Datafolha pode sofrer ação na Justiça por pesquisa sobre impeachment de Dilma
Instituto perguntou a opinião do brasileiro
sobre se deve ser aberto um processo de impeachment contra a presidente
Dilma Rousseff, dois dias antes do protesto anti-governo
Por: Ilana Almeida
Pesquisa concluída na sexta-feira 10 e divulgada na tarde deste
sábado 11 aponta que 63% dos brasileiros apoiam que seja aberto um
processo de impeachment contra a presidente Dilma Rouseff.
De acordo com a pesquisa, no entanto, 37% dos entrevistados não sabem
que quem assumiria a presidência da República no caso de Dilma ser
cassada é o vice-presidente. Metade desse grupo desconhece que quem
ocupa este cargo hoje é Michel Temer (PMDB).
Nos últimos protestos, de 15 de março, muitos manifestantes foram às
ruas com faixas em defesa do impeachment. Outros pregaram a volta do
regime militar. Em Jundiaí, no interior paulista, bonecos de Dilma e
Lula foram “enforcados” e pendurados em um viaduto.
A pesquisa do Datafolha dá corda a uma ilegalidade, na visão de
muitos juristas. Um parecer favorável ao processo, elaborado pelo
advogado Ives Gandra Martins, foi pedido, descobriu-se depois, por um
advogado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, José Oliveira
Costa.
A tese defendida por Gandra está errada, defenderam posteriormente
Lenio Streck (ex-procurador de Justiça, professor e advogado), Marcelo
Cattoni (doutor em Direito e professor da UFMG) e Martonio Mont’Alverne
Barreto Lima (doutor em Direito e professor da Unifor-CE).
Eles apontaram que a tese pró-impeachment é inconstitucional, pois
usa elementos jurídicos para justificar uma decisão política. Eles citam
ainda o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal Moreira Alves,
segundo quem “um processo de impeachment não é o espaço onde tudo é
possível” (relembre aqui).
Crítico do governo, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo
Cunha (PMDB-RJ), acredita que o impeachment “beira o ilegal e o
inconstitucional”. Sem ler, ele arquivou o pedido do deputado Jair
Bolsonaro (PP-RJ) e sinalizou que deverá arquivar eventuais próximos que
chegarem à Casa.
“Entendemos que temos um governo que foi legitimamente eleito e que,
se aqueles que votaram neste governo se arrependeram de terem votado,
isso faz parte do processo político”, afirmou Cunha.

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