza em nome do combate à corrupção – há relatos de que,
durante o ataque, Assunção, em surto, teria falado sobre “acabar com a
corrupção no Brasil”.
“Isso é para
camisa de força. Há um bombardeio de notícias e de WhatsApps de grupos
organizados dizendo que a única opção para o combate à corrupção é
acabar com o Poder Judiciário, acabar com a defesa, o contraditório,
essas conquistas que levaram centenas de anos para a humanidade obter.”
Segundo
o ministro, o ataque é resultado de uma lavagem cerebral que vem sendo
feita contra as instituições e contra a democracia.
Por
meio de nota, a AGU (Advocacia-Geral da União) disse que, em relação à
prisão do procurador ligado à instituição, determinou a “imediata
abertura de sindicância investigativa”. A AGU afirmou lamentar esse
episódio, registrou “irrestrita solidariedade à magistrada” e
repudiou “todo e qualquer ato de violência”.
Fonte: Noticias ao minuto - Publicado por: Suedna Lima

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