Supremo Tribunal Federal pode tornar parte do Centrão réu na Operação Lava Jato
O STF vai decidir se coloca lideranças do chamado Centrão no banco dos réus
© Nelson Jr./SCO/STF
A Segunda Turma do Supremo
Tribunal Federal (STF) decide nesta terça-feira, 21, se coloca
lideranças do chamado Centrão no banco dos réus. Em pauta, uma denúncia
contra o chamado "quadrilhão do PP", o maior partido do bloco informal
da Câmara.
O colegiado discutirá se recebe ou não a acusação apresentada
pela Procuradoria-Geral da República (PGR), na Lava Jato, contra o líder
da Maioria na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), os deputados Arthur
Lira (PP-AL) e Eduardo da Fonte (PP-PE) e o senador Ciro Nogueira
(PP-PI), presidente nacional do partido. Os quatro são acusados pelo
crime de organização criminosa.
O julgamento ocorre no momento em
que o Centrão promove uma queda de braço com o presidente Jair
Bolsonaro, impondo ao governo uma série de derrotas no Congresso.
Segundo
apurou a reportagem, o Palácio do Planalto acompanha de perto a sessão,
pois entende que uma eventual aceitação da denúncia pode ajudar a
impulsionar os atos de apoio a Bolsonaro marcados para domingo (mais
informações na pág. A4).
'Quadrilhão'
O
caso do "quadrilhão do PP", como é conhecido, chegou ao Supremo em março
de 2015. Em setembro de 2017, o então procurador-geral da República,
Rodrigo Janot, apresentou denúncia por organização criminosa contra os
parlamentares. Eles são acusados de participar de esquema de
"cometimento de uma miríade de delitos" e arrecadação de propina por
meio da utilização de diversos órgãos da administração pública, como a
Petrobrás, a Caixa Econômica Federal e o Ministério das Cidades.
De
acordo com a PGR, a organização criminosa teria sido concretamente
estruturada após a eleição em 2002 do então presidente Luiz Inácio Lula
da Silva (PT), preso e condenado na Operação Lava Jato.
Pesam
contra os parlamentares diversas acusações. Arthur Lira é acusado de
receber vantagens indevidas por meio de doações eleitorais oficiais, em
um total de R$ 2,6 milhões. De acordo com a denúncia, Ciro Nogueira
solicitou e recebeu da empreiteira UTC Engenharia um total de R$ 1,875
milhão.
Contra Aguinaldo Ribeiro a acusação é a de "ordenar a
captação e o repasse da propina" decorrente de contratos relacionados à
diretoria de abastecimento da Petrobrás, em um esquema que também teria
beneficiado Eduardo da Fonte.
Defesas
Os
parlamentares negam as acusações e pedem a rejeição da denúncia. A
defesa de Aguinaldo Ribeiro disse ao Supremo que há uma tentativa de
"criminalizar o ato político e o partido político".
Para os advogados de Arthur de Lira, a denúncia é "lastreada em
declarações prestadas por colaboradores, as quais, de modo solitário,
não são suficientes para conferir validade às proposições acusatórias".
Já Ciro Nogueira diz que a acusação não traça "quaisquer dados, provas,
elementos idôneos específicos". A defesa de Eduardo da Fonte sustenta
que a acusação é "manifestamente abusiva".
Notícias ao Minuto com informações do jornal O
Estado de S. Paulo
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