sexta-feira, 25 de abril de 2014

Casa invadida

Coronel que admitiu participar de tortura é encontrado morto no Rio de Janeiro

Paulo Malhães confessou participação em torturas à Comissão da Verdade

O coronel reformado do Exército Paulo Malhães, conhecido por sua atuação na repressão política durante a ditadura militar, foi achado morto dentro de casa, no bairro Ipiranga, na área rural de Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, na manhã desta sexta-feira (25). Segundo a Divisão de Homicídios da Baixada, a casa do coronel de 76 anos foi invadida por volta das 13h desta quinta (24) e, segundo sua mulher, ela e o caseiro teriam sido feitos reféns até as 22h.

Ainda segunda a viúva, que já prestou depoimento e não teve a identidade revelada, pelo menos três homens participaram da ação, um deles com o rosto coberto. Segundo policiais, os peritos não encontraram marcas de tiros no local, mas a hipótese de que ele tenha sido baleado não foi descartada. Ainda de acordo com a DH, os criminosos mantiveram as vítimas em cômodos separados e fugiram levando armas que o oficial colecionava.

O crime ocorre cerca de um mês depois de o militar ter admitdo no fim de março na Comissão Nacional da Verdade que participou de torturas e desaparecimentos durante a ditadura, inclusive o do ex-deputado Rubens Paiva (veja na reportagem ao lado, do Jornal Nacional).

O local não tem câmeras de segurança, de acordo com o delegado que investiga o caso. A mulher e o caseiro não conseguiram reconhecer os criminosos, mas afirmam não ter sofrido violência física. O corpo de paulo malhães foi levado para o Instituto Médico Legal de Nova Iguaçu.

O Clube Militar, associação que reúne militares da reserva do Exército, informou que não se pronunciará sobre o caso por não conhecer as circunstâncias da morte do coronel. O chefe de gabinete da presidência da instituição, coronel Figueira Santos, disse que o Clube Militar só irá se manifestar se surgir algum "fato novo". O Comando Militar do Leste, no Rio, também informou que não vai comentar o caso, já que as investigações estão a cargo da Polícia Civil.




G1

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