segunda-feira, 11 de maio de 2026

Fantástico mostra ligação de facção com prefeitura paraibana

Programa Fantástico mostra nesse domingo ligação de facção criminosa com poder público na cidade de Cabedelo, na Paraíba

O programa Fantástico exibe neste domingo (10) uma reportagem especial sobre a atuação de uma facção criminosa na cidade de Cabedelo, na Região Metropolitana de João Pessoa. A matéria aborda investigações que apontam a infiltração de criminosos na estrutura política e administrativa do município, além da relação do grupo com agentes públicos.

Segundo as investigações, integrantes da organização criminosa monitoravam a cidade por meio de câmeras de segurança acompanhadas remotamente a partir do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. O esquema teria ligação com Flávio de Lima Monteiro, conhecido como Fatoka, apontado como chefe do Comando Vermelho na Paraíba e considerado um dos criminosos mais procurados do estado.

A reportagem também deve mostrar imagens obtidas durante as investigações, nas quais homens aparecem acompanhando câmeras instaladas em diferentes pontos de Cabedelo. De acordo com os investigadores, a facção teria influência direta em setores da administração pública, incluindo indicações de cargos, esquemas de rachadinha e desvios de recursos públicos.

O caso ganhou ainda mais repercussão após o afastamento de dois prefeitos do município. Em abril deste ano, o então prefeito interino e eleito em eleição suplementar, Edvaldo Neto (Avante), foi afastado do cargo durante uma operação da Polícia Federal que investiga fraudes em licitações, desvios de verbas públicas e suposta ligação entre agentes políticos e integrantes da facção criminosa.

Antes dele, o ex-prefeito André Coutinho (Avante) também já havia sido afastado por suspeitas semelhantes envolvendo vínculos com o grupo criminoso.

Entre os alvos da operação está Cynthia Denize Silva Cordeiro, sogra de Edvaldo Neto e ex-secretária de Ocupação e Uso do Solo de Cabedelo. Ela é apontada pelas investigações como advogada de Fatoka e uma das possíveis responsáveis pela ligação entre a facção e setores do poder público municipal.

A reportagem completa será exibida na noite deste domingo, durante o Fantástico, na TV Globo.

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Hostilidade contra mães na política

Mães na política sofrem hostilidade mesmo com avanço da licença-maternidade

Mães na política sofrem hostilidade mesmo com avanço da licença-maternidade

A matéria aborda o tema da atuação de mães na política diante de hostilidade, mesmo com avanços na licença-maternidade.

Um levantamento mostra que, ao longo da última década, 13 Assembleias disseram ter regulamentado ou ampliado o afastamento para deputadas. No entanto, estados como Maranhão, Amapá e Goiás não informaram regras, e Alagoas, Bahia, Rondônia e Sergipe não apresentaram a regulamentação correspondente. Mulheres com mandato relatam sentir julgamentos ao conciliar maternidade e atuação pública. Em entrevistas, parlamentares de diferentes estados relatam resistência gráfica ao exercitar o mandato com filhos, o que, segundo especialistas, pode afastar candidatas pouco antes de eleições.

O caso de Marina Helou, deputada de São Paulo, é citado para ilustrar a pressão vivida ao anunciar a gravidez durante o primeiro ano de mandato. Ela relata críticas e a sensação de que a maternidade comprometeria a continuidade no cargo, ainda que outros deputados tenham recebido apoio por anunciada gravidez de suas cônjuges.

Especialistas consultados destacam a importância de regras explícitas de licença para garantir segurança jurídica às mulheres que exercem mandatos. A ausência de normatização interna pode trazer insegurança sobre o afastamento e retorno ao cargo, segundo a professora Luciana Ramos, da FGV Direito SP.

A discussão envolve ainda casos de deputadas que atuam em redes diferentes. As depoentes apontam que a falta de políticas públicas de apoio e a pressão social costumam dificultar a permanência de mães na política, impactando a participação feminina ao longo do tempo.

