Sítio usado por Lula em Atibaia, interior de São Paulo, será fiscalizado por reforma
O sítio usado 111 vezes pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
em Atibaia, interior de São Paulo, será alvo de uma fiscalização do
governo paulista por suspeita de irregularidades ambientais na reforma
da propriedade, que começou no final de 2010. Imagens de satélite
indicam que as obras de ampliação do imóvel chegaram ao lago do sítio,
um dos locais preferidos do ex-presidente, que tem a pescaria como
principal hobby.
Pelas imagens é possível identificar que o reservatório foi esvaziado
em junho de 2012 e, em dois meses, uma estrutura em uma das bordas do
lago, que parece ser um píer, foi construída. Há suspeitas de que o lago
tenha sido aumentado.
Um documento apreendido pela Lava-Jato mostra que o sítio Santa
Bárbara tem uma parte dos seus 173 mil metros quadrados em Área de
Preservação Permanente (APP). Nesses casos, a legislação determina que
intervenções em locais com nascentes e cursos d’água, mesmo dentro de
propriedades privadas, só podem ser feitas mediante autorização dos
órgãos ambientais competentes porque é preciso preservar a vegetação no
entorno de recursos hídricos. Em São Paulo, os órgãos são a Companhia de
Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) e o Departamento de Águas e
Energia Elétrica de São Paulo (Daee).
O Daee, após consulta do GLOBO na sexta-feira, informou que não
recebeu desde 2010, quando a propriedade foi comprada por dois sócios de
um dos filhos de Lula, nenhum pedido de autorização referente ao uso da
água do lago para qualquer finalidade. Há rumores de que um tanque de
peixes tenha sido construído no sítio. O órgão comunicou que fará uma
fiscalização no local nos próximos dias.
A reportagem apurou junto à Cetesb que, no mesmo período, não houve
solicitação dos proprietários do sítio Santa Bárbara para modificações
na estrutura do lago.
O sítio pertence a Fernando Bittar e Jonas Leite Suassuna Filho e é
investigado pela Lava-Jato e o Ministério Público de São Paulo porque
teria passado por reformas custeadas pelas empreiteiras OAS e Odebrecht
como um agrado ao ex-presidente. Relatórios de viagem da Presidência da
República foram divulgados esta semana pela revista “Época” e mostraram
que Lula viajou 111 vezes a Atibaia entre 2012 e janeiro deste ano. A
mulher do ex-presidente, Marisa Letícia, comprou até um barco de R$ 4,1
mil em São Paulo e mandou entregá-lo no endereço do sítio, segundo
revelou o jornal “Folha de S.Paulo” no sábado.
Antes de Suassuna e Bittar comprarem a propriedade, o local pertencia
a Adalton Santarelli. Um antigo parente dele diz ter certeza, pelas
imagens do sítio divulgadas pela imprensa após a reforma, que houve uma
obra para ampliação do lago. A família foi dona do local entre 2002 e
2010.
Antes de receber as constantes visitas de Lula, o sítio era
frequentado por moradores do Bairro Portão e do Clube da Montanha, áreas
vizinhas. Um engenheiro que mora na região contou ao GLOBO que sabia da
existência do lago pelo menos desde 2000.
— É muito comum o pessoal fazer lagos com água de nascente aqui na
região — disse o engenheiro, que pediu para não ser identificado.
O GLOBO procurou o advogado de Bittar e Suassuna, Roberto Teixeira,
mas ele não retornou. O Instituto Lula também não se manifestou.
G1
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