Itália autoriza extradição de Henrique Pizzolato para o Brasil
O ministro da Justiça da Itália, Andrea Orlando, deu parecer
favorável na manhã desta sexta-feira ao pedido de extradição do governo
brasileiro do ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato,
condenado no processo do mensalão. A decisão, segundo informou uma fonte
ao GLOBO, ocorreu na última quarta-feira e Pizzolato já teria sido
comunicado. A partir de hoje, a Justiça do Brasil tem 20 dias para ir
buscá-lo e levá-lo à Penitenciária da Papuda, em Brasília. Não cabe mais
recurso.
Pizzolato foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no
julgamento do mensalão a 12 anos e 7 meses de prisão. Ele cometeu os
crimes de corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro, segundo o
STF. Ele autorizou o repasse de R$ 73,8 milhões do Banco do Brasil, em
2003 e 2004, do fundo Visanet, à DNA, agência de publicidade do
empresário Marcos Valério, por meio de contrato. De acordo com o STF, o
dinheiro foi repassado a políticos.
Pizzolato, que recebeu R$ 336 mil do esquema, fugiu em 2013 do Brasil
com um passaporte italiano falso no nome do irmão, Celso, morto em
1978. A defesa de Pizzolato usou como argumento o caso do ativista
italiano Cesare Battisti, que teve o pedido de extradição para a Itália
negado pelo Brasil. A defesa do ex-diretor do BB apelou para o princípio
da reciprocidade, em que a Itália deveria tomar a mesma decisão tomada
pelo Brasil. Mas o pedido foi negado.
O ex-diretor foi preso em Maranello, no Norte da Itália, em 5 de
fevereiro do ano passado. Cidadão italiano, ele ficou preso durante todo
o processo no presídio Sant’Anna di Modena, na cidade italiana de
Modena, conhecida na Itália como “prisão de ouro”, por conta dos altos
custos envolvidos em sua construção, na década de 1980. Pizzolato foi
solto no fim de outubro passado, após a decisão da Corte de Apelação de
Bolonha.
Alessandro Sivelli, advogado de Henrique Pizzolato, disse que ficou
sabendo da resposta do ministro italiano na noite desta quinta-feira. O
advogado irá visitar Pizzolato na prisão na próxima segunda-feira.
– Ontem (quinta-feira) à noite, recebei um telefone do cárcere onde
está Pizzolato e me comunicaram sobre a decisão do ministro – disse ele
ao GLOBO. – Sinto por não estar em Modena ao lado de Pizzolato nesse
momento – completou.
Sivelli não quis comentar sobre a decisão, pois ainda não leu o parecer do ministro:
– Não vou comentar até ler o documento.
ACORDO APÓS NEGOCIAÇÃO
Uma fonte interna do Ministério da Justiça disse que foi levado em
consideração o acordo bilateral de extradição com Brasil e que o fato de
Pizzolato ter cidadania italiana não pesou, pois ele não é um cidadão
com residência fixa na Itália, ou seja, não tem vínculo com o país a não
ser o sobrenome.
– Aquele tratado que o Brasil mandou dando garantias de que os
direitos humanos de Pizzolato seriam respeitados na penitenciária
convenceu o governo italiano – disse a fonte.
No último dia 11, o Ministério da Justiça do Brasil informou que, em
reunião, foi finalizado o texto da correspondência que seria encaminhado
ao governo da Itália, contendo os compromissos do Estado brasileiro em
relação à extradição de Henrique Pizzolato. Em fevereiro deste ano, o
governo brasileiro havia informado que a expectativa era que a
extradição do ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil ocorresse até
abril.
OGLOBO
Nenhum comentário:
Postar um comentário