Outros relatos citados dizem respeito a experiências de mães que já ocuparam cargos federais e estaduais. Há menções a episódios de julgamento público, decisões de afastamento para amamentação e dilemas sobre manter ou reduzir a atividade legislativa durante o período de cuidado com crianças.

Especialistas lembram que, sem licenças claras, situações de maternidade podem ser tratadas como faltas administrativas ou desatenção ao cargo. A defesa dessas regras se baseia na proteção à maternidade como forma de assegurar retorno ao trabalho nas mesmas condições.

A reportagem reforça que a participação política de mulheres continua sendo tema de debate público, com impacto direto na dinâmica de grupos políticos e na candidatura de futuras gestoras, sugerindo a necessidade de políticas de apoio mais robustas para a mulher em cargos públicos.

Blog JURU EM DESTAQUE com Polêmica Paraíba - Amara Alcântara

Mães de destaque na política paraibana

DIA DAS MÃES: conheça o lado mãe de mulheres que ocupam espaço na política paraibana; CONFIRA NOMES E SEUS FILHOS

Dia das Mães: conheça o lado mãe de nomes da política paraibana

Nesse Dia das Mães, mulheres que ocupam espaços de destaque na política paraibana também celebram uma das funções mais importantes fora da vida pública: a maternidade.

Entre agendas institucionais, sessões legislativas, compromissos administrativos e atividades partidárias, prefeitas, deputadas, vereadoras e lideranças políticas dividem a rotina com a criação dos filhos.

Na Paraíba, nomes conhecidos da política estadual e municipal carregam, além dos cargos públicos, a responsabilidade e a experiência da vida em família.

Confira abaixo as mulheres da política paraibana e seus filhos:

Ana Paula – prefeita de Monteiro

Daniella Ribeiro – senadora

Danielle do Vale – deputada estadual

Dra. Jane Panta – deputada estadual

Dra. Paula – deputada estadual

Francisca Motta – deputada estadual

Karla Pimentel – prefeita de Conde

Munique Marinho – vereadora no Conde

Pollyanna Werton – candidata a deputada federal

Tacyana Leitão – prefeita de Bayeux

Blog JURU EM DESTAQUE com Polêmica Paraíba - Pedro Nery

Jogador do Real Madrid se declara para influenciadora

Após rumores de crise, jogador Vinicius Junior se declara para Virginia Fonseca em Dia das Mães: 'Te amo'

Primeiro, Vini Jr publicou uma mensagem dedicada à própria mãe: "Feliz dia das mães. Amo vocês". Pouco depois, o jogador compartilhou uma declaração direcionada para Virginia. "Feliz dia das mães! Te amo!", escreveu ele.


Após rumores de crise, Vini Jr se declara para Virginia Fonseca em dia das mães: 'Te amo'
© Reprodução / Instagram

ARACAJU, SE (FOLHAPRESS) - Jogador do Real Madrid, Vinicius Junior encerrou qualquer tipo de rumor sobre uma crise no relacionamento com Virginia Fonseca. Nesse domingo (10), ele usou o Dia das Mães para se declarar para a influenciadora. 

Primeiro, Vini Jr publicou uma mensagem dedicada à própria mãe: "Feliz dia das mães. Amo vocês". Pouco depois, o jogador compartilhou uma declaração direcionada para Virginia. "Feliz dia das mães! Te amo!", escreveu ele.

A influenciadora digital é mãe de três: Maria Alice, Maria Flor e José Leonardo, fruto do relacionamento com o cantor Zé Felipe.

Na última semana, Virginia Fonseca foi questionada por seguidores sobre o namoro. A influenciadora garantiu que "está tudo certo" entre os dois e afirmou que deve viajar em breve para Madri para reencontrar o atleta.

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domingo, 10 de maio de 2026

Feliz Dia das Mães!

