Paraíba é o quarto estado com maior índice de investigações em crimes eleitorais
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A
Paraíba está entre os estados com o maior índice de investigações por
crimes eleitorais no país, entre 2006 e 2016. Segundo uma reportagem
publicada nesse sábado (21) no jornal O Estado de São Paulo, durante o
período o estado só fica atrás de Roraima, Acre e Rio Grande do Norte em
número de inquéritos policiais por eleitor no Brasil. A maioria dos
procedimentos, segundo a matéria, se refere a compra de voto.
De
acordo com a publicação, a Paraíba tem a média de 7,34 inquéritos a cada
100 mil eleitores entre o período analisado. Roraima lidera o ranking
com 12,8, Acre aparece em segundo lugar com 10,3 e Rio Grade do Norte
fecha o pódio com 8,23.
Os números fazem parte de um levantamento
feito pelo Estado com base em relatórios da Polícia Federal obtidos por
meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). A reportagem comparou dados do
número de inquéritos de matéria eleitoral enviados pela Divisão de
Assuntos Sociais e Políticos (Dasp), da Polícia Federal, com a
quantidade de eleitores de cada um desses Estados.
Na década,
considerando apenas os pleitos nacionais, houve crescimento de 8,9% no
número de inquéritos: de 1.022 para 1.113. No Ceará e em Roraima, os
casos crescem ano a ano. No entanto, houve queda na quantidade de crimes
eleitorais referentes aos pleitos municipais. Ainda assim, foram
abertos 2.073 inquéritos em 2016 – ante 3.528 em 2008 (diminuição de
41,2%).
Procuradores eleitorais, delegados e presidentes dos
tribunais regionais eleitorais ouvidos pelo Estado apontam que esse tipo
de problema é impulsionado pela dependência que essas regiões têm em
relação a empregos relacionados à máquina pública. Roraima é o Estado
que mais registrou esse tipo de ocorrência – 12,9 por cada 100 mil
eleitores, em média, na década.
“De dez anos para cá o voto de
cabresto tem diminuído, mas ainda é um grande problema. A falta de
acesso a educação e profissionalização, e por consequência, postos de
trabalho, faz com que esses eleitores dependam muito de vínculos
políticos regionais”, disse o secretário judiciário do Tribunal Regional
Eleitoral da Paraíba, Helder Silva Barbosa.Segundo ele, houve uma
“institucionalização” do voto de cabresto em algumas regiões. “Prefeitos
ameaçam terceirizados ou dizem aos eleitores que as escolas vão fechar,
o vale gás não será mais concedido e aquele contrato terceirizado será
cancelado.”
Estados do Norte e Nordeste receberam reforço da Polícia Federal
Em
razão do número de casos registrados, Norte e Nordeste são as regiões
que mais receberam, na década, reforço da Polícia Federal no período
eleitoral, tanto no primeiro quanto no segundo turno das eleições,
segundo relatórios da PF. Dos oito Estados que pediram auxílio para a
realização do último pleito nacional em 2014, sete eram dessas regiões,
além do Distrito Federal.
Ainda assim, esses números podem
representar apenas parte do fenômeno, já que muitas denúncias não
resultam em inquérito. “A maior parte dos crimes eleitorais é de menor
potencial ofensivo, como boca de urna e, via de regra, não resulta em
inquérito policial. A apuração é feita em termo circunstanciado”, diz o
procurador regional eleitoral em Rondônia, Luiz Gustavo Mantovani.
Para
o professor de direito da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e
promotor de Justiça Tácito Yuri de Melo Barros, a crise econômica e a
forte dependência dos cargos públicos contribuem para que esse tipo de
crime seja comum nessas regiões.
“No Norte e no Nordeste essas
questões são mais acentuadas, pois têm a ver com as necessidades da
população. Às vezes a moeda de troca é ainda mais simples, nem sequer é
um bem durável, mas sim comida, um botijão de gás”, diz.
Para o
professor de Direito Eleitoral da FGV São Paulo e do Mackenzie, Diogo
Rais, uma das explicações pode estar na importância da eleição na vida
desses cidadãos. “Vive-se mais dentro da máquina pública do que em
outras regiões. Em cidades menores o risco é ainda maior.”
Estados criam mecanismos de prevenção
Estados
das regiões Norte e Nordeste e autoridades locais criaram mecanismos
para evitar crimes eleitorais como a compra de voto, além de elaborarem
campanhas de conscientização na população, mostrando as penalidades
previstas em lei.
Alagoas e Amapá, por exemplo, aprovaram na
última semana recomendações aos proprietários de postos de combustível:
só pode ser emitido vale-combustível para pessoas físicas ou jurídicas
mediante a formalização de um contrato prévio, que deve ser comunicado à
Procuradoria Regional Eleitoral 20 dias antes.
O documento também
pede o controle, por parte do posto, da quantidade de carros e motos
abastecidos, e também veta a realização de doação de combustível a
táxis, mototáxis e carros de placa vermelha. Trata-se de uma medida para
coibir a compra de voto em troca de combustível. Outra proposta, ainda
em discussão, é a de limitar saques em notas pequenas na semana da
eleição.
No Rio Grande do Norte, a procuradora regional eleitoral
Cibele Benevides emitiu recomendações que reforçam pontos já existentes
da legislação eleitoral. Uma delas é a instrução de que igrejas orientem
todos os seus líderes religiosos para evitar que façam qualquer tipo de
veiculação de propaganda eleitoral em cultos.
Em outra, o órgão
alerta para a possibilidade de responsabilizar os partidos em casos de
candidaturas “laranja” de mulheres para preencher a cota de gênero. O
Estado também vai “copiar” a recomendação sobre venda de combustível
posta em Alagoas e Amapá. “Muitas vezes não se sabe a consequência de
cometer esse tipo de crime. A recomendação vai neste sentido, de
educar”, diz a procuradora.
MaisPB com Estadão

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