Dezenove crianças brasileiras já foram reunidas aos pais nos Estados Unidos
Itamaraty informou que está acompanhando os processos de reunificação
© Reuters / Jose Luis Gonzalez
Pelo menos 19 crianças
brasileiras foram reunidas aos pais nas últimas duas semanas, depois de
terem sido separadas ao atravessarem a fronteira dos Estados Unidos,
segundo informou a assessoria de imprensa do Itamaraty, neste sábado
(21).
Ainda restam 30 menores do país nos abrigos mantidos pelo
governo americano - que, por ordem judicial, precisa reunificar todas as
famílias até a próxima quinta-feira (26).
A administração de Donald Trump adotou em abril uma política de tolerância zero à travessia ilegal da fronteira.
Ao
contrário do que ocorria no passado, os EUA passaram a denunciar
criminalmente os imigrantes pela prática. Os adultos, assim, são
encaminhados a presídios federais - e seus filhos, que não podem, por
lei, permanecer em prisões, são enviados a abrigos mantidos pelo
governo.
A separação das famílias provocou comoção internacional, e foi cessada por uma ordem executiva do presidente.
Em
nota enviada à Folha, o Itamaraty informou que está acompanhando os
processos de reunificação, e que mantém visitas regulares aos abrigos,
em contato com cada um dos menores.
O ministério também voltou a
rebater as afirmações do presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados
do Brasil), Claudio Lamachia, que considerou "inoperante e escandaloso"
o papel do governo brasileiro no caso.
Lamachia, que esteve nos
EUA recentemente e acompanhou o caso de um menino de sete anos detido em
Nova York, afirmou que o Itamaraty não constituiu advogado para o
trabalho específico de buscar o retorno das crianças que querem voltar
ao Brasil, algumas das quais estão detidas há mais de 50 dias.
O
Itamaraty disse que os processos de reunificação são de natureza
administrativa, e não exigem a atuação de um advogado. Nos casos em que
isso foi necessário, organizações que promovem representação pro bono
foram acionadas, e têm atuado em parceria com os consulados.
O
órgão ainda informou que os consulados brasileiros têm feito um
"acompanhamento atento" dos casos e auxiliam na juntada da documentação
exigida, assim como no contato com familiares e na intermediação entre
as partes.
"Desde a adoção da política de 'tolerância zero', o Itamaraty tem
feito chegar ao governo norte-americano, em diferentes momentos, seu
firme desagrado com uma prática que considera cruel e em franca violação
de instrumentos internacionais de proteção aos direitos das crianças",
afirmou a nota.
Notícias ao Minuto com informações da Folhapress
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