A mãe dá ao filho o que tira de si mesma: o sono, a melhor comida, em alguns casos até a sua saúde, a sua riqueza (Friedrich Niezstche)

Mãe, um exemplo de amor, fortaleza, fé e cuidado, a quem devemos agradecer por cada oração, conselho e amor incondicional. 

Curiosidade sobre o Dia das Mães

Americana Anna Reeves Jarvis, a mulher que inventou o Dia das Mães, após a morte de sua mãe, e depois se arrependeu

Anna Jarvis
Anna Reeves Jarvis fez campanha incansavelmente para estabelecer oficialmente o Dia das Mães - Crédito, Getty Images

As comemorações do Dia das Mães variam de país para país, mas são poucos os lugares no mundo onde a data não é celebrada.

Nas Américas, o dia geralmente é comemorado em maio — no segundo domingo do mês — embora alguns países, como México, Guatemala e El Salvador, celebrem alguns dias antes.

Independentemente da data, essa celebração tradicional se tornou um dos períodos mais importantes do ano para os negócios, principalmente aqueles que vendem cartões, flores, chocolates e outros itens para presente.

Muitos filhos, netos, irmãos e parceiros conhecem bem a data, mas poucos sabem a história por trás da origem do costume de comemorar o amor materno em uma data específica.

Campanha em homenagem a uma mãe

A tradição vem dos gregos, que no início da primavera homenageavam Reia, a mãe de todos os deuses, com rituais e oferendas.

Mas o reconhecimento oficial desse costume começou no século XX, nos Estados Unidos, graças à insistência de uma mulher que nunca foi mãe, mas decidiu homenagear a sua.

Em 1905, Anna Jarvis iniciou uma campanha pelo que chamou de "Dia das Mães", após a morte de sua mãe, Ann Reeves Jarvis.

Três anos depois, ela organizou uma homenagem para a mãe, mesmo que a data não fosse um feriado oficial, e tornou-se uma ativista da causa.

Sua luta para que o dia fosse oficialmente reconhecido durou anos. A motivação de Jarvis veio de uma oração que sua mãe lhe mostrou certa vez.

"Espero e rezo para que alguém, um dia, reconheça um dia em memória das mães, para celebrar o serviço incomparável que elas prestam à humanidade em todas as áreas da vida", dizia a oração.

Uma mãe com seu bebê
Anna Reeves Jarvis lançou uma campanha após a morte de sua mãe - Crédito, Getty Images

A inspiração também veio do trabalho que a própria Ann Reeves realizou durante a Guerra Civil Americana.

Em 1850, no estado da Virgínia Ocidental, ela criou uma espécie de grupo de trabalho com mulheres para cuidar dos soldados e trabalhar por melhorias na saúde pública. Ela chamou esses dias de trabalho de "Dia das Mães".

Anna Jarvis começou sua campanha para reservar um dia especial para as mães enviando cartas todos os anos para congressistas, governadores, celebridades e outras pessoas importantes.

Alguns políticos zombaram de seus esforços, dizendo que, se o Dia das Mães fosse oficializado, eles também teriam que instituir o "Dia da Sogra".

Em 1911, no entanto, todos os estados da União reconheceram o feriado e, três anos depois, foi oficialmente adotado que o segundo domingo de maio seria comemorado com um feriado em homenagem às mães.

O desejo de Jarvis havia sido atendido e ela finalmente podia se orgulhar de ter sido a "mãe" do Dia das Mães.

No entanto, pouco depois, ele percebeu que havia "criado um monstro". A data comemorativa tornou-se um excelente pretexto para os comerciantes, que aproveitaram a oportunidade para estimular a compra de presentes.

Atividade comercial

A data tornou-se o tema principal das campanhas publicitárias no início de maio e ganhou considerável apoio nas indústrias de flores e cartões.

A história por trás do Dia das Mães — a luta de Jarvis para homenagear o trabalho de sua própria mãe e de outras mulheres — era o roteiro perfeito para impulsionar ainda mais as vendas.

No entanto, a mulher mais responsável pela data comemorativa não gostou da direção comercial que ela havia tomado, então decidiu boicotá-la.

