Procuradoria vê indício de fraude em assinaturas de Neymar em contratos
As
assinaturas aparecem em documentos teoricamente firmados na mesma data
e, como diferem entre si, levaram os investigadores a suspeitar que ao
menos um tenha sido assinado com data retroativa – o que é ilegal.
Além disso, nenhuma delas corresponde à firma do jogador do Barcelona registrada em um cartório de Santos.
Investigadores acreditam que as fraudes começaram no momento em que Neymar começou a se destacar e ganhar importância no Santos.
Para
eles, o pai do jogador, Neymar Santos, que também é seu empresário,
percebeu que havia uma série de lacunas contábeis na forma como
gerenciava a carreira do filho.
De
acordo com os investigadores, para tentar solucionar esses problemas,
ele passou a “fabricar” contratos que não existiam antes, colocando
assinaturas em documentos com datas passadas.
Na
última quarta (28), Neymar e dois dirigentes do Barcelona foram
acusados pelo Ministério Público Federal de terem praticado seis vezes o
crime de falsidade ideológica e três de sonegação.
Seu pai, apontado na denúncia como “mentor” do esquema, foi acusado por 21 crimes de sonegação e 12 de falsidade, entre 2006 e 2013.
De
acordo com a acusação, pai e filho criaram três empresas de fachada
–Neymar Sport & Marketing, N&N Consultoria e a N&N
Administração de Bens– para pagar menos impostos.
Ao
concentrar seus ganhos nas empresas, que a Procuradoria afirma não
terem capacidade operacional e nem funcionários, Neymar conseguiu pagar
menos da metade da alíquota de 27,5% de imposto de renda de pessoa
física.
A
estratégia para burlar o fisco, de acordo com a denúncia, envolveu o
período em que o atleta jogou no Santos por meio do recebimento de
direitos de imagem para mascarar ganhos fixos que, na verdade, seriam
salários (rendimentos tributáveis).
Segundo
a revista “Veja”, Neymar recebeu R$ 43,78 milhões do Santos entre 2010 e
2013. Sendo R$ 8,1 milhões como salários e todo o resto em direitos de
imagem.
Nessa engenharia, deixou rastros das ilegalidades, como as assinaturas diferentes.
Nesta quarta (3), advogados do atacante pediram à Justiça Federal de Santos que rejeite a denúncia do Ministério Público.
A
petição dos advogados não aborda o mérito das acusações, mas alega que a
denúncia foi apresentada no momento errado porque o caso está em
discussão na esfera administrativa.
A
expectativa é de que, ainda nesta semana, o juiz Mateus Castelo Branco,
da 5ª Vara da Justiça Federal de Santos, tome alguma decisão sobre o
assunto, aceitando ou rejeitando as acusações do procurador. Se aceitar,
os quatro acusados vão virar réus na Justiça. Caso contrário, o
Ministério Público ainda poderá recorrer.
OUTRO LADO
A Folha tentou falar com a assessoria de imprensa de Neymar, mas não houve resposta na noite desta quarta.
Em
nota, ele e o pai questionam a denúncia da Procuradoria e negam que as
empresas sejam de fachada. O texto não trata da acusação de falsidade
ideológica.
Uol

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