Polícia Federal faz operação na casa de Luma de Oliveira, no Rio de Janeiro
A Polícia Federal realiza, na manha desta quinta-feira (12), uma
operação na casa da ex-modelo Luma de Oliveira no Jardim Botânico, Zona
Sul do Rio. Os agentes chegaram cedo na casa da ex-mulher de Eike
Batista. Eles ameaçaram invadir a casa, antes de serem autorizados a
entrar. Pouco depois, o empresário chegou ao imóvel.
Às 8h25, os agentes já tinham apreendido três veículos: duas Toyota
Hilux e uma BMW X5. Pouco depois, a equipe deixou o local. O G1 tentou
entrar em contato com os advogados de Eike, mas, até este horário, não
obteve retorno.
O bloqueio de bens foi decretado pela Justiça para garantir o
pagamento de possíveis indenizações. O empresário responde por seis
crimes, como manipulação de mercado e formação de quadrilha. Desde
sexta-feira (6), a corporação tem apreendido bens do empresário Eike
Batista, ex-marido de Luma, em propriedades dele no Rio e em Angra dos
Reis, na Costa Verde.
Equipes da Polícia Federal apreenderam nesta quarta-feira (11) um
iate, três motos aquáticas e uma lancha pertencentes ao empresário.
Segundo o juiz federal Flávio Roberto de Souza, da 3ª Vara Federal
Criminal, a apreensão fez parte da decisão que decretou, na sexta-feira
(6), o bloqueio de R$ 3 bilhões em bens do empresário e de parentes dele
para preservar possíveis indenizações e multas.
“Depois de todos os bens apreendidos, vamos avaliar até chegar no
montante que o Ministério Público requereu. Se ultrapassar, o restante
será devolvido”, informou o magistrado pela manhã.
O iate Spirit of Brazil VIII, apreendido nesta quarta, foi comprado
por Eike em 2006 por cerca de R$ 85 milhões. O barco, da marca italiana
Pershing, tem 115 pés (35 metros), quatro suítes, sala com TV de 67
polegadas e capacidade para 20 pessoas.
Apreensões na casa de Eike
Na sexta-feira (6), uma operação da Polícia Federal também apreendeu
bens na casa do empresário Eike Batista. Foram cumpridos mandados de
busca e apreensão expedidos pela Justiça, que também determinou nesta
semana o bloqueio de bens do empresário e de parentes.
Durante a operação, que teve como objetivo garantir o pagamento de
indenizações, foram levados o celular do empresário, documentos, seis
carros, um piano, 16 relógios, um ovo Fabergé (joia feitas para czares
russos nos séculos 19 e 20) e cerca de R$ 90 mil em dinheiro e mais R$
37 mil em outras moedas. Inicialmente, a defesa do empresário havia
estimado em R$ 80 mil o valor recolhido.
Entre os seis carros apreendidos, dois eram de luxo, um compacto e
três utilitários. Pelas imagens divulgadas pela PF, é possível ver que,
entre eles, há um Lamborghini, avaliado em R$ 2,8 milhões, e um Porsche
Cayenne, que custa cerca de R$ 700 mil.
Indignado, o advogado Sérgio Bermudes disse que foi uma “decisão
selvagem e brutal”. “Não deixaram dinheiro nem para ele comprar bananas
para o filho de 3 anos. A Polícia Federal foi extremamente correta e
cortês. Mas a decisão judicial só pode ser classificada como fúria
selvagem. E o juiz Flávio Roberto de Souza foi covarde, porque deu a
decisão, mas não teve coragem de assinar o documento. A decisão judicial
de busca e apreensão de todos os bens do Eike Batista foi assinada pelo
juiz Vítor Valpuesta”, disse Bermudes.
Segundo o advogado, a apreensão de todos os bens do empresário foi
para garantir o pagamento de indenização de vítimas de supostos atos
fraudulentos, caso Eike seja condenado. No entanto, o advogado informou
que o processo que corre na 3ª Vara Federal Criminal ainda está no
início.
“Isso foi um ato de vingança do juiz, que na primeira audiência do
processo para ouvir testemunhas deu uma série de declarações à imprensa
emitindo conceitos sobre Eike, dizendo que ele era megalomaníaco e que
este seria o primeiro caso de um culpado de manipulação de mercado. Ou
seja, ele fez uma antecipação de julgamento. E os advogados criminais
dele, Ary Bergher e Rafael Matos, arguiram a suspeição do juiz [pediram o
afastamento do juiz do caso] após essas declarações”, explicou
Bermudes, destacando que Eike só poderá ser condenado após o processo
ser transitado em julgado e se esgotarem todos os recursos previstos em
lei.
O advogado disse ainda que o correto seria fazer um levantamento de
todos os bens do empresários, acautelá-los e deixar Eike como fiel
depositário. Bermudes lamenta que os carros, o piano, quadros e obras de
arte vão ficar mal acondicionados em depósitos da Justiça Federal,
sofrendo a ação do tempo.
“Processos como esse, que ainda estão no início, demoram. Isso
significa que os bens vão ficar largados por anos. Vamos entrar ainda
nesta sexta-feira com medidas judiciais contra essa situação. Vamos
denunciar o juiz Flávio de Souza ao Ministério Público, ao Conselho
Nacional de Justiça, arguir a suspeição e denunciar no Tribunal Regional
Federal”, disse Sérgio Bermudes.
G1
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