Heron Cid é jornalista graduado pela UFPB. Filho de Marizópolis, no Sertão da Paraíba, começou na Rádio Jornal AM, em Sousa, foi repórter de política do Correio Debate (Correio Sat), apresentador dos programas Jornal da Correio e Correio Verdade, da TV Correio. Atualmente é um dos apresentadores do Correio Debate (Correio Sat), apresentador do Jornal da Correio (TV Correio), colunista político do Jornal Correio da Paraíba e fundador e diretor geral do Portal MaisPB. Contato: heroncid@gmail.com
Pela dimensão, alcance e
credibilidade do Correio, a pesquisa do Instituto Souza Lopes, parceiro
do jornal mais lido do Estado, era a mais aguardada. Com ela na praça,
está dada a largada oficial para as análises e projeções do cenário
eleitoral paraibano. E os números revelam desafios para os três
candidatos.
Líder com folga (43%), o senador Cássio Cunha Lima não parece estar na
dianteira apenas pelo recall de duas vezes governador, como alguns podem
cogitar. O eleitor que discorda do atual modelo de governo vê em
Cássio, o maior cabo eleitoral da eleição do governador, o potencial
para abreviar o mandato de Ricardo Coutinho.
O dado comprova que essa tendência passa ao largo da discussão de quem é
a verdadeira oposição a Ricardo, como equivocadamente o PMDB vocifera.
Se essa questão fosse importante, Cássio, aliado durante três anos do
socialista e rompido há parcos três meses, não teria partido na
dianteira da corrida ao governo.
Alguns dados ajudam a explicar: Cássio soube catalisar ao seu favor a
rejeição de 25,3% do governador. Agiu sabiamente quando brecou sua
defesa à manutenção da aliança em meados do ano passado e criou um
suspense – aguardado como fim de novela global – que só lhe beneficiou.
Ofuscou a candidatura de Veneziano Vital, até então o único postulante
da oposição, e polarizou com Ricardo. A estratégia vingou.
Pra quem está fora do governo, sem a força e estrutura da máquina e
atuando como senador de oposição, com pouco ou quase nada a fazer
diretamente por lideranças e prefeitos, a diferença na casa dos 15
pontos percentuais sobre o adversário chega a impressionar, mas não deve
ser encarada como vantagem intransponível. O próprio Ricardo, em 2010, é
um exemplo.
Um - Cássio tem o desafio de manter esse patamar até as
convenções em meio ao iminente bombardeio dos dois adversários,
costurar uma coligação com razoável tempo de guia uma chapa eclética e
atraente.
Dois - Diante da sede do governo no comparativo das
obras – parâmetro que em tese favorece Coutinho – , a saída pra Cássio,
que será chamado a debater as falhas do passado, é projetar a Paraíba ao
futuro.
Diagnóstico - A rejeição (25,3%) do governador é mais
pessoal do que administrativa. Ora, 51% aprovam o governo, mas só 27%
querem sua recondução. É a postura e não o saldo da gestão o que entrava
a performance ricardista. A insistente aparição de obras na TV não
surte o efeito esperado. Portanto, o reposicionamento deve ser do
próprio Ricardo.
Em casa - Ricardo precisa melhorar o desempenho em João
Pessoa. Segundo a pesquisa, ele, com 25,8,%, perde para Cássio (36,1%),
em sua maior base (Capital), cidade em que o ex-governador sempre
patinou.
Inverso - O que ocorre com Ricardo em João Pessoa, não
acontece nem de longe com Cássio em sua terra natal. Campina Grande dá
ao seu filho 45,6% das intenções de voto. Lá, Coutinho tem apenas 17%.
Êxito - A melhor pontuação do governador é na
Borborema, região que compreende o Cariri, onde está concentrado vultoso
investimento (R$ 114 milhões) em estradas. Ricardo tem 38,8% contra
35,4% de Cássio.
Cenários - Na simulação de segundo turno, Ricardo (30%)
perderia para Cássio (48,9%). Venceria se fosse com Veneziano Vital
(PMDB). Nesse cenário, o governador teria 39,8% contra 23,8% do
candidato peemedebista.
Perda - Os cenários acima comprovam quanto a manutenção
da aliança com o PSDB seria essencial para o projeto de reeleição do
PSB. A renovação da dobradinha daria a Ricardo o favoritismo da eleição.
Travado - Acuado pela polarização Cássio/Ricardo e
prejudicado pelo fogo amigo, Veneziano Vital está situado na terceira
colocação, com 10,7%, número inferior ao seu índice de rejeição, que
soma 14,8%.
Balão de oxigênio - Na Capital, Veneziano tem sofríveis
6,7%, quase empatado com Nadja Palitot (PT) e seus 5,6%. Assim, a
aliança com o PT e o empenho do prefeito Luciano Cartaxo são vitais para
o ex-prefeito.
Superação - Em Campina Grande, onde aparece com 20,4%,
Veneziano tem um duro desafio na cidade que governou por duas vezes:
suavizar uma rejeição de 23,1%. Nesse quesito, lá, compete com Ricardo
(27,9%).
Em aberto - Com Zé Maranhão (22,7%) e Cícero Lucena
(12,7%) “fora”, a disputa ao Senado promete. Rômulo Gouveia (PSD),
Wilson Santiago e Aguinaldo Ribeiro (PP) têm 10,4%, 8% e 4,3%,
respectivamente.
Dissonância - Na Paraíba, somente em Campina Grande a
presidente Dilma recebe cartão vermelho. A administração dela é
reprovada por 53,7% dos campinenses. Outros 38,1% aprovam o modelo de
governo da petista.
PINGO QUENTE - “Prova que o PSDB acertou ao optar pela candidatura”. Do senador Cássio Cunha Lima (PSDB), avaliando os números da pesquisa Souza Lopes/Correio da Paraíba.
*Coluna reproduzida do Correio da Paraíba, edição do dia 28/04/2014 (segunda-feira).
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