Brasileiro tenta recurso antes da execução na Indonésia
Em
meio a convocação pela Indonésia de representantes das embaixadas cujos
cidadãos estão no corredor da morte para uma reunião no sábado na
prisão de Nusakambangan, em Cilacap, a 400km de Jakarta, a defesa do
paranaenese Rodrigo Muxfeldt Gularte entrará com novo recurso para
contestar a condenação.
O grupo de dez prisioneiros condenados à morte por tráfico de drogas,
inclui também cidadãos da Austrália, Filipinas, França, Gana e Nigéria.
A convocação pode ser indicativa de que as execuções dos presos, por
fuzilamento, pode estar próxima, mas nenhuma data ou lista de nomes foi
anunciada.
Presos e representantes devem ser avisados com 72 horas de antecedência e este anúncio poderá ser feito no encontro de sábado.
Execuções na Indonésia
Gularte, de 42 anos, foi preso em julho de 2004 após tentar entrar na
Indonésia com 6kg de cocaína escondidos em pranchas de surfe. Ele foi
condenado à morte em 2005.
O paranaense foi diagnosticado com esquizofrenia e a defesa ainda tenta reverter a possível execução devido sua condição médica.
Uma equipe médica avaliou Gularte na prisão em março à pedido da
Procuradoria Geral indonésia, mas o resultado deste laudo não foi
divulgado.
"Estamos angustiados e chocados", disse por telefone à BBC Brasil Ricky
Gunawan, advogado da equipe que defende Gularte, ao comentar a
convocação das autoridades indonésias.
"Pedimos por diversas vezes que o resultado do laudo fosse divulgado,
mas não tivemos nenhuma explicação ou resposta. É direito da família e
da embaixada ter acesso a esse laudo".
Segundo Gunawan, a defesa entrará com um novo recurso na segunda-feira
para contestar a condenação. "Ainda temos esperança. Temos que
acreditar".
Nesta semana, a defesa do paranaense havia requisitado que uma prima de
Gularte que está na Indonésia, Angelita Muxfeldt, ficasse legalmente
responsável por ele, devido sua condição médica.
Gunawan disse que a lei indonésia não impede que um condenado com
problemas mentais seja executado, mas que há um dispositivo que proíbe
que réus com tais doenças sejam sentenciados à morte.
"Temos fortes evidências que Gularte tem problemas mentais desde os 10 anos de idade", disse.
A imprensa local informou que todos os estrangeiros já esgotaram seus
recursos na Suprema Corte do país, apesar de apelos ainda estarem sendo
analisados por instâncias inferiores. Apenas o recurso do cidadão
indonésio ainda estaria sob análise na alta corte.
O presidente indonésio, Joko Widodo, que assumiu em 2014, negou
clemência a condenados por tráfico, dizendo que as drogas provocaram uma
situação de "emergência" no país. Em janeiro, seis presos foram
executados, inclusive o carioca Marco Archer Cardoso Moreira.
Brasil e Noruega convocaram seus embaixadores na Indonésia em protesto
e, em fevereiro, a presidente Dilma Rousseff recusou temporariamente as
credenciais do novo representante indonésio no Brasil em meio ao impasse
com Jacarta diante da iminente execução de Gularte.
Austrália e França alertaram que as relações com o país poderiam ser
afetadas se seus cidadãos fossem executados. Grupos de direitos humanos
também têm pressionado a Indonésia para cancelar a aplicação das penas.
Mais de 130 presos estão no corredor da morte, 57 por tráfico de drogas, segundo a agência Associated Press.
Ig
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