A ativista que outrora lutara pela criação do dia agora se mobilizava para eliminá-lo.

"Jarvis considerava o Dia das Mães sua 'propriedade intelectual e legal', não parte do domínio público", escreveu Katharine Lane Antolini, autora de A Comemoração da Maternidade: Anna Jarvis e a Luta pelo Controle do Dia das Mães.

"Ela aspirava que este dia fosse um 'dia sagrado' que homenageasse a mãe que colocava as necessidades de seus filhos acima das suas próprias", acrescentou Antolini.

Anna Jarvis.
A data foi adotada após a insistência de Anna Reeves Jarvis que, anos mais tarde, decidiu boicotá-la - Crédito, Getty Images

"Ela nunca quis que o Dia das Mães se tornasse um dia para presentes caros, como aconteceu com alguns outros feriados no início do século XX."

Antolini, professora de estudos de gênero em uma universidade na Virgínia Ocidental, mora a cerca de 45 minutos de Grafton, onde fica a igreja que Jarvis e sua mãe frequentavam, hoje o Santuário Internacional do Dia das Mães.

De acordo com a pesquisa de Antolini, Anna Jarvis criticava os comerciantes que "se aproveitavam" do evento, chamando-os de "violadores de direitos autorais, vândalos comerciais e aproveitadores descarados".

Ela chegou a protestar contra floriculturas, que aumentaram seus preços em maio, e ameaçou processar muitas empresas que lucraram com a celebração.

Ela também criticou a enorme indústria de cartões impressos que surgiu em torno da data, argumentando que a maneira de demonstrar apreço e homenagear as mães deveria ser por meio de cartas pessoais, escritas à mão.

Antolini escreve que algumas organizações tentaram alinhar o significado do feriado com a mudança na percepção da maternidade no século XX, combinando o aspecto doméstico com o impacto das mães na comunidade.

Mas Jarvis também rejeitou essa interpretação.

Antes de morrer em 1948, consumida por dívidas e depressão, Jarvis confessou a um jornalista: "Lamento profundamente ter criado o Dia das Mães."

O Dia das Mães é uma excelente oportunidade para quem vende cartões, flores e outros presentes
O Dia das Mães é uma excelente oportunidade para quem vende cartões, flores e outros presentes - Crédito, Getty Images

A data no Brasil

No Brasil, o Dia das Mães foi oficializado em 1932, com um decreto assinado pelo então presidente Getúlio Vargas (1882-1954).

"O segundo domingo de maio é consagrado às mães, em comemoração aos sentimentos e virtudes que o amor materno concorre para despertar e desenvolver no coração humano, contribuindo para seu aperfeiçoamento no sentido da bondade e da solidariedade humana", diz a determinação.

Mas a consolidação da data veio mesmo na época do regime militar de 1964 a 1985.

"Copiava-se tudo dos Estados Unidos e houve, durante a ditadura, uma valorização enorme da família e das mães, em particular", diz a historiadora Mary Del Priore, autora de História das Mulheres no Brasil.

"A maternidade bem vivida, a mulher dedicada aos filhos era um perfil exaltado em concurso, valorizado e que ganhava capas de revista", lembra.

Getúlio Vargas
Getúlio Vargas queria fazer um 'gesto' para as mulheres, num momento em que elas ganhavam visibilidade e adquiriam direitos civis, como direito ao voto - Crédito, Getty Images

Quanto dinheiro o Dia das Mães gera?

Assim como em muitos aspectos comerciais, os Estados Unidos lideram o consumo de bens e serviços relacionados ao Dia das Mães.

Outros países ao redor do mundo não apenas seguiram o exemplo na celebração deste feriado, como também incorporaram fortemente sua importância econômica.

Só nos EUA, as vendas do Dia das Mães representam mais de US$ 23 bilhões.

De acordo com sites especializados, os bens e serviços comprados neste dia não são apenas de filhos para mães. Os consumidores compram para todas as mulheres em suas vidas: filhas, irmãs, avós, madrinhas e outras parentes e amigas.

