Coronel que admitiu participar de tortura é encontrado morto no Rio de Janeiro
Paulo Malhães confessou participação em torturas à Comissão da Verdade
O coronel reformado do
Exército Paulo Malhães, conhecido por sua atuação na repressão política
durante a ditadura militar, foi achado morto dentro de casa, no bairro
Ipiranga, na área rural de Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, na manhã
desta sexta-feira (25). Segundo a Divisão de Homicídios da Baixada, a
casa do coronel de 76 anos foi invadida por volta das 13h desta quinta
(24) e, segundo sua mulher, ela e o caseiro teriam sido feitos reféns
até as 22h.
Ainda segunda a viúva, que já prestou depoimento e não teve a identidade
revelada, pelo menos três homens participaram da ação, um deles com o
rosto coberto. Segundo policiais, os peritos não encontraram marcas de
tiros no local, mas a hipótese de que ele tenha sido baleado não foi
descartada. Ainda de acordo com a DH, os criminosos mantiveram as
vítimas em cômodos separados e fugiram levando armas que o oficial
colecionava.
O crime ocorre cerca de um mês depois de o militar ter admitdo no fim de
março na Comissão Nacional da Verdade que participou de torturas e
desaparecimentos durante a ditadura, inclusive o do ex-deputado Rubens
Paiva (veja na reportagem ao lado, do Jornal Nacional).
O local não tem câmeras de segurança, de acordo com o delegado que
investiga o caso. A mulher e o caseiro não conseguiram reconhecer os
criminosos, mas afirmam não ter sofrido violência física. O corpo de
paulo malhães foi levado para o Instituto Médico Legal de Nova Iguaçu.
O Clube Militar, associação que reúne militares da reserva do Exército,
informou que não se pronunciará sobre o caso por não conhecer as
circunstâncias da morte do coronel. O chefe de gabinete da presidência
da instituição, coronel Figueira Santos, disse que o Clube Militar só
irá se manifestar se surgir algum "fato novo". O Comando Militar do
Leste, no Rio, também informou que não vai comentar o caso, já que as
investigações estão a cargo da Polícia Civil.
G1
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