quinta-feira, 14 de julho de 2016

Luto no cinema

Diretor de ‘Carandiru’ e ‘Pixote’, Hector Babenco morre aos 70 anos

Babenco
O cineasta Hector Babenco morreu após parada cardíaca na noite desta quarta-feira (13) em São Paulo. Nascido na Argentina, mas naturalizado brasileiro, Babenco tinha 70 anos e havia sido indicado ao Oscar de melhor diretor pelo filme “O beijo da mulher aranha”, de 1985. Também dirigiu clássicos como “Pixote” (1982) e “Lúcio Flavio, o passageiro da agonia” (1977).
Ele estava internado no Hospital Sírio Libanês desde terça para tratar uma sinusite, segundo sua filha, a fotógrafa Janka Babenco. “Ele já estava com o corpo cansado e teve a parada cardiorrespiratória. Foi tudo muito simples, muito básico”, disse Janka.
Ela afirmou que Babenco, como pai, era “lindo”, “o melhor de todos”. “Ele já tinha cumprido sua carreira de 40 anos. Faz parte da história de cinema desse país”, completou Janka.
Além de Janka, Babenco deixa mais uma filha, dois netos e a esposa, a atriz Bárbara Paz, com quem era casado desde 2010.
O velório será nesta sexta-feira (15), na Cinemateca, em São Paulo, das 10h às 15h. Depois disso, o corpo do cineasta será cremado no cemitério Horto da Paz, em Itapecerica da Serra, em uma cerimônia apenas para familiares e amigos.
Carreira no Brasil
Babenco nasceu na Argentina em 1946 e se naturalizou brasileiro em 1977. Fez aqui uma carreira com filmes de peso, como “Carandiru”.
O primeiro longa-metragem do cineasta foi “O rei da noite” (1975). Estrelado por Paulo José e Marilia Pêra, o longa mostra a história de Tertuliano, narrada por ele mesmo, desde sua infância até a velhice.
Nascido em uma família paulistana tradicional, mas já arruinada, Tertuliano tem de conviver com a doença mental do pai, o ocaso familiar e uma série de casos amorosos.
Indicação ao Oscar
Um dos principais trabalhos de Babenco é “O beijo da Mulher-Aranha” (1985), pelo qual foi indicado ao Oscar de melhor diretor. O longa rendeu a estatueta de melhor ator para William Hurt e concorreu também nas categorias de roteiro adaptado e de melhor filme. Sônia Braga e Raul Julia (“Família Adams”) também estavam no elenco.
Baseada no livro homônimo de Manuel Puig, a história se passa num presídio de um país latino-americano, em que um militante de esquerda e um homossexual dividem uma cela.
Outro clássico de Babenco é o filme “Pixote, a lei do mais fraco” (1982), que conta a história de um garoto que faz parte de um grupo de crianças de rua. Após sofrer muito em um reformatório, ele faz aliança com uma prostituta, interpretada por Marília Pera.
Na vida real, “Pixote” terminou em tragédia. O ator Fernando Ramos da Silva, que interpretou o protagonista do filme, acabou não seguindo carreira. Sete anos após o lançamento do filme, foi assassinado por policiais em São Paulo.
Última obra
Babenco havia realizado um transplante de medula nos anos 1990 para tratar um linfoma linfático, experiência que resultou no filme autobiográfico “Meu Amigo Hindu” (2015), sobre um diretor chamado Diego, que descobre um câncer em estado terminal. Quando confrontado pela Morte (Selton Mello), ele expressa só um desejo: realizar mais um filme.
Último filme de Babenco, “Meu Amigo Hindu” tem como ator principal Willem Dafoe. Babenco falou ao Fantástico sobre o filme. Veja abaixo
O título do filme é uma referência a um garoto indiano que Diego conhece nos Estados Unidos, que também passa por tratamento, e com quem o protagonista encontra uma saída lúdica para enfrentar a doença.
G1

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