Juiz aceita denúncia contra ex-tesoureiro do PT e outros 13 em Operação da Polícia Federal
Ministério Público aponta gestão fraudulenta de fundo de pensão

O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal em Brasília,
aceitou uma denúncia do Ministério Público e tornou réus 14 pessoas
investigadas na Operação Greenfield, que descobriu esquema de desvio em
fundos de pensão de empresas estatais, entre as quais ex-diretores da
Funcef (fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal),
ex-executivos da empreiteira Engevix e o ex-tesoureiro do PT João
Vaccari Neto, atualmente preso, em Curitiba, em razão da Operação Lava
Jato.
Na decisão, assinada no último dia 24 e divulgada nesta segunda-feira
(29), o magistrado considerou haver indícios suficientes de gestão
fraudulenta na Fundação dos Economiários Federais (Funcef), em favor de
negócios da empreiteira Engevix, também investigada na Operação Lava
Jato.
Segundo o Ministério Público Federal, entre setembro de 2009 e agosto
de 2010, foi aprovado um aporte de R$ 260,67 milhões da Funcef para a
Cevix Energias Renováveis S/A, ligada à Engevix, sem “observância dos
deveres de diligência” e com uso de documentos fraudulentos que
superestimavam o valor aportado por outra parceira do projeto, a
Desenvix.
Os valores foram investidos para obter participação acionária no
empreendimento, mas, segundo o MPF, houve “flagrante prejuízo” para a
Funcef de, no mínimo, R$ 402 milhões.
A mesma denúncia apontou participação do lobista Milton Pascowitch e do
ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto para garantir a conclusão dos
aportes da Funcef nos empreendimentos da Engevix, pedindo e recebendo
propina de R$ 5,5 milhões.
“Verifico que denúncia atende aos requisitos contidos no artigo 41 do
Código de Processo Penal, descrevendo de modo claro e objetivo os fatos
imputados aos denunciados”, escreveu o juiz na decisão, que tornou réus:
Demósthenes Marques, ex-diretor de Investimentos da Funcef
Guilherme Narciso de Lacerda, ex-diretor-presidente da Funcef
Luiz Philippe Peres Torelly, ex-diretor de Participações Societárias e Imobiliárias da Funcef
Antônio Bráulio de Carvalho, ex-diretor de Planejamento e Controladoria da Funcef
Geraldo Aparecido da Silva, ex-diretor de Benefícios, em exercício, da Funcef
Sérgio Francisco da Silva, ex-diretor de Administração da Funcef
Carlos Alberto Caser, ex-presidente da Diretoria Executiva da Funcef
José Carlos Alonso Gonçalves, ex-diretor de Benefícios da Funcef
Roberto Carlos Madoglio, ex-superintendente Nacional de Fundos de Investimentos Especiais da Caixa Econômica Federal
José Antunes Sobrinho, sócio da Engevix /Desenvix
Gerson de Mello Almada, ex-vice-Presidente da Engevix
Cristiano Kok, sócio da Engevix /Desenvix
Milton Pascowitch, lobista
João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT
Por meio de sua assessoria de imprensa, a Funcef informou que colabora
com o Ministério Público como assistente de acusação no processo,
auxiliando na identificação dos problemas. Informou que nenhum dos
atuais diretores foi citado na operação e que em abril instalou
comissões internas, compostas por funcionários da Caixa, para apuração
de irregularidades.
Até a última atualização desta reportagem, o G1 tentava contato com os demais acusados na denúncia.
A decisão dá início a um processo penal, no qual os acusados poderão se
defender, apresentar provas de sua inocência e pedir depoimento de
testemunhas que possam absolvê-los.
Não há prazo para a conclusão da ação penal, O caso ainda poderá ainda
ser rediscutida por meio de recursos junto a instâncias superiores.
G1
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