Após confronto com desembargador, Moro diz que sempre agiu com 'absoluta transparência'
Juiz participou do Fórum Reconstrução do Brasil nesta quarta-feira (25)
© Rafael Marchante/Reuters
O juiz da 13a Vara Federal
de Curitiba, Sérgio Moro, titular da Operação Lava-Jato, disse que não
vê como seus métodos podem ser considerados reprováveis, ao comentar o
confronto de decisões com o desembargador Rogério Favreto, do Tribunal
Regional Federal da 4ª Região (TRF4) no início deste mês, sobre a
soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele participou nesta
quarta-feira (25) do Fórum Reconstrução do Brasil, promovido pelo
Jornal Estado de São Paulo, na capital paulista.
“Podem me acusar de muita coisa, mas eu sempre agi com absoluta transparência”, disse o juiz.
Moro,
ao tomar conhecimento da decisão de soltura do ex-presidente, mesmo
estando de recesso, disse que Favreto não tinha competência para liberar
Lula e pediu a manifestação do relator da Lava Jato em segunda
instância, desembargador Gebran Neto.
O magistrado foi questionado
sobre as ações durante as suas férias. “A imprensa vive questionando o
juiz, porque as férias são muito longas, com alguma razão. E quando o
juiz trabalha nas férias, também criticam”, declarou. Moro disse ainda
que já apresentou sua resposta, sem especificar detalhes, ao Conselho
Nacional de Justiça (CNJ), que o intimou a respeito do impasse na
soltura de Lula.
Moro negou que suas decisões sejam seletivas,
conforme alega o PT. Ele destacou a aplicação de penas a agentes
políticos de diversos partidos e considerou a crítica “profundamente
injusta”. “As minhas decisões são transparentes. Posso ter me
equivocado, nenhuma pessoa é perfeita. Mas sempre agi com a pretensão de
fazer o que era certo”, disse.
O juiz reforçou que defende a
execução da pena após condenação em segunda instância. Para ele, a
punição do corrupto gera receio em outros corruptos em potencial. “O
crime do colarinho branco é um crime racional. Se aumentam os riscos de
punição, há expectativa de que isso leve as pessoas a pensarem mais de
uma vez antes de se envolver em conduta similar”, disse o magistrado.
Para
Moro, somente a punição pelo Judiciário não resolve o problema. “São
necessárias políticas públicas mais gerais para diminuir a corrupção”,
defendeu. “Tem que haver reformas políticas para a prevenção do crime”.
Moro
determinou a prisão do ex-presidente Lula após condenação em segunda
instância pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do
triplex no Guarujá (SP). Desde então, o ex-presidente está na
Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Lula cumpre pena de 12
anos e um mês na carceragem da Superintendência da Polícia Federal em
Curitiba.
O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), segunda instância da
Justiça Federal, que impôs a pena ao ex-presidente, determinou a prisão
seguindo entendimento atual do Supremo Tribunal Federal (STF), que
permite a execução de pena mesmo que ainda haja possibilidade de recurso
a instâncias superiores.
Notícias ao Minuto com informações da Agência Brasil
Nenhum comentário:
Postar um comentário