Março, mês do centenário de nascimento do Capitão Dalmo Teixeira, um dos nomes mais importantes da história de Juru, passa sem nenhum registro por quem deveria fazê-lo
| A memória do ex-prefeito Dalmo Teixeira permanece viva em cada rua, praças e outras edificações que ele construiu com visão de futuro. |
Um dos nomes mais importantes da história de Juru, Capitão Dalmo Teixeira completaria 100 anos no dia 06 de março desse ano, se vivo estivesse. No entanto, terminado o mês do seu centenário, nenhum registro foi feito em sua homenagem.
Dalmo Teixeira nasceu na cidade de Araruna, na Paraíba, em 06 de março de 1926. Era filho de Joana da Costa Belmont e Álvaro Teixeira da Costa. Tinha nove irmãos: Santal, Zeto, Walter, Pedro, Dagomir, João Bosco, Nalva, Alvina e Judite.
Em 08 de março de 1942, aos 16 anos de idade, o jovem ararunense alistou-se na Marinha do Rio de Janeiro, mundialmente conhecido como "Cidade Maravilhosa" devido às suas belezas naturais, praias icônicas, parques e atrativos turísticos como o Cristo Redentor e o Páo de Açucar. Foi levado ao Rio por um tio, Anísio Targino Teixeira. Lá, Dalmo fez carreira militar, tendo participado da Segunda Guerra Mundial, conflito militar global que durou de 1939 a 1945, envolvendo a maioria das nações do mundo - inclusive as grandes potências. Foi promovido aos diversos postos da hierarquia da Carreira Naval, tendo por fundamento a aptidão para o comando, até ser transferido para a reserva remunerada após sua promoção a Capitão de Corveta.
Logo após a sua participação no conflito mundial, já promovido a cabo, Dalmo foi transferido como sargento para a capital pernambucana. Em Recife, foi nomeado prefeito da Vila Naval, e, ainda na ativa, assumiu a Chefia da 2ª Divisão da Capitania dos Portos de Pernambuco, quando conheceu a juruense Maria de Lourdes Florentino, com quem se casou em 27 de janeiro de 1951. A jovem era filha do coronel Manoel Florentino de Medeiros, ex-prefeito de Princesa Isabel - PB, que recebeu uma doação de parte das terras que viriam a ser denominadas Barra, Ibiapina e depois Juru, tornando-se líder político antes mesmo do município ser emancipado.
Era um domingo, quando o marinheiro Dalmo Teixeira viu Lourdes Florentino pela primeira vez e se apaixonou. Ela tinha ido visitar o pai em Recife, que havia sofrido um acidente de carro e estava internado no hospital da Marinha onde recebeu tratamento especial. No acidente, o coronel princesense quebrou apenas uma perna, mas perdeu um filho que era médico.
Só para ver a filha do coronel Manoel Florentino por quem se apaixonara, logo que ele teve alta Dalmo Teixeira veio trazer em Juru o então líder político da região. Dalmo tinha um Jeep ano 1946 e levou o futuro sogro ao sítio Feijão onde o coronel residia. Lá o jovem marinheiro pediu Lourdes Florentino em casamento e pouco tempo depois contraiu matrimônio numa pequena capela localizada próximo da casa dos pais dela. Em 1966, Dalmo Teixeira construiu na propriedade do sogro a sede da Fazenda Âncora, que serviu de morada para o futuro casal e sua prole.
Já casado, Dalmo Teixeira foi transferido de volta para o Rio de Janeiro, onde foi promovido a capitão tenente, posto equivalente a capitão do exército. Posteriormente, foi promovido a capitão de fragata, equivalente a major.
Em 1954, com Lourdes Florentino grávida do primeiro filho, Dalmo Teixeira foi escalado para fazer uma "Viagem de Ouro", uma Viagem de Instrução final realizada pelos Guardas-Marinha da Escola Naval brasileira, marcando o fim do curso e o início da carreira oficial. Antes da viagem, ele veio deixar a esposa no Sítio Feijão, em Juru, e passou seis meses a bordo do Navio-Escola Brasil (U27) representando o Brasil em portos internacionais.
Na volta da "Viagem de Ouro", Dalmo Teixeira foi promovido a capitão de corveta, patente equivalente a tenente coronel do exército. Depois, foi designado comandante da Base Naval de Penedo, em Alagoas, onde residiu com a esposa e o primeiro filho, Antonio Loudal. Em Penedo, nasceu o segundo filho do casal, Janser, que viria ser tenente do exército.
Dalmo Teixeira morreu em 24 de dezembro de 1989, aos 63 anos. Da união com Lourdes Florentino, deixou oito filhos: o médico e ex-prefeito de Juru Antonio Loudal (Dr. Toinho), Janser, Marcos (Bibico), América (ex-primeira dama de Araruna), Dalane, Dalmo Loudal e Emanoel. Tinha ainda outra filha, Shirley, fruto de outro relacionamento que ele teve em Recife antes de conhecer a juruense com quem mais tarde se casaria.
Por influência do coronel Manoel Florentino, Dalmo Teixeira ingressou na vida pública e foi eleito três vezes prefeito de Juru. Exerceu o primeiro mandato no período compreendido entre 04 de dezembro de 1966 e 31 de janeiro de 1970, sendo escolhido nas urnas novamente para administrar o município no període de 31 de janeiro de 1973 a 31 de janeiro de 1977. Em 31 de janeiro de 1983, ele assumiu o seu terceiro mandato e governou Juru até o dia 31 de dezembro de 1988.
Reconhecido por sua influente liderança política em Juru e região, Dalmo Teixeira é lembrado até hoje pelo legado que deixou para o município e por sua destacada trajetória, cuja memória precisa ser preservada.
É lamentável, no entanto, que nenhuma sessão especial com homenagens póstumas tenha sido realizada pela Câmara Municipal de Juru, como geralmente ocorre nas comemorações de centenários envolvendo personagens históricos e gestores notáveis como foi Dalmo Teixeira. Em 06 de março desse ano, dia do seu nascimento, 0 seu nome sequer foi lembrado - e muito menos no mês do centenário, que findou ontem (31).
Para que os 100 anos do nascimento do Capitão Dalmo Teixeira não passem despercebidos, o Blog JURU EM DESTAQUE registra a relevância da data para evitar que uma figura política de tamanha importância e valor seja "apagada" da história de Juru.
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