FORTUNA DAS 62 PESSOAS MAIS RICAS NO MUNDO EQUIVALE A DINHEIRO DA METADE DA HUMANIDADE
Documento alerta que concentração vem aumentando drasticamente desde 2010; antes eram 388 indivíduos com a mesma proporção da riqueza de 3,5 bi de pessoas
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| O rendimento médio anual dos 10% mais pobres aumentou em menos de US$ 3 em quase um quarto de século – isso significa que a renda diária cresceu em menos de um centavo a cada ano (Foto: Getty Images) |
Um novo documento mostra que 62 pessoas no mundo possuem riqueza equivalente a 3,5 bilhões de indivíduos – ou seja, metade da humanidade. Mais: a parcela de 1% mais rica da população tem mais dinheiro do que todo o resto do mundo junto. Os números são da Oxfam, confederação de ONGs presente em 94 países, incluindo o Brasil.
Os dados serão apresentados no Fórum Econômico Mundial,
em Davos, nesta quarta-feira (20/01), com o objetivo de chamar atenção
para o abismo entre ricos e pobres, que chegando a novos extremos. O
documento alerta que a concentração de dinheiro vem aumentando
drasticamente desde 2010. No início da década, eram 388 indivíduos com a
mesma proporção da riqueza de 3,5 bilhões de pessoas.
Segundo a Oxfam, a fortuna das 62 pessoas mais ricas do mundo cresceu
44% nos cinco anos desde 2010. É um aumento de mais de meio trilhão de
dólares, para US$ 1,76 trilhão. No mesmo período, as riquezas da metade
da população mais afetada pela pobreza caíram em pouco mais de um
trilhão de dólares, 41%.
Desde a virada do século, a metade mais pobre ficou com apenas 1% do
aumento total da riqueza global. Considerando somente os 10% mais
pobres, o rendimento médio anual aumentou em menos de US$ 3 em quase um
quarto de século – isso significa que a renda diária cresceu em menos de
um centavo a cada ano.
“A crescente desigualdade econômica é ruim para todos, pois mina o
crescimento e a coesão social. No entanto, as consequências para as
pessoas mais afetadas pela pobreza no mundo são particularmente graves”,
diz o estudo, intitulado de “Uma Economia para 1% da População
Mundial”. O texto apresenta novas evidências de uma crise de
desigualdade que, na avaliação da Oxfam, “saiu do controle”.
No que se refere a mudanças climáticas, a entidade também demonstrou
recentemente que a metade mais pobre da população mundial é responsável
por somente cerca de 10% de todas as emissões globais de gases do efeito
estufa. O gasto médio de CO2 da parcela de 1% dos mais ricos pode ser
até 175 vezes mais intenso.
Gênero e trabalho
O documento revela que, no setor de vestuário, muitas empresas usam sua
posição dominante no mercado para continuar pagando salários
miseráveis. Entre 2001 e 2011, os salários do setor na maioria dos 15
países que mais exportam artigos dessa categoria caíram em termos reais.
“A aceitabilidade do pagamento de salários mais baixos a mulheres tem
sido descrita como um fator essencial para aumentar o lucro dessas
empresas.”
Enquanto isso, os ganhos dos diretores executivos das maiores
companhias dos EUA cresceram mais da metade desde 2009, enquanto os dos
trabalhadores permaneceram quase inalterados. A desigualdade também é de
gênero. Mulheres ocupam apenas 24 dos cargos de diretoria executiva das
empresas listadas na Fortune 500. Vale destacar: 53 das 62 pessoas mais
ricas do mundo são homens.
Combate
Para a organização, apesar de o número de pessoas que vivem abaixo da
linha de extrema pobreza ter caído pela metade entre 1990 e 2010, o dado
não revela uma solução para o problema da fome mundial a caminho –
ainda é preciso contornar a desigualdade. “Se a distância entre ricos e
pobres dentro dos países não tivesse aumentado no decorrer desse
período, outros 200 milhões de pessoas teriam saído da pobreza”, diz o
texto documento.
A Oxfam vai apelar às lideranças no Fórum Econômico Mundial para que
tomem medidas com interesse efetivo em por fim à crise da desigualdade.
Como uma questão prioritária, vai sugerir um acordo entre os países para
por fim à era dos paraísos fiscais.
Entre as outras sugestões, estão garantir o pagamento de melhores
salários, promover a igualdade econômica das mulheres, estabelecer
registros obrigatórios de atividades de lobby, separar empresas do
financiamento de campanhas e priorizar políticas, práticas e gastos que
aumentem o financiamento de sistemas públicos de saúde e educação.
“Desde aumentos no salário mínimo a medidas para regular mais
eficazmente a evasão fiscal, há muito que os formuladores de políticas
podem fazer para atenuar esse cenário e começar a construir uma economia
humana que beneficie a todos”, diz Katia Maia, diretora da Oxfam
Brasil, em comunicado.
Época Negócios

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