Com marcação reforçada, Seleção Brasileira encara o 'fantasma' da Alemanha
"O 7 a 1 é real. A gente carrega esse fantasminha todo o dia", enfim admitiu o técnico Tite
© REUTERS / Fabrizio Bensch
A seleção brasileira fará
nesta terça-feira (27) um exorcismo final antes da Copa do Mundo da
Rússia, mas ainda precisa convencer o fantasma do outro lado sobre
importância do ritual.
"O 7 a 1 é real. A gente carrega esse fantasminha todo o dia",
enfim admitiu o técnico Tite, ao comentar o amistoso contra a Alemanha,
em Berlim. Será o primeiro embate das duas equipes principais dos
países desde a semifinal da Copa de 2014.
Após passar dias
minimizando o peso do jogo, Tite disse que esse é o maior teste
psicológico e emocional do time que assumiu em 2016, antes do Mundial da
Rússia, que começa em junho.
Até
a única novidade tática do Brasil em relação à vitória por 3 a 0 contra
a Rússia na sexta (23), a entrada do volante Fernandinho para reforçar a
marcação, remete aos fantasmas de 2014.
Lá, também sem um
lesionado Neymar, o técnico Luiz Felipe Scolari resolveu deixar a defesa
desguarnecida e escalou Bernard para a vaga da estrela do time.
Atacante, então com 21 anos, conheceu o oblívio após o desastre.
Na
confortável posição de quem venceu o duelo do Mineirão em 2014, o
técnico Joachim Löw esnobou a situação. "Foi um bom jogo, mas só um
passo rumo à final [contra a Argentina]", disse.
"Claro, para o
Brasil é outra coisa, talvez haja um sentimento de revanche, mas também
não dá para voltar no tempo", afirmou Löw.
Já Tite diz que o 7 a 1 "te traz um componente que é inegável". "O sentimento de frustração é normal."
Ele
irá comandar a seleção pela 18ª vez nesta terça, contra nada menos que
160 jogos de Löw, à frente da Alemanha há quase 12 anos.
Com
vitória ou empate, o alemão completará uma série de 23 jogos invictos do
selecionado, quebrando um recorde mantido de 1978 a 1980.
Löw pode estar só escondendo o jogo, mas a escalação de seu time mostra ao menos bastante confiança.
Apenas dois egressos da semifinal, Boateng e Khedira, deverão jogar nesta terça.
"Foi um trauma para o Brasil, mas não é grande coisa" para o time hoje, disse o zagueiro Boateng.
Com efeito, o tema não pauta a imprensa local ou faz parte de qualquer ação publicitária do amistoso.
O
slogan da equipe alemã é "The Best Never Rest" (os melhores não
descansam, em inglês mesmo), com o algarismo romano V destacado no v em
"never", aludindo à busca pelo pentacampeonato.
"Quando acabou o
jogo [no Mineirão], não foi pena que sentimos, mas foi muito emocional.
Se fosse na Alemanha, seria a mesma coisa", completou o zagueiro.
A
Alemanha não terá algumas de suas estrelas mais experientes, como Özil e
Müller, dispensados para descansar após o empate com a Espanha na sexta
(23), e Kroos, que deve ficar no banco.
Mesmo sem eles e Neymar,
principal jogador brasileiro, afastado para recuperar-se de uma fratura
no dedo do pé direito, a expectativa é de que o Estádio Olímpico, com
capacidade de quase 75 mil torcedores, esteja lotado.
"É uma pena
que Neymar não vá jogar, porque ele está mais estável, volta para
defender, e isso é trabalho do treinador", disse Löw, que fez vários
elogios a Tite. Para ele, o Brasil é mais forte hoje do que em 2014.
Do time do 7 a 1, Marcelo, Paulinho, Willian e Fernandinho estavam em campo e jogarão nesta terça.
Volante
do Manchester City, Fernandinho entrará numa posição intermediária à
frente dos dois zagueiros, para tentar melhorar a marcação e também
elevar a qualidade do passe para o ataque.
Com isso, Philippe
Coutinho, que havia entrado contra a Rússia mais centralizado, será
deslocado para a ponta com Willian. Douglas Costa, que teve atuação
apagada contra os russos, sai do time titular.
"O Fernandinho tem
uma origem como articulador e jogou assim no City no ano passado", disse
Tite, demonstrando interesse no jogador não como o "ritmista" que ele
diz faltar ao time, mas alguém para dar mais velocidade à saída de bola.
Renato
Augusto seguirá na reserva, confirmando uma posição que parece estar se
cristalizando para a Copa –desde o começo da era Tite, o jogador era
parte central do esquema tático da seleção.
Mesmo nos testes pontuais a serem feitos nas substituições há alguma expectativa.
"Ederson
está crescendo, e traz pressão sobre o Alisson, o que é ótimo.
Fernandinho vai competir com o Paulinho, que compete com o Casemiro, que
compete com Coutinho. Willian também", disse Tite -este é o último jogo
antes da convocação para o Mundial da Rússia.
Com a entrada de
Fernandinho, o jogo verá um embate entre vários jogadores do Manchester
City, líder do Campeonato Inglês e um dos times mais badalados do mundo,
comandando por Pep Guardiola, técnico a quem Tite consultou sobre o
papel do volante.
Jogarão pela seleção brasileira Fernandinho e Gabriel Jesus; do lado alemão, Gündogan e Sané.
BRASIL
Alisson;
Daniel Alves, Thiago Silva, Miranda, Marcelo; Casemiro, Fernandinho,
Paulinho, Willian, Philippe Coutinho; Gabriel Jesus.
T.: Tite
ALEMANHA
Ter
Stegen (Trapp no segundo tempo), Rüdiger, Boateng, Ginter; Kimmich,
Gündogan, Khedira (Goretzka), Plattenhardt; Stindl, Werner, Sané.
T.: Joachim LowEstádio: Olímpico, em Berlim (Alemanha)
Horário: 15h45 desta terça-feira
Juiz: Jonas Eriksson (SUE)
Com informações da Folhapress.
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