Maioria dos municípios não paga o piso salarial aos professores, diz Ministério da Educação e Cultura
Um
levantamento feito pelo Ministério da Educação mostra que a maior parte
dos municípios brasileiros não paga o piso salarial aos professores da
rede municipal. Entre os municípios de todos os estados, incluindo o
Distrito Federal, que enviaram os dados, 2.533 declararam que pagam um
salário aos professores de pelo menos o valor do piso nacional. Isso
representa 45% do total de 5.570 municípios brasileiros.
De
acordo com o MEC, os dados foram entregues pelos gestores municipais
por vontade própria, e são baseados na declaração de cada governo
municipal. O levantamento foi feito entre setembro e novembro de 2016.
Entre
os estados, os seguintes estados declaram cumprir a lei do piso em
novembro do ano passado: Acre, Alagoas, Amapá, Distrito Federal, Minas
Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pernambuco, Piauí,
Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Santa
Catarina, Sergipe e Tocantins.
Amazonas,
Ceará, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Pará, Rio Grande do Sul e
São Paulo não prestaram informações, segundo o MEC.
Reajuste
Na
quinta-feira (12), o ministro da Educação, Mendonça Filho, anunciou um
reajuste de 7,64% para o piso salarial do professor a partir de janeiro
de 2017. Com o aumento, o salário-base passa dos atuais R$ 2.135,64 para
R$ 2.298,80. O novo piso foi publicado no Diário Oficial da União desta
sexta-feira (13).
Segundo
a Confederação Nacional de Municípios (CNM), o impacto do reajuste
anunciado para este ano será de R$ 5 bilhões aos cofres municipais. A
entidade ressalta que, atualmente, os prefeitos comprometem, em média,
78,4% dos recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação
Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) apenas
com salários dos professores.
O
valor deve ser pago para docentes com formação de nível médio com
atuação em escolas públicas com 40 horas de trabalho semanais. Segundo a
pasta, o reajuste ficou 1,35% acima da inflação medida em 2016, que
fechou o ano em 6,29%.
Em
2016, o aumento foi de 11,36%, o que significou um ganho salarial de
0,69% acima da inflação. O reajuste deste ano foi o menor desde 2009. O
maior, de 22,22%, foi o de 2012.
Valor mínimo por aluno
Pela
regra atual, a correção do piso reflete a variação ocorrida no valor
anual mínimo por aluno definido nacionalmente pelo Fundo de Manutenção e
Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais
da Educação (Fundeb).
De
acordo com o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em
Educação (CNTE), Roberto Franklin de Leão, 14 estados não cumprem o piso
nacional da categoria estabelecido por lei.
Para contribuir com o cumprimento do piso, o governo federal repassa 10% do Fundeb para estados e municípios.
O
ministro da Educação informou que, a partir deste ano, o pagamento será
feito mensalmente. Antes, o governo tinha até abril do ano seguinte
para fazer o repasse.
“Vamos pagar mês a mês aquilo que seria pago só até abril de 2018”, disse.
MEC não tem poder de fiscalização
Em
nota, o MEC informou que sua missão é coordenar a política nacional de
educação e não possui prerrogativa para fiscalizar o cumprimento de leis
ou contratos estaduais ou municipais, especificamente sobre a lei do
piso.
“Esse
papel é próprio do Ministério Público Estadual, do Poder Legislativo
local e dos Tribunais de Contas Estaduais. Não há uma penalidade
específica para o não cumprimento da lei do piso. No entanto, pode haver
diligências dos órgãos de controle resultando em um Termo de Ajuste de
Conduta – TAC”, diz o texto.
G1

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