O problema está no bolso: Em cada dez trabalhadores brasileiros, oito têm dívidas
Ansiedade,
dor de cabeça, insônia, estresse. Parece até sintoma de que alguma
coisa não vai muito bem no organismo, mas, na verdade, o problema está
no bolso. Segundo uma pesquisa da Associação Brasileira de Educadores
Financeiros (ABEFIN), oito em cada dez trabalhadores brasileiros vivem
algum problema financeiro.
No geral, a metade ganha o suficiente,
mas não sobra nada, enquanto 32% gasta tudo e ainda recorrem ao crédito.
E só 18% conseguem pagar as contas e guardar algum valor. Até aí, a
gente sabe que em tempos de crise, a saúde do orçamento do trabalhador
não vai bem. Mas o que chamou atenção no levantamento que é que as
dívidas do funcionário não é mais uma preocupação que ele deixou em
casa.
“Esse, sem dúvida, é aquele trabalhador desmotivado, sem
sonhos. Essa situação impacta diretamente no rendimento, pois esse
funcionário não conseguirá focar a atenção no trabalho, invariavelmente
irá receber ligações de cobradores, fazendo com que fique mais
estressado”, pontua o presidente da ABEFIN, Reinaldo Domingos.
E
as empresas já estão começando a entender isso. A Nutricash, por
exemplo, além de palestras de educação financeira, investiu em
consultoria, elaboração de kit poupança para os filhos dos funcionários e
distribuição de cofrinhos. “Um funcionário endividado traz transtornos
para a empresa e então despertamos para o tema. Dos 80 funcionários que
nós temos em Salvador, 24 deles se inscreveram para a consultoria com o
educador financeiro”, afirma o coordenador de marketing da Nuricash,
Marcelo Gonçalves.
Luz no fim do túnel
No
entanto, sair das dívidas não é tarefa fácil. Antes de bater a meta e
organizar as finanças, a funcionária pública Mariana Mota conheceu muito
bem o desânimo de trabalhar 44 horas por semana e buscar uma
complementação extra na renda só para pagar conta. “A pressão sobe, você
vai ao médico e ele diz que você precisa desestressar. Mas como, numa
situação dessas? Você conta os dias para o dinheiro cair na conta e
quanto ele chega o que sobra é déficit”.
O nome do problema de
Mariana se chama empréstimo consignado. Os três que teve que contratar
comprometeram metade do salário. “É uma ginástica muito grande para você
manter o seu equilíbrio emocional quando está endividado. A lição que
fica é que a gente tem que usar aquilo que a gente tem. Por que esse
dinheiro que você pega vai ter que pagar, e com juros”, pontua.
Mariana
está fazendo bem o dever de casa, como afirma a economista do SPC
Brasil, Marcela Kawauti. Segundo dados do último Indicador de Propensão
ao Consumo divulgado pela entidade, apenas 13% dos consumidores estavam
com as contas no azul. “É preciso ter controle, organizar as contas.
Analisar se o padrão de vida está dentro do orçamento e a partir daí
fazer as mudanças e sair do aperto”, diz.
Para o diretor de dados e
pesquisas econômicas do GuiaBolso, Márcio Reis, diante do
endividamento, o quanto antes a pessoa tomar uma atitude, melhor.
“Estabeleça uma meta de economia que deve ser feita para o pagamento das
dívidas. Comece o pagamento pelas dívidas mais caras, aquelas que
possuem as maiores taxas de juros. São elas que fazem o bolo crescer”,
aconselha.
Correio 24 Horas

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