Juiz esvazia presídio e concede prisão domiciliar a 161 detentos em Roraima
A Justiça decidiu esvaziar um Centro de Progressão Penitenciária
(CPP) em Boa Vista, Roraima, e liberou para prisão domiciliar 161
detentos por considerar que o local era inseguro para os presos e para
os agentes que trabalham no local. A decisão leva em conta o massacre
ocorrido na Penitenciária Agrícola de Boa Vista (Pamc), que deixou ao
menos 33 mortos.
A medida foi solicitada pelo diretor do centro de progressão
penitenciária Wlisses Freitas da Silva, que pediu à Justiça local que
fossem tomadas providências devido à “impossibilidade de garantir a
segurança” dos presos e dos agentes penitenciários “Este estabelecimento
prisional passa por momentos tensos e de grande apreensão por conta dos
últimos acontecimentos”, escreveu o diretor. Ele informou a Justiça
sobre problemas como a falta de equipamentos e servidores para garantir a
segurança dos que ficam no local.
Todos os presos que foram beneficiados pela medida já estão no regime
semiaberto, com autorização para saída durante o dia para trabalhar.
“Assim, são presos que já se encontram em processo de reintegração
social”, entendeu o juiz da vara de execução penal Marcelo Lima de
Oliveira. O magistrado também destacou que os detentos receberam o
benefício da saída temporária de Natal, entre os dias 24 e 30 de
dezembro, e não houve relato de crimes cometidos pelos integrantes do
grupo neste período.
A decisão é de sábado. A partir deste domingo, 8, portanto, os presos
não precisam mais retornar ao centro de detenção para o pernoite. A
prisão domiciliar será válida até 13 de janeiro e os beneficiados pela
medida deverão permanecer dentro de suas casas após as 20h. Os presos
também não podem se mudar nem se ausentar de Boa Vista sem autorização
judicial, tampouco mudar de residência sem comunicar ao juiz. Eles
também ficam impedidos de frequentar bares ou casas noturnas e de portar
armas.
Na decisão pela prisão domiciliar, o juiz considerou que o problema
de segurança não está relacionado aos presos do local, mas sim a
“ameaças externas de facções criminosas”.”Ora, se a própria unidade
prisional destaca de forma veemente que não tem como resguardar a
segurança dos reeducandos e dos próprios agentes penitenciários, não é
possível a estes juízes fechar os olhos a tal realidade”, escreveu o
magistrado.
No relato à Justiça, o diretor do centro afirmou que há baixo número
de servidores e o plantão é feito por três ou quatro funcionários. Ele
fala ainda em falta de armamento adequado para “cessar algum tipo de
confronto” entre os presos. “Pois neste presídio não dispomos de
vigilância externa, nem muralhas ativadas por policiais militares,
coletes balísticos e armamentos suficientes para todos os agentes
penitenciários”, escreveu o diretor.
A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)
de Roraima também assinou requerimento apontando para a falta de
“mínima segurança” para os presos e para os agentes do local. Além do
juiz da Vara de Execuções Penais, a decisão é assinada também pela juíza
plantonista do local, Suelen Márcia Silva Alves.
Fonte: O dia

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