Partidos vetam e Bolsonaro pode ter só 8 segundos no horário gratuito de rádio e TV
![]() |
| Foto: Dida Sampaio/Estadão |
O
pré-candidato do PSL ao Palácio do Planalto nas eleições 2018, deputado
Jair Bolsonaro (RJ), já se prepara para uma campanha solo após
tentativas frustradas de alianças partidárias. Em menos de 48 horas, ele
ouviu um “não” do PR, comandado pelo ex-deputado Valdemar Costa Neto
(SP), e do nanico PRP – legenda do general da reserva Augusto Heleno
Ribeiro, cotado até então para ser o vice na chapa.
Caso não
consiga romper o isolamento, Bolsonaro vai dispor de apenas 8 segundos
em cada bloco no horário gratuito de rádio e TV, a partir de 31 de
agosto.
Às vésperas de sua convenção partidária, no domingo, o
presidenciável poderá ser obrigado a formar uma chapa pura, caso opte
por dividir palanque com a advogada Janaina Paschoal – autora do pedido
de impeachment da ex-presidente petista Dilma Rousseff –, que se filiou
ao PSL em maio.
A campanha de Bolsonaro avalia também uma outra
aliança “nanica”, desta vez com o PRTB, que indicaria como vice o
recém-filiado general da reserva Hamilton Mourão.
O deputado
lidera as pesquisas de intenção de voto nos cenários sem a presença do
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Operação
Lava Jato. Apesar da posição privilegiada na disputa presidencial e da
longa carreira de parlamentar – ele está na Câmara há 27 anos, no sétimo
mandato consecutivo –, Bolsonaro enfrenta grande dificuldade para
fechar acordos com outras siglas.
Analistas políticos ouvidos pelo Estado avaliam que sua candidatura é considerada “de alto risco” pelo sistema partidário.
Na
prática, o cálculo que vem sendo feito por líderes políticos é de que
Bolsonaro teria dificuldades de vencer a eleição no segundo turno. Nas
negociações, as legendas têm dado prioridade às candidaturas
proporcionais, para a formação de bancadas no Congresso.
Após o
PRP recusar a vice de Bolsonaro, o partido, que tem 4 segundos em cada
bloco no horário gratuito de rádio e TV, afirmou que eventual aliança
presidencial só será fechada se não atrapalhar a meta preconizada na
cláusula de desempenho – quantidade mínima de deputados que um partido
deve eleger para ter acesso ao Fundo Partidário e tempo no horário
eleitoral a partir das próximas eleições.
Para enfrentar a falta
de palanque eletrônico, a campanha do PSL já prevê uma estratégia que
envolve recursos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para usar o
direito de resposta no espaço dos concorrentes. A avaliação é de que
Bolsonaro será constantemente alvo de ataques. “Vamos jogar no
contra-ataque”, afirmou o deputado Luciano Bivar (PSL-PE), um dos
articuladores da campanha.
Bolsonaro queria Magno Malta como vice
O
senador Magno Malta (PR-ES) era o nome preferido de Bolsonaro para ser o
vice na chapa por atuar entre o eleitorado evangélico. Quando Malta
começou a dar demonstrações de que não aceitaria o convite, o
pré-candidato sugeriu que a “missão” ficaria a cargo do general Heleno. O
PRP, no entanto, brecou a aliança. Heleno informou ao partido que vai
se desfiliar para atuar na coordenação da campanha de Bolsonaro.
Ao
Estado, Janaina Pascoal afirmou nesta quarta-feira que não havia
recebido convite para ser vice. Mas não descartou a hipótese. “Se houver
um convite dessa envergadura, será necessária uma longa conversa para
amadurecer a ideia. Não tenho nenhuma pressa para uma definição. Penso
que o candidato deve ter todo o tempo possível para refletir.
Em
novembro, Bolsonaro disse ao Estado, em encontro numa casa de
representação dos deputados ruralistas em Brasília, que não se importava
com coligações. Ele tirou um aparelho celular do bolso e disse que não
precisava de espaço no rádio e na TV nem aliar-se a partidos
“corruptos”, segundo ele. A aposta era conquistar o eleitorado por meio
das redes sociais.
Nesta quarta-feira, em Fortaleza, o coordenador
econômico de Bolsonaro, Paulo Guedes, falou em recusa a “alianças
mercenárias”. “Ele não aceita este apoio parlamentar que venha na base
de alianças mercenárias. Da compra de voto no varejo. Do toma lá dá cá.
Isso está acontecendo. Aconteceu com o PRP”, disse Guedes.
Estadão

Nenhum comentário:
Postar um comentário