No Brasil, o Dia das Mães é a segunda data mais importante do varejo nacional.

A expectativa é que em 2026 a celebração movimente quase R$ 38 bilhões nos setores de comércio e serviços no país, levando cerca de 127 milhões de consumidores às compras, segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil.

Capa do livro de Katharine Antolini sobre a história do Dia das Mães e a luta de sua criadora para eliminar a data
Capa do livro de Katharine Antolini sobre a história do Dia das Mães e a luta de sua criadora para eliminar a data - Crédito: Reprodução

A pesquisa indica que os produtos campeões de venda devem estar na categoria moda, seguidos por produtos de beleza, chocolates e flores, e experiências, como almoçar fora ou viajar.

O levantamento revela ainda que os consumidores pretendem gastar em média R$ 294 com as compras e que as principais presenteadas serão mães, seguidas de esposas e sogras.

Porque, como dizem as campanhas, o amor de mãe não tem preço.

*Com reportagem adicional de Edison Veiga, de Bled (Eslovênia) para a BBC News Brasil

Blog JURU EM DESTAQUE com  BBC News Brasil

Homenagem da prefeita de Juru ao Dia das Mães

Solange Félix: Parabenizo todas as mães que, com coragem, doçura fé e bravura, conduzem com amor a missão da maternidade que Deus lhes confiou

"Ser mãe não é um ser que dá luz ao nascer, mas exerce a função de ser a luz para vida toda".

Feliz Dia das Mães! 

Como mãe, celebro este dia com muita gratidão a Deus pela graça e pela missão mais importante da minha vida: ser mãe. É um amor que transforma, fortalece e dá sentido à nossa caminhada todos os dias.

Tenho certeza de que cada mãe também sente essa felicidade tão especial ao olhar para seus filhos e enxergar neles o maior presente de Deus.

Parabenizo todas as mães que, com coragem, doçura, fé e bravura, conduzem com amor a missão da maternidade que Deus lhes confiou.

De forma muito especial, quero agradecer à minha querida e amada mãe por todo amor, cuidado e ensinamentos. Sou eternamente grata à senhora.

Que Deus abençoe todas nós. Viva as mães! 

Feliz Dia das Mães para todas as mães vitoriosas do mundo! Porque não existe dádiva melhor do que ser mãe!
Mãe é tudo!

Dia das Mães

Saiba como surgiu a comemoração do Dia das Mães no Brasil e por que a data varia no mundo


Dia das Mães: data foi oficializada no Brasil em 1932 — Foto: Getty Images
Dia das Mães: data foi oficializada no Brasil em 1932 — Foto: Getty Images

"O segundo domingo de maio é consagrado às mães, em comemoração aos sentimentos e virtudes que o amor materno concorre para despertar e desenvolver no coração humano, contribuindo para seu aperfeiçoamento no sentido da bondade e da solidariedade humana."

Assim declara o decreto de número 21.366, assinado pelo então presidente Getúlio Vargas (1882-1954) e publicado em 5 de maio de 1932.

O documento ainda tece três considerações para justificar a lei:

  • "que vários dias do ano já foram oficialmente consagrados à lembrança e à comemoração de fatos e sentimentos profundamente gravados no coração humano";
  • "que um dos sentimentos que mais distinguem e dignificam a espécie humana é o de ternura, respeito e veneração, que evoca o amor materno"; e
  • "que o Estado não pode ignorar as legítimas imposições da consciência coletiva, e, embora não intervindo na sua expressão, e do seu dever reconhecê-las e prestar o seu apoio moral a toda obra que tenha por fim cultuar e cultivar os sentimentos que lhes imprimem, força afetiva de cultura e de aperfeiçoamento humano".

O modelo da efeméride brasileira foi copiado dos Estados Unidos, conforme apontam pesquisadores.

