Transsexual que encenou crucificação processa Feliciano por dano moral
A atriz e modelo transexual Viviany Beleboni entrou com um processo
de indenização por dano moral contra o deputado federal e pastor Marco
Feliciano (PSC-SP). Viviany foi criticada por Feliciano na Câmara dos
Deputados após encenar a própria crucificação durante a 19ª Parada do
Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) de
São Paulo, no dia 7 de junho.
Em seu perfil no Facebook, Feliciano publicou naquele dia uma
crítica à manifestação de Viviany na Parada. A modelo se caracterizou
como Jesus Cristo crucificado e com a frase "Basta de homofobia com
GLBTs". "Isto pode? Esta blasfêmia pode? Profanar nossa fé pode?
Debochar de símbolos sagrados publicamente pode? CRISTOFOBIA", declarou o
deputado.
Três dias depois, Feliciano foi um dos parlamentares da bancada
evangélica que ostentou no plenário da Câmara uma faixa contra a
utilização de símbolos religiosos cristãos na Parada Gay, além de atacar
eventos como a Marcha das Vadias e a Marcha das Maconhas. "Patrocinadas
com dinheiro público. Você é a favor disso?", dizia a faixa. A foto de
Viviany como Jesus Cristo foi uma das imagens usadas no manifesto.
Por conta dos ataques, Viviany e sua advogada, Cristiane Leandro de
Novais entraram com ação de indenização na 1ª Vara Cível do Fórum João
Mendes Júnior (SP), no último dia 23 de junho. Ela pede o valor de R$
788 mil como retratação aos danos.
Em artigo, a transexual detalhou os protestos contra ela após o
evento. "Alguns pastores compartilharam minha imagem colocando-a ao lado
de outras fora do contexto da Parada Gay deste ano, fazendo lavagem
cerebral sobre o protesto que era de amor e respeito. Garanto que nunca
quis ferir nenhuma religião, mas sei que há quem se aproveite da
educação precária de nosso país para fazer distorções a seu favor. Mesmo
que tivesse representado Jesus, qual seria o problema?"
A reportagem do UOL tentou entrar em contato com Viviany, a
advogada Cristiane Leandro de Novais e o pastor Marco Feliciano, mas não
conseguiu retorno.
UOL

Nenhum comentário:
Postar um comentário