Ministro Dias Toffoli nega pedido de Lula para tirar de Moro caso do sítio de Atibaia
Defesa alegava que o ex-presidente não poderia ser julgado pelos mesmos fatos em mais de uma jurisdição
© Valter Campanato/Agência Brasil
O ministro Dias Toffoli, do
Supremo Tribunal Federal (STF), negou reclamação com a qual a defesa do
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretendia retirar do juiz Sergio
Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, a ação penal sobre o sítio em
Atibaia (SP).
A reclamação foi autuada no sistema do STF na última quarta-feira
(2), e Toffoli foi escolhido relator por prevenção, por ter sido autor
do voto vencedor no julgamento da semana passada, em que a Segunda Turma
da Corte decidiu retirar das mãos de Moro as citações a Lula, nas
delações premiadas de executivos da empresa Odebrecht. As informações
são da Agência Brasil.
“A presente reclamação, neste exame
preliminar, ao pretender submeter diretamente ao controle do Supremo
Tribunal Federal a competência do juízo de primeiro grau para ações
penais em que o reclamante figura como réu, cujo substrato probatório
não foi objeto de exame na PET no 6.780, parece desbordar da regra da
aderência estrita do objeto do ato reclamado ao conteúdo da decisão
supostamente afrontada. Nesse contexto, por não vislumbrar
plausibilidade jurídica para sua concessão, indefiro o pedido de medida
liminar”, decidiu Toffoli.
Ao
negar o pedido, conforme o blog da Andréia Sadi, no portal G1, Toffoli
citou que a decisão de remeter depoimentos foi isolada e que a turma não
tirou a competência de Sérgio Moro para o tema.
“Dessa feita,
determinou-se o encaminhamento isolado de termos de depoimento que
originariamente instruíam procedimento em trâmite no Supremo Tribunal
Federal à Seção Judiciária de São Paulo, bem como que, em relação a
esses termos de depoimento – e não em relação a ações penais em curso em
primeiro grau - fossem oportunamente observadas as regras de fixação,
de modificação e de concentração de competência", afirmou o ministro.
Delação da Odebrecht
Nos
depoimentos, são mencionadas pelos delatores as reformas no sítio em
Atibaia, que o Ministério Público Federal (MPF) diz ter sido entregue a
Lula a título de propina, em troca do favorecimento de determinadas
empreiteiras em contratos com a Petrobras.
Após a decisão da
Segunda Turma, na semana passada, a defesa de Lula pediu a Moro que não
só a delação da Odebrecht, mas todo o processo sobre o sítio em Atibaia,
saísse das mãos dele. Entre os argumentos está o de que o ex-presidente
não poderia ser julgado pelos mesmos fatos em mais de uma jurisdição.
Moro negou o pedido, afirmando que o caso do sítio possui “outras
provas”, e por isso, por ora, deve permanecer em Curitiba. A decisão
levou a defesa de Lula a entrar com a reclamação no Supremo, com o
objetivo de garantir a transferência do processo para São Paulo, onde os
supostos crimes teriam ocorrido, ou para Brasília, onde o ex-presidente
atuava à época dos fatos.
Notícias ao Minuto
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