"Apesar de já existirem manifestações inclusive na Grécia Antiga e em outros países, o Dia das Mães como é visto hoje foi uma criação americana, do fim do século 19", afirma o psicólogo social Sérgio Silva Dantas, professor de marketing da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Se a data foi oficializada no Brasil em 1932, sua consolidação veio mesmo na época do regime militar de 1964 a 1985.

"Copiava-se tudo dos Estados Unidos e houve, durante a ditadura, uma valorização enorme da família e das mães, em particular", diz a historiadora Mary Del Priore, autora de História das Mulheres no Brasil.

"A maternidade bem vivida, a mulher dedicada aos filhos era um perfil exaltado em concurso, valorizado e que ganhava capas de revista", lembra.

Anna Jarvis

A norte-americana Anna Maria Jarvis (1864-1948) é considerada a idealizadora do modelo contemporâneo do Dia das Mães. Em 1905, ela perdeu a mãe e, profundamente deprimida, resolveu militar por uma data que homenageasse o sentimento materno.

Conforme conta o professor Dantas, a tal mãe, que também se chamava Anna, era reconhecida como uma "grande mãezona" na comunidade onde vivia, no Estado americano da Virgínia Ocidental.

"Participante da Igreja Metodista, ela desenvolvia uma série de trabalhos sociais", conta o pesquisador. Assim, sua morte gerou comoção.

A celebração criada pela filha — uma mulher solteira e sem filhos — foi ganhando grandes proporções.

"Ganhou repercussão muito grande, mesmo em tempos em que não havia redes sociais. Viralizou. Tanto que o presidente da época resolveu oficializar o segundo domingo de maio como o Dia das Mães em todo o país", relata o professor. Na época, o presidente americano era Woodrow Wilson (1856-1924).

Anna Jarvis, idealizadora do Dia das Mães nos EUA — Foto: Getty Images
Anna Jarvis, idealizadora do Dia das Mães nos Estados Unidos — Foto: Getty Images

No Brasil

Mas se a data foi oficializada apenas em 1932 no Brasil e ganhou forte apelo comercial décadas mais tarde, Dantas conta que já havia comemorações anteriores no país.

"Segundo minhas pesquisas, havia homenagens principalmente ligadas a igrejas, em boa parte das igrejas cristãs", diz ele.

"Em maio se comemora o mês de Maria, a mãe de Jesus, então já se faziam associações ao papel da mãe."

Há registros de que em 12 de maio de 1918 ocorreu uma celebração dedicada ao Dia das Mães no Rio Grande do Sul, por iniciativa da Associação Cristã de Moços.

Já a Igreja Católica, no Brasil, acabou incorporando a tradição em 1947, por iniciativa do então cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, D. Jaime de Barros Câmara (1894-1971).

Segundo o professor do Mackenzie, a oficialização feita por Getúlio Vargas em 1932 atendeu a apelos da população. Era um momento de valorização da mulher como cidadã e, na ótica da época, seu papel materno precisava ser ressaltado também.

"Foi mais ou menos nesse período que as mulheres começaram a ter direito a voto", exemplifica o professor. "Vargas queria fazer uma ação junto ao público feminino."

Getúlio Vargas queria fazer um 'gesto' para as mulheres, num momento em que elas ganhavam visibilidade e adquiriam direitos civis, como direito ao voto — Foto: Getty Images
Getúlio Vargas queria fazer um 'gesto' para as mulheres, num momento em que elas ganhavam visibilidade e adquiriam direitos civis, como direito ao voto — Foto: Getty Images

Da celebração para o cunho comercial, o salto foi natural.

"Não demorou muito para a data ser associada à questão comercial, uma vez que na cultura ocidental tudo o que é comemoração está muito ligada ao consumo e, de alguma forma, trocamos presentes", contextualiza.

"Não há grandes registros históricos sobre como isso foi se desenvolvendo, mas o que se sabe é que o comércio começou a visualizar no Dia das Mães uma grande oportunidade."

