Empresário se entrega à polícia e nega assassinato de bebês gêmeos
O empresário Matusalém Ferreira Júnior, de 48 anos, principal
suspeito dos homicídios de uma jovem de 22 anos e de dois bebês gêmeos,
afirmou na noite de terça-feira (17) que sofre com a morte das vítimas. O
homem, que se entregou à Polícia Civil em Uberaba (MG) no início da
tarde, negou a autoria do crime e atribuiu o triplo homicídio a um
comparsa de 37 anos, que está foragido. “Não fui eu fazer (sic). O cara
desequilibrou e eu estou perplexo com isso. Estou sofrendo com isso
também”, disse o empresário, após sair da delegacia de Aramina (SP).
A jovem Izabella Gianvechio e os bebês desapareceram na última
quinta-feira (12), em Uberaba. Segundo a Polícia Civil, a mãe e as
crianças foram vistas pela última vez sendo levadas de carro por
Ferreira Júnior, que até então não teria assumido a paternidade dos
bebês. O corpo de Izabella foi encontrado no mesmo dia em Aramina (SP).
Já os gêmeos foram localizados na tarde de terça-feira (17) em Buritizal
(SP). Os corpos dos bebês foram enterrados na manhã desta quarta-feira
(18) em Uberaba.
O advogado Odilon dos Santos, que acompanhou a apresentação de
Ferreira Júnior à Polícia Civil, informou que vai deixar o caso. A
família do suspeito já foi informada. De acordo com o defensor, a
decisão foi motivada após descobrir que os bebês estavam mortos.
O empresário se apresentou na delegacia de Uberaba na tarde de
terça-feira, depois que o carro que teria sido no crime foi localizado
na zona rural de Pedregulho (SP). O veículo estava completamente
queimado. Depois de prestar depoimento e negar o homicídio, o suspeito
levou os investigadores a uma estrada de terra em Buritizal, onde os
gêmeos, que até então estavam desaparecidos, foram encontrados mortos.
No local, também foi apreendido um revólver com cinco projéteis usados –
a arma provavelmente utilizada no crime, segundo a polícia.
Ferreira Júnior, que já estava com a prisão temporária decretada pela
Justiça, foi levado à delegacia de Aramina, e posteriormente
encaminhado à Penitenciária Professor Aluízio Ignácio de Oliveira, em
Uberaba. O outro suspeito, apontado pelo empresário como autor dos
homicídios, já foi identificado, mas permanece foragido.
O caso
Izabella, mãe dos gêmeos, foi a primeira a ser encontrada morta com
um ferimento na cabeça às margens da Rodovia José Schavotelo, em
Aramina, na noite da última quinta-feira. Ela chegou a ser enterrada sem
que fosse reconhecida, mas uma equipe de investigação em Uberaba, ao
saber da localização do corpo, solicitou fotos da vítima.
Em seguida, o pai reconheceu a filha e informou tê-la visto pela
última vez em um carro com um homem que não teria assumido a paternidade
dos bebês.
Em uma gravação obtida pela polícia e divulgada nesta semana,
Izabella afirma por telefone a uma amiga que iria encontrar o homem de
48 anos, que ainda não tinha reconhecido a paternidade dos gêmeos.
Izabella chega a contar que o homem pediu para ela levar os bebês Ana
Flavia e Lucas, de 2 meses. Segundo a jovem, o suposto pai disse que
ninguém poderia saber do encontro. No entanto, ela pediu para um
parente, que é taxista, levá-la até o local combinado. Após deixá-la, o
taxista disse que seguiu o carro do suspeito, mas perdeu o veículo de
vista.
A polícia também divulgou imagens de um vídeo feito por uma câmera de
segurança. As imagens mostram o momento em que o carro do suspeito,
onde já estavam Izabella e os bebês, parou próximo ao Parque Fernando
Costa. O suposto comparsa de Ferreira Júnior, que agora é considerado
foragido, aguardava o veículo e carregava uma bolsa quando entrou.
Segundo o delegado regional da Polícia Civil em Uberaba, Francisco
Gouveia, os bebês foram mortos pouco depois de a mãe ter sido
assassinada e deixada perto de Aramina. “Um [suspeito] ficou no carro e o
outro desceu com os gêmeos, entrou no mato e atirou nas crianças,
segundo a versão do suposto pai das crianças”, afirmou.
O inquérito está sendo feito em Uberaba e, conforme os delegados, os
suspeitos serão indiciados por sequestro, triplo homicídio qualificado e
ocultação de cadáveres. Já a Justiça, assim que receber o inquérito vai
decidir de quem será a competência do caso, se será da Delegacia de
Uberaba ou do estado de São Paulo.
G1
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