General admite que militares podem voltar ao poder “se as ruas pedirem”
Publicado por:
Carlos Rocha

O general da reserva Rômulo Bini
Pereira, ex-chefe do Estado Maior do ministério da Defesa, admitiu a
intervenção militar como saída para a crise política que envolve os três
Poderes da Republica.
Em artigo publicado na última quinta-feira (15) no jornal O Estado de S. Paulo,
o militar escreve: “Se o clamor popular alcançar relevância, as Forças
Armadas poderão ser chamadas a intervir, inclusive em defesa do Estado e
das instituições”.
Um dos mais influentes militares das gerações que
atuaram durante a ditadura militar, o general faz uma análise da
situação política brasileira, critica o Congresso Nacional e até o
governo. Segundo ele, a elite política empurra o Brasil para o brejo.
Sob o título de “Alertar é Preciso 2”, o artigo do
general diz que as Forças Armadas serão a “última trincheira defensiva
desta temível e indesejável ida para o brejo”. E conclui: “Não é
apologia ou invencionice. Por isso, repito: alertar é preciso”.
No longo artigo, o general faz uma análise da
situação política no Brasil e no Mundo. Critica o Congresso por ter
acrescentado punições ao Judiciário entra as medidas de combate à
corrupção propostas pelo Ministério Público.
Sem citar o nome, lembra que o presidente do
Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), é réu por peculato e afrontou uma
decisão de um ministro do Supremo que determinou seu afastamento do
cargo, por estar na linha sucessória presidencial. Também citou “um
grande número de parlamentares envolvidos em processos judiciais”.
Sobre o Judiciário, o general diz que a sociedade
ainda confia nos juízes de primeira instância, mas coloca em dúvida a
atuação dos tribunais superiores.
“Nas instâncias superiores o quadro é diferente”,
escreveu. Aproveitou para criticar o foro privilegiado, direito das
autoridades de serem julgadas exclusivamente pelo STF – o que, segundo
ele, acarreta sobrecarga e morosidade nos processos julgados pelo
Supremo. Diz que o Judiciário está contaminado pela política partidária.
General Bini considera ainda que o país enfrenta
uma “desgraça sem precedentes” e tenta profetizar: “É nesse cenário de
‘desgraças’ que as instituições maiores e seus integrantes deverão ter a
noção, a consciência e a sensibilidade de que o país poderá ingressar
numa situação de ingovernabilidade, que não atenderá mais aos anseios e
às expectativas da sociedade, tornando inexequível o regime democrático
vigente”. E insinua: “É um caso, portanto, a se pensar”.
Apologia é ‘ilegal’
Para o psiquiatra Paulo Sampaio, presidente do
Grupo Tortura Nunca Mais — organização que defende os direitos humanos
formada por ex-guerrilheiros que lutaram contra o regime militar e por
familiares e amigos dos mortos, desaparecidos e torturados políticos
durante o período –, os artigos do General são um desrespeito aos que
participaram dessa resistência.
“Acho um absurdo a imprensa que já auxiliou na
época da ditadura voltar a fazer isso sem o menor sentimento de pudor,
sem respeitar a dor dos outros. Muitos morreram, muitos foram
torturados. É como se nós não fossemos gente, todas as mulheres que
foram presas, torturadas e abusadas. A direita nunca aceitou a tentativa
de retorno à democracia”, denunciou.
Na opinião do advogado Lúcio França, o simples
posicionamento de um militar por uma nova intervenção é ilegal. “Isso é
totalmente inconstitucional, é um golpe. Eles não podem defender a
intervenção militar em um Estado Democrático de Direito, porque estariam
repetindo o que foi feito em 1964”, disse.
com Brasil de Fato - Fonte: Pragmatismo Político
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