'O que temem que eu fale?', diz o ex-presidente Lula sobre proibição de entrevista
Ex-presidente escreveu para a Folha de S. Paulo, publicado nesta quinta-feira (19), em que reafirma candidatura, ataca governo Temer e critica a Justiça
© Ricardo Moraes / Reuters
O ex-presidente Luiz Inácio
Lula da Silva escreveu artigo para a Folha de S. Paulo, com o título
"Afaste de mim esse cale-se", divulgado nesta quinta-feira (19), em que
fala sobre os 100 dias desde a sua prisão.
"Estou preso há mais de cem dias. Lá fora o desemprego
aumenta, mais pais e mães não têm como sustentar suas famílias, e uma
política absurda de preço dos combustíveis causou uma greve de
caminhoneiros que desabasteceu as cidades brasileiras", escreveu o
petista.
Ele ocupa uma das celas da superintendência da Polícia
Federal, em Curitiba, desde o dia 7 de abril, após ter sido condenado
pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), a 12 anos e um mês
de prisão, pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, no caso do
triplex no Guarujá (SP).
No
texto, o ex-presidente também atacou o governo de Michel Temer. "Um
governo ilegítimo corre nos seus últimos meses para liquidar o máximo
possível do patrimônio e soberania nacional que conseguir — reservas do
pré-sal, gasodutos, distribuidoras de energia, petroquímica —, além de
abrir a Amazônia para tropas estrangeiras. Enquanto a fome volta, a
vacinação de crianças cai, parte do Judiciário luta para manter seu
auxílio-moradia e, quem sabe, ganhar um aumento salarial", criticou.
Ele
ainda falou sobre a proibição da juíza Carolina Lebbos, que o proibiu
de conceder entrevistas. "Não posso dar entrevistas ou gravar vídeos
como pré-candidato do Partido dos Trabalhadores, o maior deste país, que
me indicou para ser seu candidato à Presidência. Parece que não bastou
me prender. Querem me calar. Aqueles que não querem que eu fale, o que
vocês temem que eu diga?", questionou.
Lula voltou a afirmar que é pré-candidato à Presidência da República.
"Eu sou candidato porque não cometi nenhum crime. Desafio os que me
acusam a mostrar provas do que foi que eu fiz para estar nesta cela. Por
que falam em 'atos de ofício indeterminados' no lugar de apontar o que
eu fiz de errado? Por que falam em apartamento 'atribuído' em vez de
apresentar provas de propriedade do apartamento de Guarujá, que era de
uma empresa, dado como garantia bancária?", destacou o petista.
Política ao Minuto
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