Autor de habeas corpus diz porque pediu pra Lula não ser preso
A
ideia de registrar um habeas corpus (HC) para que o ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva não seja preso na Operação Lava Jato surgiu de um
morador de Campinas (SP), que não é advogado, mas tem fixação por
processos jurídicos. O G1 conversou com Mauricio Ramos
Thomaz, de 50 anos, por telefone nesta quinta-feira (25). Segundo ele,
um amigo perguntou se Lula tinha chances de ser preso e ele decidiu
tomar providências para tentar evitar que isso aconteça.
“Fico
acompanhando processos que acho ‘aberrantes’. Não tem prova nenhuma
contra ele [Lula]. Fiz esse habeas corpus pedindo que não seja preso,
simples. Não tenho restrição ética, não tenho OAB”, afirma.
Ele
disse que é “de esquerda” , é paranaense e já se envolveu em outros
casos no estado e também em SP e MG. Morador de Campinas desde 1997,
Thomaz não tem curso de graduação. Também não tem esposa ou filhos. Se
diz consultor jurídico, apesar da falta de diploma, porque amigos o
procuram para debater sobre processos.
Registro do HC
Segundo Thomaz, o registro do habeas corpus – uma ação judicial que
assegura a liberdade do favorecido e impede a prisão – foi feito entre
segunda (22) e terça-feira (23). “Redigi rapidamente, enviei por email e
uma cópia pelo correio, como deve ser”, conta.
O pedido chegou ao
Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, e se tornou de
conhecimento público nesta quinta, depois que o senador Ronaldo Caiado
(DEM-GO), que faz oposição ao PT e ao governo da presidente Dilma
Rousseff, divulgou a informação em sua conta no Twitter. Segundo a
assessoria do TRF-4, qualquer cidadão tem o direito de acionar a Justiça
para obter um habeas corpus em favor de qualquer pessoa.
Outros casos
Thomaz contou que não é a primeira vez que registra um pedido de habeas
corpus por “não concordar” com o andamento de um processo judicial.
Desde 1998 ele acompanha alguns casos, principalmente os de grande
repercussão. Apesar da falta de um diploma do curso de direito, ele
disse que já “ganhou” algumas vezes.
“Soltei um traficante em
Guaxupé (MG), derrubei a sentença e um acórdão. Foi uma obra-prima. Eu
tenho resultado na maioria das vezes, acho que sou o melhor”, disse.
Thomaz
disse, ainda, que registrou habeas corpus no caso da máfia dos fiscais
de SP, no caso de um processo contra o jornalista Diogo Mainardi, além
de um caso em Votorantim, no qual Thomaz afirma ter conseguido o que
queria sem precisar ir até lá.
“Botei pressão no juiz, aí o juiz desistiu da audiência”, afirmou.
Ele
mesmo afirmou que tem um processo no Paraná como autor e como réu, mas
não criminal. Contou, também, que tem atrito com vários juízes de
Maringá (PR).
Instituto Lula foi surpreendido
De acordo com o Instituto Lula, a pessoa que tomou a atitude pode até estar tentando prejudicar o ex-presidente.
O
Instituto disse, ainda, estranhar o fato de o senador Caiado ter
divulgado a imagem da página de acompanhamento processual do site do
TRF-4 com os dados sobre o habeas corpus de Lula. O próprio instituto
afirma que não tinha conhecimento do HC até ver a reprodução no Twitter
do senador.
G1
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