Mais de cinco mil pedidos de habeas corpus aguardam julgamento no Supremo Tribunal Federal
No
banco de dados do Supremo Tribunal Federal (STF) existem 5 mil e 38
habeas corpus em tramitação. Preso que pede soltura; estrangeiro expulso
do país pedindo para voltar; brasileiro preso lá fora pedindo para
entrar e ser julgado aqui; militantes que queriam para acompanhar
sessões no congresso; condenados que reivindicam redução da pena, outros
a revisão de tributos, dívidas. Tem quem peça a suspensão de processos.
Hoje muita coisa entra e a toda hora na corte como Habeas Corpus (HC)
Os que encerram a tramitação, vão para o arquivo.
Desses pedidos, vários já conseguiram liminar ou estão na fase de
recurso. 29 dos HCs não tiveram decisão alguma no STF ainda. 149 estão
prontos para análise, 21 no plenário.
Ao garantir um salvo conduto provisório ao ex-presidente Lula na
quinta-feira, o STF reconheceu a gravidade do caso alegando que ele
poderia ser preso na semana seguinte.
Nos pedidos que estão na fila, há casos de quem já está preso. Detido
num dos desdobramentos da Lava Jato no Rio, Jorge Picciani, por
exemplo, apresentou um pedido no fim de 2017. A liminar foi negada e o
mérito aguarda decisão da segunda turma. O ex-ministro da fazenda,
Antonio Palocci, condenado na primeira instância, também pede para ser
solto.
Para Melilo Diniz, cientista político e advogado do Instituto
Brasileiro de Direito e Controle da Administração Pública, o caso de
Lula pode acelerar alguns processos.
No Brasil, a igualdade formal ainda é algo a ser alcançado na
sociedade democrática. E o que aconteceu esta semana demonstra duas
questões. A primeira é que o STF está perdido sem pruma e sem rumo. A
segunda é que o caso Lula tomou essa dimensão porque a corte não
concluiu a polêmica em torno da prisão após a segunda instância. De todo
modo, isso pode ser algo que está espantando os brasileiros pelo
tratamento diferenciado, mas pode servir para evitar que milhares que
estão presos sem uma definição da justiça, possam ter sua situação
revista.
Os
ministros dizem que o a decisão provisória sobre Lula não foi
inusitada. O gabinete de Dias Tóffoli fez o levantamento e citou três
casos que, segundo ele, têm semelhanças com o do petista . Num deles,
uma avó que criava a neta morreu e até que os ministros decidissem de
forma definitiva a pensão, concederam uma liminar para que a menina não
ficasse sem recurso.
Outro caso é de um policial que teve suspenso por liminar o processo
penal. E o terceiro envolve uma ex-ministra da fazenda, Zélia Cardoso de
Melo. Na época estava na pauta do STF uma resolução sobre o foro
especial para ex-autoridades. E enquanto os ministros não se decidiam
sobre o foro, o caso dela ficou parado na corte e só desceu para a
primeira instância depois.
Fonte: CBN - Créditos: Raquel Miúra - Publicado por: Ivyna Souto

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