Lula pede para não depor nas ações penais que investigam venda de MPs
Lula foi arrolado como testemunha do réu Alexandre Paes dos Santos, lobista que teria atuado de forma ilegal na aprovação da Medida Provisória (MP) 471 de 2009
| O depoimento está marcado para ocorrer na próxima segunda (25), em Brasília (Foto: Divulgação) |
A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou
nesta sexta-feira (22), em audiência da 10ª Vara Federal do Distrito
Federal, pedido para que a defesa de um dos réus da Operação Zelotes
desista de exigir depoimento do petista na ação penal que investiga
venda de medidas provisórias. O depoimento está marcado para ocorrer na
próxima segunda (25), em Brasília.
Lula foi arrolado como testemunha do réu Alexandre Paes dos Santos,
lobista que teria atuado de forma ilegal na aprovação da Medida
Provisória (MP) 471 de 2009, que prorrogou por cinco anos benefícios
tributários ao setor automotivo.
Os advogados de Lula argumentaram que o ex-presidente já falou tudo o
que sabe sobre o caso em depoimento anterior, do dia 6 janeiro, na
Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
Na ocasião, ele foi ouvido pela força-tarefa da Operação Zelotes na condição de
colaborador. Segundo a assessoria do Instituto Lula, ele depôs como informante, não como investigado nem testemunha.
O advogado Marcelo Leal, que representa o réu Alexandre Paes dos
Santos, disse que analisaria o depoimento dado por Lula para decidir se o
dispensa ou não. “Se a acusação contra o meu cliente é de compra e
venda de uma MP editada no governo Lula, e se a lei diz que a edição de
medida provisória é prerrogativa do presidente da República, é natural
que a defesa queira ouvi-lo”, afirmou.
O advogado destacou que insistirá em ouvir Lula se o depoimento dado
por ele à Polícia Federal for inconsistente. “Se o depoimento não me
servir, vou insistir na oitiva. Vou brigar por cada centímetro de
direito do meu cliente”, afirmou.
A Operação Zelotes investiga a suspeita de negociação da MP 471, de
2009, e da MP 512, de 2010, as duas editadas no governo Luiz Inácio Lula
da Silva. A outra medida provisória investigada é da gestão Dilma
Rousseff, a MP 627, de 2013. Já foram denunciados 15 réus suspeitos de
participar da negociação, a maioria lobistas e empresários que
defenderiam interesses de clientes negociando alterações nas medidas
provisórias em troca de propina.
A presidente Dilma Rousseff também foi notificada para depor no
processo da Zelotes, mas poderá responder por escrito e dizer que nada
tem a esclarecer sobre o fato.
Ela foi arrolada como testemunha pelo empresário e advogado Eduardo
Valadão, que também é acusado de integrar o esquema de venda de MPs. O
juiz Vallisney de Souza Oliveira, que conduz a ação penal, autorizou o
depoimento da presidente sob o argumento de que é direito do réu
escolher suas testemunhas.
Operação Zelotes
Deflagrada em março pela Polícia Federal, a Operação Zelotes
investiga venda de medidas provisórias e supostas irregularidades em
julgamentos do Conselho Administrativo de Recursos Federais (Carf). Em 4
de dezembro, 15 pessoas suspeitas de participar do esquema se tornaram
réus depois que a Justiça Federal aceitou denúncia do Ministério Público
Federal no Distrito Federal.
Segundo as investigações, empresas teriam atuado junto a conselheiros
do órgão para que multas aplicadas a elas fossem reduzidas ou anuladas.
Na denúncia, o MP pediu que o grupo, composto por advogados, lobistas e
servidores, devolva aos cofres públicos R$ 2,4 milhões, por conta de
benefícios fiscais concedidos a empresas do setor automobilístico, mas
aprovadas mediante pagamento de propina.
Inicialmente voltada à apuração de supostas irregularidades no Carf, a
Zelotes descobriu que uma das empresas que atuava no órgão recebeu R$
57 milhões de uma montadora de veículos entre 2009 e 2015 para aprovar
emenda à Medida Provisória 471 de 2009, que rendeu a essa montadora
benefícios fiscais de R$ 879,5 milhões. Junto ao Carf, a montadora
deixou de pagar R$ 266 milhões.
Além de integrantes dessas empresas, a denúncia também acusa membros
de outra companhia. Entre os 16 denunciados, há também uma servidora do
Executivo e um servidor do Senado. De todos os acusados, sete permanecem
em prisão preventiva, decretada no fim de outubro.
G1
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