Juntamente com Temer, mais cinco detidos serão soltos por determinação de desembargador
Para Antonio Ivan Athié, do TRF-2, prisão de ex-presidente pela Lava Jato não observou "garantias constitucionais"
© Beto Barata/PR
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) -
A Justiça mandou soltar nesta segunda-feira (25) o ex-presidente Michel
Temer (MDB) e o ex-ministro Moreira Franco, presos na última
quinta-feira (21) a pedido do juiz Marcelo Bretas, da Operação Lava Jato
no Rio.
A prisão preventiva dos emedebistas foi revogada pelo
desembargador Antonio Ivan Athié, do Tribunal Regional Federal da 2ª
Região.
A decisão de Athié também revoga a prisão preventiva do
coronel João Baptista Lima Filho, amigo de Temer, e outros cinco detidos
na operação de quinta-feira.
O desembargador do TRF-2 havia convocado para esta quarta-feira (27) o julgamento do pedido de habeas corpus do ex-presidente.
"Ao
examinar o caso, verifiquei que não se justifica aguardar mais dois
dias para decisão, ora proferida e ainda que provisória, eis que em
questão a liberdade. Assim, os habeas corpus que foram incluídos na
pauta da próxima sessão, ficam dela retirados", escreve Athié em sua
decisão.
Ele afirma não ser contra a Operação Lava Jato, mas fala em "observância das garantias constitucionais".
"Ressalto
que não sou contra a chamada Lava Jato, ao contrário, também quero ver
nosso país livre da corrupção que o assola. Todavia, sem observância das
garantias constitucionais, asseguradas a todos, inclusive aos que a
renegam aos outros, com violação de regras não há legitimidade no
combate a essa praga."
No pedido de prisão preventiva, Bretas usa
por 19 vezes o verbo "parecer", no sentido de dúvida ou incerteza. O
juiz menciona outras justificativas para a prisão preventiva que
aparecem no Código de Processo Penal, mas não diz como esses fatos
teriam ocorrido com Temer.
Para o desembargador Athié, o que se tem até o momento "são suposições de fatos antigos".
"Entretanto,
os fatos que, de início na decisão se lhe "pareciam", viraram grande
probabilidade. Todavia, mesmo que se admita existirem indícios que podem
incriminar os envolvidos, não servem para justificar prisão
preventiva."
A prisão de Temer está relacionada com a delação de
José Antunes Sobrinho, sócio da empreiteira Engevix. De acordo com ele,
Moreira Franco ajudou a viabilizar repasses ilícitos para o MDB na
campanha de 2014. Segundo o Ministério Público Federal, a Engevix pagou
R$ 1 milhão em propina no fim daquele ano a uma empresa controlada pelo
coronel João Baptista Lima Filho, amigo de Temer.
O Ministério
Público Federal afirmou que chega a R$ 1,8 bilhão o montante de propinas
solicitadas, pagas ou desviadas pelo grupo de Temer, que age há 40
anos, segundo a Procuradoria.
A posição hierárquica de
vice-presidente e depois presidente permite concluir "que Michel Temer é
o líder da organização criminosa a que me referi", escreveu o
juiz Bretas no pedido de prisão.
A prisão ocorreu 79 dias depois
de o emedebista deixar a Presidência. Temer, 78, é o segundo presidente a
ser preso após investigação na esfera penal -o primeiro foi Luiz Inácio
Lula da Silva.
Vice de Dilma Rousseff (PT), Temer assumiu a Presidência em 2016
após o impeachment da petista e deixou o governo em dezembro como o
presidente mais impopular desde o fim do regime militar.
Notícias ao Minuto
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