Lei não é descumprida sem comando, e esse comando é da presidente, diz informante
Publicado por:
Ivyna Souto
Após
ser questionado pelo senador Lindbergh Farias (PT-RJ), o procurador
Júlio Marcelo de Oliveira afirmou que as irregularidades na área fiscal
foram comandadas pela presidente Dilma Rousseff, e que “o dolo grita nos
autos”.
Em tom exaltado, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que “se o
entendimento do TCU prevalecer, a economia brasileira vai ter sérios
problemas”, com ciclos de recessão.
“Falando em termos de política econômica, esse entendimento é uma
loucura. Os senhores estão na contramão do mundo, até o FMI (Fundo
Monetário Internacional) está falando de ajustes mais suaves no tempo”,
disse o petista. “Os senhores confundem tudo, o problema de 2015 não foi
despesa, foi queda na arrecadação de R$ 180 bilhões. O governo gastou
muito menos que estava previsto na Lei Orçamentária. Desculpa falar, mas
em termo de política econômica é de uma ignorância atroz.”
O procurador do TCU, Júlio Marcelo de Oliveira, afirmou que o
Tribunal de Contas apenas “propugna pelo cumprimento da lei e da
Constituição.”
“Cabe ao Congresso Nacional definir meta. Se definiu meta mais larga,
mais frouxa, mais flexível, terá essa liberdade. O que não pode é
estabelecer que meta a ser buscada é X e governo ser autorizado a buscar
outra meta ou não buscar nenhuma”, disse Oliveira.
Na sequência, Farias replicou afirmando que “os senhores querem destruir a Lei de Responsabilidade Fiscal.”
“Pela sua tese, 96% das despesas discricionárias teriam que ser
cortadas. Querem introduzir no Brasil o ‘shutdown’, o fechamento de
escolas, senhor informante. Os senhores querem destruir a Lei de
Responsabilidade Fiscal. Como pode dizer que há crime e pedaladas se não
há autoria da presidência da República?”, questionou o senador.
O procurador respondeu que “o TCU não quer nada” e que em sua opinião
“o dolo grita nos autos”. Para Oliveira, “esses fatos de descumprimento
da legislação com não pagamento das equalizações aos bancos não é feito
sem comando, e quem detém comando é a presidente da República.”
Folha de S. Paulo

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