Novo delator da Lava Jato, Cerveró diz que operador pagou propina a Collor
Possíveis referências a Esteves também haviam
aparecido em um bilhete do empreiteiro Marcelo Odebrecht apreendido na
carceragem da Polícia Federal em Curitiba
Por: Ilana Almeida
Novo
delator da Operação Lava Jato, o ex-diretor da área internacional da
Petrobras Nestor Cerveró disse, em acordo de colaboração premiada, que o
banqueiro André Esteves, dono do BTG Pactual, pagou propina ao senador
Fernando Collor (PTB-AL) em um contrato de embandeiramento de 120 postos
de combustíveis em São Paulo. Os postos pertenciam conjuntamente ao BTG
e ao Grupo Santiago. A descrição de trecho da delação de Cerveró foi
anexada em despacho do ministro Teori Zavascki sobre os pedidos de
prisão do senador Delcídio Amaral (PT-MS), do advogado Edson Ribeiro, do
chefe de gabinete Diogo Ferreira e do próprio banqueiro André Esteves.
“Nestor Cerveró descreve a prática de crime de corrupção ativa por
André Esteves, por meio do Banco BTG Pactual, consistente no pagamento
de vantagem indevida ao Senador Fernando Collor, no âmbito de contrato
de embandeiramento de 120 postos de combustíveis em São Paulo, que
pertenciam conjuntamente ao Banco BTG Pactual e a grupo empresarial
denominado Grupo Santiago”, diz trecho de um documento da
procuradoria-geral da República. Na delação, o ex-dirigente também narra
que o senador Delcídio recebeu propina tanto na aquisição de sondas
pela Petrobras quanto na compra da refinaria de Pasadena, no Texas, nos
Estados Unidos.
O nome do banqueiro André Esteves apareceu nas investigações da
Operação Lava Jato a partir de um depoimento do doleiro Alberto Youssef,
um dos principais delatores do petrolão. A exemplo de Cerveró, Youssef
disse às autoridades que recebeu a informação de que a compra da rede de
postos de gasolina Derivados do Brasil (DVBR) teria sido consolidada
após pagamento de propina a operadores da BR Distribuidora, subsidiária
da Petrobras. A transação teria contado com atuação direta de Pedro
Paulo Leoni Ramos, o PP, ex-ministro do governo Fernando Collor.
Possíveis referências a Esteves também haviam aparecido em um bilhete
do empreiteiro Marcelo Odebrecht apreendido na carceragem da Polícia
Federal em Curitiba. Num trecho do texto, Odebrecht diz a seus
defensores: “Destruir email sondas”. Para os investigadores, o bilhete
poderia representar uma ordem para a destruição de provas. Essa ordem
seria motivo para que Odebrecht tivesse sua prisão estendida – pois
seria uma tentativa de obstruir a investigação. Para os advogados do
empresário, o uso de destruir era metafórico: Odebrecht apenas os
orientava a desconstruir a acusação de ter superfaturado contratos com a
Petrobras.
No mesmo bilhete aos advogados, Marcelo Odebrecht anota: “história de
iniciativa André Esteves. Lembrar que naquela época sete Petrobras off
balance, portanto ajudar Sete era visto como ajudar Petrobras”. A Sete
citada pelo empreiteiro é a Sete Brasil, empresa criada para construir
sondas para exploração do petróleo do pré-sal e enrolada nas
investigações da Lava Jato.
Veja
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