Polícia Federal chega a conclusão sobre depósitos feitos a agressor de Bolsonaro
![]() |
| Adélio Bispo de Oliveira, de 40 anos, responsável pelo ataque contra Jair Bolsonaro (PSL) – |
A
Polícia Federal afastou a suspeita de que Adélio Bispo de Oliveira, que
no último dia 6 tentou matar o candidato Jair Bolsonaro (PSL-RJ) em
Juiz de Fora (MG), tenha recebido pagamento em sua conta bancária para
executar o crime.
A investigação concluiu que o dinheiro
localizado com Adélio tem apenas “origem sustentável”, como uma rescisão
trabalhista por um emprego em Santa Catarina, e remuneração pelo
trabalho de garçom, pelo qual recebia cerca de R$ 70 por dia.
A
PF apurou que o cartão de crédito internacional encontrado em poder de
Adélio na verdade nunca foi utilizado e foi emitido automaticamente pelo
banco em uma conta-salário de outra empresa em que ele trabalhou.
A
PF também concluiu que o computador pessoal localizado com Oliveira não
era recente nem caro, ao contrário do propagado em redes sociais. O
aparelho era antigo e estava quebrado, tendo sido usado pela última vez
no ano passado. Dos quatros telefones celulares encontrados com
Oliveira, apenas dois estavam em atividade, e nenhum foi comprado nas
semanas anteriores ao crime.
Segundo outra conclusão da PF, em
razão dos acertos trabalhistas recentes Oliveira tinha condições
financeiras próprias de pagar adiantado R$ 400 por hospedagem numa
pensão em Juiz de Fora, onde ele disse que procurava emprego. Foi
apreendido com Oliveira um recibo que comprova o pagamento.
Também
foram investigadas todas as pessoas citadas em redes sociais como
supostos cúmplices que teriam repassado a faca a Oliveira no dia do
atentado. A PF descartou todas as informações, que eram falsas. Pelo
menos uma mulher inocente marcada em redes sociais foi perseguida,
recebeu ameaças e teve que procurar a PF para obter proteção.
A
opção de Oliveira por usar uma faca para tentar matar o presidenciável
pode ser explicada por outro aspecto da vida do preso levantado durante a
investigação da PF.
Em um açougue em que Oliveira trabalhou em
Curitiba (PR), a PF apurou que Oliveira era conhecido por manejar muito
bem facas. Normalmente um novo contratado recebia um “padrinho”,
responsável por tutelar o novo cortador de carnes. No caso de Oliveira, o
próprio açougue dispensou o uso do “padrinho”, ao constatar que ela
sabia usar as lâminas.
Oliveira também teria trabalhado como
sushiman, preparador de carnes de peixe em restaurantes japoneses, o que
também demanda um bom uso de facas.
Sobre a faca, um exame feito
por peritos criminais federais do INC (Instituto Nacional de
Criminalística) apontou traços de DNA de Bolsonaro na lâmina, de cerca
de 20 centímetros, o que confirma que a faca foi a mesma usada no crime.
Oliveira tinha a faca consigo muitos meses antes do crime.
Em um
dos três depoimentos que prestou à PF, Oliveira disse que decidiu
esfaquear Bolsonaro três dias antes da chegada do presidenciável a Juiz
de Fora e que soube que ele estaria na cidade porque viu um outdoor numa
rua da cidade. Ele afirmou ter feito uma fotografia do painel. Ao
analisar a memória do telefone celular de Oliveira, a PF de fato
encontrou a fotografia, tirada no mesmo dia indicado por Oliveira.
O
presidente do inquérito e também delegado regional de Combate ao Crime
Organizado da PF de Minas Gerais, Rodrigo Morais, informou que o
inquérito que trata do ato do crime em si deverá ser finalizado até a
próxima sexta-feira (28), mas ao mesmo tempo será aberto um novo
inquérito para investigar supostos mandantes ou pessoas que teriam
instigado o crime, ainda que não exista nenhuma indicação sobre isso até
o momento.
A PF adotou essa estratégia porque legalmente há um
prazo de 15 dias, renovável por mais 15 dias, para o final das
investigações. O primeiro prazo acabou na última sexta-feira (21),
quando a PF pediu mais duas semanas. O relatório final, contudo, deve
ser entregue uma semana antes.
Com o novo inquérito, a PF espera
aprofundar a investigação. “Não há como esgotar toda a análise de
conteúdo num prazo de 30 dias. Obtivemos uma farta informação em
computadores, mensagens de aplicativos, telefones. Tudo isso requer uma
análise mais acurada. Com o outro inquérito, vamos poder investigar sem
estarmos premidos pelo prazo do inquérito inicial”, disse Morais. No
material a ser analisado estão cinco discos rígidos apreendidos numa lan
house frequentada por Oliveira.
O primeiro inquérito será
relatado e entregue ao Ministério Público Federal, que pode ou não
oferecer a denúncia contra Oliveira. Ele foi indiciado pela PF por
infração ao artigo 20 da LSN (Lei de Segurança Nacional). Segundo a PF,
Oliveira confirmou em depoimento que agiu movido por razões políticas ou
religiosas, o que deu base ao enquadramento legal.
O artigo prevê
inicialmente pena de três a dez anos de reclusão, porém ela é aumentada
para de seis a 20 anos caso o crime envolva “lesão corporal grave”. O
artigo prevê o crime de “devastar, saquear, extorquir, roubar,
sequestrar, manter em cárcere privado, incendiar, depredar, provocar
explosão, praticar atentado pessoal ou atos de terrorismo, por
inconformismo político ou para obtenção de fundos destinados à
manutenção de organizações políticas clandestinas ou subversivas”.
Desde
o crime, a PF recebe e está averiguando as diversas informações e
teorias conspiratórias que circulam na internet e também tem recebido
outra parcela de “dicas” para averiguação. O delegado Morais disse que
todas as informações são levadas em conta e estão no radar da PF.
“Algumas são esdrúxulas e não merecem nem consideração. Outras vamos
olhar com mais atenção”, disse o delegado da PF.
Fonte: Folha - Publicado por: Amara Alcântara

Nenhum comentário:
Postar um comentário