Moçambique tem 128 mil pessoas em abrigos e corre risco de epidemias após passagem de ciclone
A Cruz Vermelha anunciou na sexta-feira (22) os primeiros casos de cólera em Moçambique, mas a ONU e o governo de Maputo indicaram que ainda não há casos registrados
© Reuters
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) -
Onze dias após a passagem do ciclone Idai, 128 mil pessoas estão em
abrigos improvisados em Moçambique, segundo o governo. No país, as
estradas que estavam bloqueadas começam a ser reabertas. O número de
mortos no país segue em 447, mas as equipes de resgate esperam encontrar
mais vítimas em áreas que estavam isoladas.
O ciclone Idai atingiu a cidade portuária de Beira, em
Moçambique, com ventos de até 170 km/h na madrugada de 14 de março, e
depois seguiu para o Zimbábue e o Maláui. Depois dos ventos, houve
vários dias de tempestade.
Ao menos 657 pessoas morreram nos três países, segundo a agência Reuters. O
número de pessoas em abrigos improvisados aumentou de 18 mil no domingo
(24) para 128 mil na segunda-feira (25), a maioria delas na região de
Beira.
Comunidades cerca de Nhamatanda, 100 km ao noroeste de
Beira, receberão ajuda pela primeira vez nesta segunda, de acordo
com Celso Correia, ministro da Terra e Meio Ambiente de Moçambique. As
inundações geradas pela chuva destruíram estradas e bloquearam as
chegadas de comida e ajuda para as áreas afetadas.
"Estamos
mais organizados agora, depois do caos que tivemos. Entregaremos comida
para mais pessoas hoje", disse Correia. Em Beira, os sobreviventes
buscam alimentos e roupas, enquanto a Cruz Vermelha tenta reunir os
membros de famílias separadas. A cidade de 500 mil habitantes continua
sem energia elétrica em algumas regiões, o que dificulta o atendimento
nos hospitais. As equipes de emergência conseguiram concluir as obras de
reparo na única rodovia de acesso à cidade, que foi parcialmente
arrasada pelas águas.
RISCO DE EPIDEMIAS
As pessoas que
sobreviveram ao ciclone agora terão de se proteger de uma possível
epidemia de doenças transmitidas pela água, em particular a cólera, que
pode afetar centenas de milhares de pessoas. "É inevitável que apareçam
casos de cólera e malária", disse o ministro Correia, que anunciou a
criação de um centro de tratamento de cólera.
A Cruz Vermelha
anunciou na sexta-feira (22) os primeiros casos de cólera em Moçambique,
mas a ONU e o governo de Maputo indicaram que ainda não há casos
registrados. "Teremos doenças transmissíveis pela água", advertiu
Sebastian Rhodes-Stampa, do OCHA (Escritório das Nações Unidas para a
Coordenação de Assuntos Humanitários).
"Mas com centros instalados, seremos capazes de administrar a
situação", completou. Outras doenças que podem se espalhar pela região
são dengue, zika e leptospirose. Apesar das dificuldades, a população
tenta retomar a vida normal. Os sobreviventes iniciaram a reconstrução
das casas com os poucos recursos à disposição. A catedral Ponta Gea,
que escapou ilesa da tempestade, recebeu neste domingo uma missa em
homenagem às vítimas.
Mundo ao Minuto
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