O Dia das Mães é a segunda data mais importante do comércio brasileiro, perdendo apenas para o Natal.

"Supera o Dia dos Namorados, dos Pais e das Crianças, até pelo apelo emocional e sentimental que as mães representam", afirma Dantas.

Mas o reinado está um pouco ameaçado nos últimos anos por uma data bem menos afetiva.

"Hoje há uma certa concorrência da 'Black Friday' na disputa do segundo lugar. Para alguns produtos, a 'Black Friday' já é mais importante", analisa Marcel Solimeo, superintendente institucional da Associação Comercial de São Paulo.

"Mas consideramos que a 'Black Friday' é uma antecipação das compras de Natal, ou seja, os consumidores aproveitam as promoções de novembro para comprar os presentes de fim de ano", complementa ele.

"Já o Dia das Mães é uma data que representa um adicional significativo no primeiro semestre, sendo sem dúvida alguma a data comercial mais importante da primeira metade do ano. Para alguns segmentos, em especial os artigos de uso pessoal, o Dia das Mães é mais importante do que a 'Black Friday'."

Solimeo diz que a data foi ganhando espaço no calendário comercial brasileiro "porque apoia-se muito no apelo emocional, na importância que a figura materna tem em nossa cultura".

"Por isso acabou ganhando grande importância para o varejo. E os lojistas sempre usaram o Dia das Mães para — além de vender vestuário e artigos de uso pessoal (como perfumes, joias, maquiagem, bolsa) — comercializar eletrodomésticos", exemplifica.

"Sempre se vendeu a ideia de que o presente para a mãe é um presente para o lar. Assim, o segmento de móveis e eletrodomésticos historicamente tem um desempenho muito bom no Dia das Mães", analisa o superintendente.

"Hoje a narrativa é um pouco diferente, mas ainda assim as lojas continuam a usar a data para vender móveis e eletrodomésticos, até porque, se não for no Dia das Mães, só no final do ano haveria uma boa oportunidade para comercializar esses produtos de maior valor."

Na antiguidade, a valorização da maternidade era concomitante ao início da primavera. — Foto: Getty Images
Na antiguidade, a valorização da maternidade era concomitante ao início da primavera. — Foto: Getty Images

Pelo mundo

Na antiguidade, a valorização da maternidade era concomitante ao início da primavera. Há registros de que, na Grécia Antiga a entrada da estação era festejada em honra a Reia, a mãe dos deuses.

Mas a data celebrada no Brasil e nos Estados Unidos — o segundo domingo de maio — não é unanimidade em todo o mundo contemporâneo.

Comemoram nesta data também países como África do sul, Chile, China, Dinamarca, Austrália, Itália, Japão, Cuba, Venezuela, Finlândia, Bélgica e outros. Em Portugal, por outro lado, a celebração ocorre no primeiro domingo de maio — assim como em Angola, Moçambique, Espanha, Cabo Verde, Hungria e Lituânia.

Noruegueses dedicam às mães o segundo domingo de fevereiro. Franceses e suecos, o último domingo de maio. Na Argentina e na Bielorrússia, o que vale é o terceiro domingo de outubro.

Tanto na Palestina como no Líbano, preserva-se o costume ancestral: Dia das Mães coincide com o primeiro dia da primavera.

Alguns países têm datas fixas para o Dia das Mães, independentemente do dia da semana. Na Bolívia, por exemplo, é o dia 27 de maio. Rússia, Sérvia, Montenegro, Romênia e Bulgária preferem o 8 de março.

Na Eslovênia, é dia 25 de março. Egito, Síria e alguns países árabes homenageiam as mães em 21 de março. Bélgica e Costa Rica usam o 15 de agosto, mesmo dia em que católicos celebram a Assunção de Nossa Senhora. Na antiga Iugoslávia, a comemoração era feita sempre duas semanas antes do Natal.

*Esta reportagem foi publicada originalmente em 10 de maio de 2019.

Blog JURU EM DESTAQUE cim G1 - Por BBC