Prefeito de Caracas é preso pelo governo da Venezuela
O prefeito da região metropolitana de Caracas, Antonio Ledezma, foi
preso na noite da quinta-feira (19) por agentes do serviço de
inteligência da Venezuela. Segundo o presidente Nicolás Maduro, o
opositor – a quem se refere como El Vampiro – tentou promover um golpe
de Estado contra o governo.
“O senhor Ledezma, que no dia de hoje foi detido por ordem da
Procuradoria, deve ser processado pela Justiça venezuelana para que
responda por todos os crimes cometidos contra a paz do país, a segurança
e a Constituição”, afirmou o presidente em pronunciamento em rádio e
televisão.
Como prova das intenções conspiratórias da oposição com o apoio dos
Estados Unidos, Maduro cita um documento assinado por Ledezma, e por
dois opositores já investigados pelo governo. A deputada María Corina
Machado, acusada de conspirar para assassinar o presidente, e pelo líder
opositor Leopoldo López, preso há um ano por instigar protestos que
resultaram na morte de 43 pessoas.
A mulher do prefeito, Mitzy Ledezma, disse à Folha de S.Paulo que os
agentes do Sebin (Serviço Bolivariano de Inteligência) cercaram o
edifício em que o escritório privado dele e o levaram sem mandados de
busca ou de prisão. “O covarde do Maduro tem que responder pela vida de
Ledezma”, afirmou ao jornal.
Resposta internacional
Após o pronunciamento do presidente venezuelano, o governo americano
reagiu negando acusações de que esteja por trás de uma conspiração para
derrubar Nicolás Maduro. “As declarações dadas pelo governo venezuelano
de que os Estados Unidos estão envolvidos na conspiração para um golpe e
para a desestabilização (desse país) não tem embasamento e são falsas”,
afirmou a porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki, segundo o G1.
A ONG Human Rights Watch condenou a prisão, que classificou como
arbitrária. “Sem provas da prática de um delito, o prefeito nunca
deveria ter sido detido e deveria ser imediatamente libertado. Caso isso
não ocorra, estaremos perante um novo caso de detenção arbitrária de
opositores, num país onde não há independência judicial”, afirmou o
diretor da HRW para as Américas, José Miguel Vivanco.
Época
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